Foto: ReproduçãoPor dentro do Oscar 2026: quem ganha e o que realmente pesa na votação
Especialista em cinema e votante do Globo de Ouro, Yasmine Evaristo diz quem são os favoritos para o Oscar e explica os bastidores da premiação
Como funcionam os bastidores da indicação de um Oscar? Tem panelinha de amigos? Como são feitas as campanhas de promoção de um filme para a grande de noite de domingo, 15 de março? E mais, O Agente Secreto está mesmo entre os favoritos?

Essas e muitas outras dúvidas são explicadas por Yasmine Evaristo, especializada em cinema, votante do Globo de Ouro e do Festival Internacional de Cinema de Guadalajara e, principalmente, cria do Music Non Stop.
Nossa amiga volta ao quartel general para nos ajudar nas apostas, em uma entrevista muito além do feijão com arroz e com clima de matanza de saudade comigo e Flávio Lerner.
As táticas dos estúdios, o que se passa na cabeça de um votante, as tendências do Oscar 2026 e, claro, a polêmica torcida organizada brasileira foram assuntos do bate-papo que você lê agora, perto da noite mais importante do cinema.

Yasmine Evaristo. Foto: Divulgação
Jota Wagner: Quais as chances para O Agente Secreto?
Yasmine Evaristo: Aposto em “Melhor Filme Estrangeiro”. Apesar de termos filmes como Foi Apenas Um Acidente, que chamou muita atenção durante temporada de premiação, eu acho que O Agente Secreto correu em paralelo, bem próximo. Em alguns momentos, se destacou até um pouco mais. Então, temos chances fortes.
E o Wagner Moura?
No caso do Wagner, temos duas questões: Timothée Chalamet e o Michael B. Jordan. Na categoria de “Melhor Ator”, ele é o menos cotado no momento. A interpretação do Chalamet é muito interessante, em um filme que não fez uma campanha tão boa. Pecadores, com o Jordan, tem muita força.
O que dá força a um filme, promocionalmente falando?
Ser mais do início do ano não é bom. Filmes lançados no primeiro semestre não costumam ter tanta projeção nas indicações. Isso acontece muito com os que são exibidos em festivais. Quando você tem um filme em Cannes, no Sundance e no Tribeca, por exemplo, ele costuma chegar com muita força ao Oscar. Gera um burburinho nos festivais antes de ir pro circuito de cinemas.

Não foi o caso de Pecadores, por exemplo, que caiu direto no circuito de cinema, vem fazendo bilheteria, crescendo e sendo bem-falado. É curioso ver um filme que consegue se manter por um ano inteiro nos holofotes, e ainda se destacar na temporada de premiações. É raro. Por isso acredito que o Jordan leve a categoria de “Melhor Ator”. Além disso, é muito simpático.
Temos também as falas antipáticas do Chalamet, mas acho que não afetaram a votação porque ela aconteceu antes.
Essas campanhas com artistas rodando em entrevistas pelo mundo, ajudam mesmo?
Com certeza. É propaganda, uma forma de fazer as pessoas assistirem ao filme. E elas geram também outros tipos de empatia. Quem trabalha nas produções e quem vota se conhecem, são amigos. Talvez o filme seja atravessado por uma temática que te agrade.
Então, as campanhas funcionam como um lobby, um lugar de divulgação, e isso é importante.
Por exemplo, o Anora, vencedor do ano passado. Todo mundo ficou revoltadíssimo, sem saber como o filme chegou até lá. O público comum não ouviu falar, mas quem está imerso nesse espaço de jornalismo cultural, da crítica e da cinefilia, conseguiu ver que o Anora estava correndo por fora e se estruturando.

Já aparecia, desde o ano anterior, em listas de indicados na temporada de premiações. Nos eventos, você via a presença do diretor, do elenco, todo mundo dando entrevistas, aparecendo de uma maneira mais sutil. Eles se fizeram aparecer em momentos que eram importantes, dentro da bolha.
Hoje, no entanto, é obrigatório assistir a todos os indicados para votar…
Sim, mas no Oscar, os votantes são de diferentes categorias. Roteiristas votam em “Melhor Roteiro”, por exemplo. Atrizes, na categoria de “Melhor Atriz”, e assim por diante. “Melhor Filme” é eleito por tudo mundo. E ali, não tem como ser subjetivo e pensar “eu vou votar apenas pela qualidade”. Outras coisas atravessam. Se você gosta de um ator por sua carreira inteira, por exemplo, isso influencia.
Essa Blitzkrieg que o brasileiro faz em redes sociais ajuda ou atrapalha?
A gente vive a era do algoritmo, em que não se importa se você está falando bem ou mal. Em alguns casos, há movimentos muito tóxicos, como o que aconteceu com o Anora, com um monte de comentários misógenos contra a atriz que concorreu com a Fernanda Torres [Mickey Madison].

Ao mesmo tempo, passar pelo público brasileiro virou uma forma fácil de conseguir engajamento. Nas redes do Oscar, tem um monte de elogios na foto do Wagner Moura, e um monte de piadinhas nas dos concorrentes. Mas amplia o alcance das postagens. Para quem trabalha com social media é ótimo. Mas resvala pouco em quem vota.
Daqui a pouco vai ter estúdio instruindo seus diretores a falar mal de brasileiro para viralizar…
O Sirât, por exemplo, estava ficando meio escondido perto dos outros. E então o Oliver Laxe veio com essa fala. É interessante porque traz engajamento.

Dá para reconhecer alguma espécie de tendência esse ano — como tivemos com os filmes asiáticos, como Parasita, e alternativos, como Homeland, em anos passados?
Eu acho que neste ano estamos apostando em produções com pessoas negras na cadeia de produção. E mulheres. São os dois recortes. E eu acho que não tem como a Jessie Buckley [Hamnet] não vencer [como “Melhor Atriz”]. Ela é o destaque da temporada, e muitas outras atrizes conseguiram se projetar de uma maneira incrível.
Pecadores, mais nessa pegada blockbuster, tem elenco feminino e negro. Foram 16 indicações, batendo filmes como Titanic e O Senhor dos Anéis. É um filme de vampiros, roteirizado e dirigido por um negro, que na verdade fala de imigração da história da população afro-estadunidense. Daqui a um tempo, pode ser que a gente comente esse Oscar como o da volta do cinema de horror e do cinema blockbuster.
Qual a grande surpresa e qual o filme esquecido no Oscar 2026?
Todos estão dentro do esperado. Frankenstein entrou em algumas categorias que eu não indicaria. Está superestimado. Estamos há uma década ressuscitando filmes, franquias. Isso é falta de originalidade. Tudo é remake, sequência, coisas que ninguém aguenta mais ver.
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Confira os favoritos às principais categorias para Yasmine Evaristo
Melhor Filme
Uma Batalha Após a Outra
Melhor Direção
Paul Thomas Anderson (Uma Batalha Após a Outra)
Melhor Ator
Michael B. Jordan (Pecadores)
Melhor Atriz
Jessie Buckley (Hamnet)
Melhor Ator Coadjuvante
Stellan Skarsgård (Valor Sentimental)
Melhor Atriz Coadjuvante
Teyana Taylor (Uma Batalha Após a Outra)
Melhor Filme Internacional
O Agente Secreto
Melhor Animação
Guerreiras do KPop
Melhor Escalação de Elenco
Pecadores
Melhor Roteiro Original
Pecadores
Melhor Roteiro Adaptado
Uma Batalha Após a Outra



