Bad Bunny em seu show no Chile. Foto: ReproduçãoComo ato político de Bad Bunny no Chile pode ser replicado no Brasil
Em seu show em Santiago, cantor porto-riquenho homenageou músico e ativista executado pela ditadura de Pinochet
“Artista tem de falar de música, não de política!”, vociferaram milhares de fãs de rock clássico quando testemunharam Roger Waters, do Pink Floyd, em seu show em São Paulo, em 2018, descendo a lenha em certo ex-presidente que viria a dizer que o Brasil tinha que deixar de ser “um país de maricas” no auge da pandemia de covid-19, e que agora chama barulho de ar-condicionado de “tortura psicológica”. Bem, é bom que quem acredite que ídolos da música devem ser isentões passem longe do Allianz Parque nos dias 20 e 21 de fevereiro. É lá que se apresenta Bad Bunny, encerrando a jornada sul-americana de sua DeBÍ TiRAR MáS FOToS World Tour.

Até lá, o o cantor porto-riquenho já terá passado por Chile, Peru, Colômbia e Argentina. Se repetir o que fez na capital chilena, Santiago, no último dia 11, vai chover pedrada em quem acha que ditadura militar é bom para um país. O cara tomou o violão para homenagear um dos mais importantes, idealistas e perseguidos artistas do país anfitrião, Victor Jara, encantando os chilenos ao mostrar que conhece bem as agruras do povo de seu continente.
Acompanhado por milhares de fãs, tocou a música El derecho de vivir en paz, um hino de resistência lançado em 1971 que o custou prisão, tortura e a própria vida na época da sanguinária ditadura de Augusto Pinochet.
Algo parecido pode acontecer na Argentina, país que sofreu tanto quanto o Chile (e o Brasil) nas mãos de torturadores. E considerando que Lima, no Peru, passou ilesa, com Bad Bunny se contentando com uma mera jaqueta da Seleção Peruana de futebol e arriscando um jingle de rádio local, começamos a especulação se haverá ou não alguma manifestação da intensidade de Santiago aqui na capital paulista.
Para ajudar o cantor e sua equipe, sugerimos três dicas de como levar sua solidariedade política também aos fãs brasileiros.
Tirar um cover de Chico Buarque
Chico Buarque! Aquele enrolador que desde 1960 vive da Lei Rouanet, antes mesmo dela existir. Quanta gente não canta escondida no banheiro as músicas do Chico porque, publicamente, o homem está cancelado na extrema-direita por criticar duramente — às vezes nas entrelinhas, em outras no papo reto — a Ditadura Militar brasileira? Se Bad Bunny quer entrar no Allianz com o jogo ganho, basta escolher uma de suas canções ao violão e ser feliz.
Levar Tati Quebra Barraco ao palco
Tem uma coisa que os “cidadãos de bem” detestam mais do que Chico Buarque: pobre fazendo sucesso. E isso se estende a muita gente no mundo da música, que vira o pescoço quando percebe que um ritmo original das quebradas está chamando a atenção no mundo todo. Boladona, de Tati Quebra Barraco e DJ Marlboro, recentemente figurou em 19º lugar em uma lista dos cem melhores álbuns de música eletrônica do século. Ninguém melhor para representar a dance music brasileira ao lado do ícone porto-riquenho do que Tati.

Apresentar uma coleção de memes no telão

Imagem: Reprodução
O povo brasileiro (normal) odeia tortura, mas adora memes, as bem-humoradas produções caseiras no campo audiovisual. E não tem como negar que, entre negacionistas de vacina, terraplanistas e bolsonaristas, a matéria prima bateu o maior nível histórico para produção de memes.
Imagina só se, no meio do seu show no estádio do Palmeiras, naqueles telões enormes, uma seleção de patriotas pendurados em caminhão, rezando para pneu, esperando disco voador ou explicando a conspiração mundial através dos clones de presidentes estiver passando em loop enquanto Bad Bunny canta suas músicas? Será o mais divertido show da carreira do artista.



