Filmes clássicos Brad Pitt e Edward Norton em “Clube da Luta”. Imagem: Reprodução

5 filmes clássicos que floparam nas bilheterias

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Porque até mesmo algumas das maiores obras da história do cinema fracassaram na época em que foram lançadas

Quando nos sentamos para assistir, às vezes pela décima vez, aqueles filmes clássicos, cultuados, divisores de águas na história do cinema mundial, raramente pensamos em como eles foram recebidos no momento de seu lançamento. Ou, pelo menos, imaginamos salas lotadas, filas para comprar ingresso e muita ansiedade.

Por vezes, porém, a realidade foi bem diferente. Algumas das produções que hoje são indispensáveis nas listas de “filmes para ver antes de morrer” foram um tremendo fracasso de bilheteria quando chegaram pela primeira vez, frustrando diretores, atores e, principalmente, investidores.

Em alguns casos, essas grandes obras estavam mesmo à frente de seu tempo, demandando um pouco mais de maturidade do público para compreender sua profundidade. Em outras, foram sumariamente boicotadas, como aconteceu com o indispensável Cidadão Kane, de Orson Welles, lançado em 1941.

O diretor falava sobre o herdeiro de uma fortuna que virou uma magnata da imprensa. Acontece que, apesar de não ser nomeado diretamente, Welles contava a história de um personagem real, e vivo na época: William Randolph Hearst, o homem mais poderoso da mídia norte-americana no início do século XX. Hearst sacou a “homenagem” na hora e, além de usar sua influência para detonar Cidadão Kane, baixou uma lei: nenhum funcionário de seu império poderia falar bem dele.

Em outros casos, o fracasso se deu a um azar temporal. E.T., de Steven Spielberg, por exemplo. Causou tanto furor e fez tanto sucesso nos cinemas que dragou toda a atenção, tanto do público, quanto da mídia, para si. Quem fez a besteira de lançar algo na mesma época amargou um belo prejuízo, incluindo até mesmo o próprio Spielberg, com Poltergeist, em 1982.

Mas o tempo explica tudo, e se as produções assustaram pelo fracasso nas primeiras semanas de seu lançamento, pelo menos se mostraram eternas, ajudando a salvar a pele (e os cofres) de quem investiu na ousadia. Conheça cinco exemplos de filmes espetaculares que começaram com o chinelo esquerdo.

O Iluminado (1980)

Não dá para dizer que um dos maiores filmes de terror da história foi um fracasso inicial de bilheteria, já que fechou o ano no lucro. No entanto, tretas generalizadas jamais nos fariam prever que se tratava de um marco na história do cinema. Stephen King, o autor do livro original, ficou puto. Achou que deram à personagem interpretada por Shelley Duval um tratamento misógino, retratando-o como uma histérica. Também reclamou do personagem principal, Jack Torrance, achando-o instável demais na primeira parte. Para piorar, Duval foi eleita como a pior atriz do ano por seu papel, e Stanley Kubrick, vejam só, levou o prêmio Framboesa de Ouro como “Pior Diretor”.

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Blade Runner (1982)

Quando Ridley Scott lançou seu maior clássico, teve de lidar com a incompreensão geral. O público achou que se tratava de um filme de ficção científica tradicional, como Star Wars. Sombrio e denso, Blade Runner foi interpretado como frustrante, e isso se reverteu em fracas bilheterias. Atrapalhou, também, o fato de ter sido lançado quase ao mesmo tempo que E.T., um dos maiores sucessos comerciais da história.

Scarface (1983)

Estrelado por Al Pacino e hoje imensamente cultuado, Scarface foi sabotado por uma mera e temida letrinha: a “X” — marca dada pelas associações estadunidenses a obras impróprias para menores de 18 anos. O carimbo quebrou o planejamento do estúdio, que não esperava que as cenas de violência e os palavrões seriam suficientes para colocar a película na mesma classificação dos que trazem cenas de sexo, por exemplo. Flopou, mas virou um clássico indispensável e eterno.

Clube Da Luta (1999)

“Decepcionante”, foi a conclusão da 20th Century Fox quando se deparou com os relatórios de bilheteria do filmaço Clube da Luta, estrelado por Brad Pitt e Edward Norton. Seus executivos não sabiam, porém, que a produção se tornaria rapidamente um “filme de DVD”, ideal para colecionadores terem na prateleira, tamanha sua potência. A conclusão é de que a campanha de marketing foi equivocada. O pessoal foi ao cinema esperando ver o bonitinho Brad Pitt trocando socos na rua, e encontrou um drama psicológico cheio de críticas ao consumismo.

Quase Famosos (2000)

Dirigido por Cameron Crowe, Quase Famosos foi aclamado pela crítica e um fracasso no cinema. O motivo? Os críticos tinham mais de 30 anos, conhecedores do cenário musical de rock clássico em que a história se ambienta. E o público que frequentava as salas nos anos 2000 era mais jovem do que isso, em sua maioria, e não estava nem aí se a trama falava ou não do Led Zeppelin. A divulgação meio confusa ajudou, e deu um prejuízo de 15 milhões de dólares, antes de se eternizar como um dos mais divertidos filmes sobre música de todos os tempos.

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.