Wattstax. Imagem: ReproduçãoEntre jazz ao sol, Barbies e rock perdido: 10 docs musicais pouco óbvios
Bruna Medina indica dez documentários sobre música que revelam histórias incríveis
Um dia de sol ao som de jazz enquanto se assiste a regatas de vela. Um filme estrelado por bonecas Barbie. Mais de uma hora de película muda, que captura momentos e sons de piano. Um David Bowie americanizado. A primeira apresentação da lendária Plastic Ono Band. E quando Renato Russo escreveu que “ela preferia ver um filme do Godard“, podia estar apenas querendo dizer que Mônica era uma grande fã de Rolling Stones. Os documentários musicais são um gênero conhecido do grande público e uma ótima forma de conhecermos mais sobre as histórias de sucesso — ou não — de artistas que nem sempre fazem parte do mesmo tempo-espaço que o nosso.

E aqui estão dez dessas películas que saem do lugar comum, que falam sobre artistas nem tão conhecidos — mas de grande importância para seus estilos musicais e para a história da música em geral —, que trazem para o público outras formas de abordagem, diferentes visões sobre a carreira musical de personalidades de grande prestígio e mais. Confira:
Jazz On A Summer’s Day – Aram Avakian e Bert Stern (1959)
A gravação do Newport Jazz Festival, majoritariamente sem diálogos, apresenta performances de Thelonious Monk, Chuck Berry, Louis Armstrong, entre outros, durante um final de semana ensolarado de verão em 1958 em que também acontecia a America’s Cup, a mais antiga e prestigiada competição internacional de vela.
Onde assistir: YouTube.
One Plus One/Sympathy for the Devil – Jean-Luc Godard (1968)
A “Get Back dos Rolling Stones”, filmada por ninguém menos que Jean-Luc Godard. O documentário retrata o processo criativo da canção Sympathy for the Devil, mas a versão original de Godard não contempla a música finalizada, o que desagradou os produtores, que fizeram uma nova edição incluindo a música pronta e intitularam o novo recorte com o nome da própria canção.
Onde assistir: YouTube.
Wattstax – Mel Stuart (1973)
Promovido pela gravadora Stax, concorrente direta da Motown, o festival que foi considerado o “Woodstock negro” vendeu ingressos a um dólar (!), tornando-o acessível e atraindo cem mil pessoas para o Los Angeles Coliseum. Indicado ao Globo de Ouro de “Melhor Documentário” em 1974.
Onde assistir: YouTube.
The Decline of Western Civilization Collection – Penelope Spheeris (anos 1980 e 1990)
A diretora apresenta três visões de um mesmo local, retratando a evolução da subcultura roqueira na Los Angeles dos anos 1980 e 1990.
Parte I – auge da cena punk entre 1979 e 1980.
Parte II – ascensão da cena heavy metal (ou glam metal/hair metal) entre 1987 e 1988.
Parte III – acompanha o movimento “gutter punk”, jovens punks à margem da sociedade que vivem nas ruas já no final dos anos 1990.
Onde assistir: YouTube.
Superstar: The Karen Carpenter Story – Todd Haynes (1987)
Um dos diretores mais conhecidos do gênero de documentários musicais, Todd Haynes conta a história de Karen Carpenter, vocalista e baterista que alcançou o estrelato com o duo que levava seu sobrenome, e que teve uma morte precoce em decorrência de um distúrbio alimentar. O filme é um média-metragem e todo feito com bonecas tipo Barbie.
Onde assistir: YouTube.
Jobriath A. D. – Kieran Turner (2012)
A trajetória de Jobriath, o primeiro rockstar assumidamente homossexual a assinar com uma grande gravadora, e sua relação com o controverso empresário Jerry Brandt é retratada neste documentário com depoimentos de amigos e conhecidos, além de imagens de arquivo. O doc conta como o “Bowie das Américas” lançou apenas dois álbuns e nunca alcançou o sucesso desejado, se reinventando como artista de cabaré até sua morte em decorrência da AIDS, em 1983.
Onde assistir: Apple TV e Prime Video.
O Piano que Conversa – Marcelo Machado (2016)
Do mesmo diretor de Tropicália e Com a Palavra, Arnaldo Antunes, esta obra brasileira é narrada apenas por sons, enquanto o pianista paulistano Benjamim Taubkin encontra novas tradições musicais no Brasil, na Bolívia e na Coreia do Sul.
Onde assistir: Prime Video.
The King – Eugene Jarecki (2018)
Enquanto dirige um Rolls-Royce que pertenceu a Elvis Presley pelas estradas dos Estados Unidos, o diretor recebe convidados a bordo e utiliza da figura do Rei como a personificação do sonho americano, tratando de sua ascensão e declínio durante conversas sobre a carreira do astro e essa relação com a herança musical do país.
Onde assistir: Apple TV e Prime Video.
Som, Sol & Surf – Saquarema – Hélio Pitanga (2018)
Em 1976, Rita Lee, Angela Ro Ro, Raul Seixas e outros tantos artistas se apresentaram nas areias da praia de Itaúna, em Saquarema. Na época, a ideia era produzir um filme e fazer um disco do festival, até as gravações desaparecerem. Quase quatro décadas depois, as filmagens chegaram à luz do dia, e assim pôde-se ter o gostinho do que foi esse “Woodstock praiano”.
Onde assistir: Apple TV e Prime Video.
Revival ’69 – Ron Chapman (2024)
Revival ’69 narra o processo de organização do Toronto Rock’n’Roll Revival e como dois jovens de 20 e poucos anos conseguiram levar John Lennon da Inglaterra para o Canadá em menos de uma semana com uma banda formada em 24h. A primeira apresentação da Plastic Ono Band foi ali. Conta com um line-up de peso (Chuck Berry, Jerry Lee Lewis, Little Richard, The Doors, Alice Cooper e outros grandes artistas) e entrevistas inusitadas com Geddy Lee, do Rush, e Klaus Voormann, o designer por trás da icônica capa de Revolver, dos Beatles.
Onde assistir: Apple TV e Prime Video.
Bônus: Velvet Goldmine – Todd Haynes (1998)
Este não é um documentário, mas um filme de Todd Haynes que recria a época do glam rock na Inglaterra dos anos 1970. Boatos dão conta de que a película bebe das influências tanto de Jobriath quanto de David Bowie, e talvez por isso, Bowie não tenha autorizado a utilização de suas músicas na obra.



