Banksy na Ucrânia Grafite de Bansky na Ucrânia. Imagem: Reprodução/Instagram

Reportagem pode ter descoberto a identidade real de Banksy

Jota Wagner
Por Jota Wagner

E não, não se trataria do músico Robert Del Naja, do Massive Attack, mas de um amigo

A agência de notícias Reuters pode ter avançado de forma decisiva para descobrir a real identidade do artista plástico que assina suas obras como Banksy. E não, não se trataria de Robert Del Naja, do Massive Attack, como muitos especularam por anos.

Por outro lado, foi justamente sua aproximação com o grupo ativista de trip-hop que ajudou a reforçar a hipótese mais conhecida: a de que o nome por trás do pseudônimo seja o britânico Robin Gunningham, 51, cujas conexões com a banda e seu entorno ajudaram a mapear deslocamentos e atividades que coincidem com o surgimento de obras de Banksy ao redor do mundo.

Embora não seja possível afirmar com total certeza sobre sua identidade, a reportagem compila um conjunto robusto de indícios que, analisados em conjunto, fortalecem a associação com Gunningham — nome que já circula há anos em investigações jornalísticas e acadêmicas sobre o artista. E um dos maiores sinais são as declarações do advogado do artista, Mark Stephens, que não confirmam nem rejeitam a hipótese, mas mostram incomodação com o trabalho da agência:

“Violar a privacidade do artista interfere tanto em sua arte quanto o coloca em perigo. Trabalhar anonimamente ou sob um pseudônimo serve a interesses vitais da sociedade. Protege sua liberdade de expressão, permitindo ao criador falar a verdade sem medo de retaliações, censura ou perseguição”.

A Reuters concluiu que saber quem é a pessoa por trás de Banksy é de interesse público, graças à sua “profunda influência na cultura, na indústria da arte e no discurso político internacional”.

Para chegar à conclusão de suas investigações, a agência partiu em uma jornada internacional, que nos faz lembrar o velho joguinho Onde Está Carmen Sandiego. Entre os elementos levantados estão registros históricos, documentos públicos e cruzamento de datas e locais. Em um dos exemplos, a investigação identifica coincidências entre viagens de pessoas ligadas ao universo de Banksy e o aparecimento de obras em cidades específicas, como Kiev, na Ucrânia. Lá, foram identificadas evidências de que esse mesmo Gunningham teve viagens associadas ao pessoal do Massive Attack para um show no país, em data que coincidiu com a divulgação e alguns de seus trabalhos nas ruas de Kiev.

Também são resgatados materiais de arquivo, incluindo reportagens antigas e registros de mídia que ajudam a reconstruir a trajetória do artista ao longo das últimas décadas. A investigação contou até mesmo com a pesquisa em tabloides e a recuperação de uma matéria em áudio veiculada na rádio da BBC em 2003.

A reportagem também menciona registros que sugerem que Gunningham pode ter mudado seu nome legalmente para David Jones, homônimo de nosso querido Bowie. No Reino Unido, mudar seu nome de batismo (nome próprio ou sobrenome) é legal e relativamente simples. A lei permite que qualquer pessoa com mais de 16 anos altere seu nome por qualquer motivo, desde que não seja para cometer fraude, ocultar-se de dívidas ou cometer crimes.

De qualquer forma, tudo indica que, enfim, uma das identidades mais bem-guardadas da história da arte está mais próxima do que nunca de ser fielmente revelada.

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.