Foto: DivulgaçãoBaxter Dury no C6 Fest: paixão, romantismo e psicodelia indie
Edição: Flávio Lerner
Filho de Ian Dury, músico de 54 anos pode transformar festival brasileiro em uma louca, indie e britânica pista de dança
Estrela do C6 Fest 2026 escalada para tocar no sábado, 23 de maio, Baxter Dury, 54, está no mundo da música desde os cinco anos. O famoso pai, Ian Dury, o colocou na capa de seu primeiro e mais importante disco, New Boots and Panties!!, do Ian Dury & The Blockheads, de 1977.

Além de gênio da música britânica, Ian foi um pai amoroso e um doidão que influenciou tanto a vida do filho que rendeu até mesmo um livro de memórias, escrito por Baxter, com histórias de sua infância. Nele, conta que vivia perambulando entre a casa da mãe, uma artista plástica, e a do pai, um boêmio que fazia de sua casa um encontro de malucos. Quando saía em turnê, Ian o deixava aos cuidados de um traficante de dois metros de altura, que também fazia bicos como segurança.
A loucura se refletiu em sua música. O som de Dury é cheio de paixão, romantismo e psicodelia indie. Traduz a riqueza da vida de um garoto que foi expulso da escola 14 vezes, que se escondeu na casa de Joe Strummer (do The Clash) após arrumar uma briga durante o Carnaval de Nothing Hill, e que perdeu o emprego oito vezes quando tentou ser professor de inglês, antes de finalmente assumir que seu negócio era mesmo a música.
O dom tarda, mas não falha. Desde que apareceu para a Inglaterra com o sensacional EP Oscar Brown (2001), lançado pelo cultuado selo Rough Trade, o cara conquistou um lugar só seu no cenário de indie-folk excêntrico inglês. No ano seguinte, chegou com um álbum que consolidou sua carreira, Len Parrot’s Memorial Lift, assim como acontecera com o progenitor. Curiosamente, sua primeira apresentação “ao vivo” foi no funeral de Ian Dury, em março de 2000, cantando My Old Man — uma das faixas de New Boots and Panties!!.

Com o cartão de visita devidamente entregue, começaram a pintar os convites para colaborações. Uma verdadeira constelação alternativa, incluindo Damon Reece (Spiritualized), Geoff Barrow (Portishead) e Richard Hawley (Pulp), além de ex-companheiros de seu pai, como o baixista Norman Watt-Roy.
No ano passado, Baxter Dury lançou seu oitavo álbum, Allbarone. Mais eletrônico, utilizando mais o grave de sua voz, o trabalho resgata uma sonoridade muito parecida com a da lendária banda de funk dinamarquesa Laid Back. Significa que podemos esperar por um show mais para cima, upbeat, capaz de transformar o palco do C6 Fest em uma louca, indie e britânica pista de dança, recheada de experimentações, vibração alternativa e as incríveis histórias de vida de quem cresceu no meio de doidões.



