Major Lazer Cuba Foto: Shane McCauley/Reprodução

Há 10 anos, Major Lazer se tornava 1º grande nome dos EUA a tocar em Cuba

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Projeto comandado por Diplo se apresentou para mais de 400 mil pessoas em momento de reaproximação dos Estados Unidos com a ilha caribenha

Os cubanos que estiveram no show do Major Lazer em Havana há dez anos — dia 06 de março de 2016 —, curiosamente em uma praça chama Tribuna Antiimperialista José Martí, guardam na mente uma prova de que em uma década a humanidade regrediu.

A população do país enfrenta, neste exato momento, um estrangulamento energético promovido pelos Estados Unidos (sempre, né?) que tem causado problemas graves na manutenção social do país, incluindo medicamento e o funcionamento de serviços básicos. A situação chegou ao extremo após o ataque estadunidense à Venezuela, principal fornecedor de petróleo à ilha caribenha. Donald Trump também ameaçou com tarifas e sanções qualquer país que decidir vender o óleo aos cubanos. O México, por exemplo, interrompeu as entregas, com medo de agressões a sua economia, dependente das exportações para os EUA.

Um cenário completamente diferente de uma década atrás, quando a nação norte-americana, então presidida por Barack Obama (em finalzinho de mandato), cultivava uma reaproximação com Cuba após mais de 50 anos de rompimento. Ambos haviam acabado de reabrir suas embaixadas, diálogos de avizinhação aconteciam, e o Major Lazer, abrindo o festival Musicabana, foi o primeiro grande artista estadunidense a se apresentar na ilha.

“Cara, você nunca vai sentir um amor como aquele. […] Estou andando por aí com essa sensação: não acredito como meu trabalho é incrível, como minha vida é fantástica, como me sinto inspirado agora a continuar fazendo isso pelo mundo”, contou Diplo, o rosto mais conhecido do projeto, à Entertainment Weekly.

Os mais de 400 mil cubanos que estiveram de graça no festival viveram um dia de festa e comunhão. DJs locais fizeram a abertura do show, e os integrantes do Major Lazer visitaram uma escola e deram workshops para artistas locais. A esperança era de que finalmente as sanções impostas pelos Estados Unidos após a chamada “Crise dos Mísseis” finalmente fossem retiradas, melhorando as condições de vidas da população.

Uma sensação que durou pouco, infelizmente. A música trouxe alívio temporário. Os Rolling Stones desembarcaram em Cuba apenas 20 dias depois, em outro show histórico, que, assim como o do ML, acabou virando documentário. As relações voltaram a degringolar no ano seguinte, já na primeira administração de Trump, e chegam ao limite mais cruel justamente na véspera dos dez anos da festa. Nesta quarta-feira, 04, um apagão geral ocasionado pela falta de combustível parou o país caribenho.

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.