Imagem: Reprodução“Sirât” no Oscar: Almodóvar, raves, protagonismo feminino e treta com o Brasil
Saiba mais sobre a obra espanhola que rivaliza com O Agente Secreto como “Melhor Filme Internacional”
Tem rave no Oscar, com possibilidades de acabar com o nosso Carnaval de comemoração d’O Agente Secreto, pelo menos parcialmente. O espanhol Sirât, dirigido por Oliver Laxe e produzido pelo mestre Pedro Almodóvar, concorre a “Melhor Filme Internacional” e “Melhor Som” trazendo como pano de fundo as raves hippongas frequentadas por europeus em lugares inóspitos, como o deserto do Marrocos, sua principal locação.
Na história, que mais uma vez usa o lado “exótico” das festas de música eletrônica como cenário para um thriller, um pai zeloso vai atrás da filha, que foi a uma rave no Marrocos e desapareceu. A história se desenrola na busca pela garota, enquanto a família encontra outros festeiros no caminho, em cenas permeadas com viagens de ácido e trilha composta pelo francês Kangding Ray, garrada no techno e o trance.
Para dar um tom mais dramático ao drama, o local onde os jovens europeus decidem gastar seu dinheiro é também palco de conflitos, em uma possível alusão ao ataque à rave brasileira Universo Paralello, em sua primeira edição israelense. Música eletrônica para falar de guerra, família e drogas. Todo país quer um Trainspotting pra chamar de seu!
Para dar mais realismo, Laxe promoveu uma rave real para 1.500 franceses e filmou tudo. O povo chegou como frequentador de festas e saiu como figurante de uma produção com chances de Oscar.

Lançado em 2025, Sirât conta com Sergi Lopez, Bruno Núñez Arjona e Jade Oukid nos papéis principais. A crítica especializada não foi unânime em relação ao filme, embora sua ousadia e, principalmente, design de som, tenham sido bastante elogiados. A indicação ao prêmio de “Melhor Som”, por sinal, fez história por se tratar da primeira obra com uma equipe de som integralmente feminina — Laia Casanovas (editora de som supervisora), Yasmina Praderas (mixadora de regravação) e Amanda Villavieja (mixadora de som direto) — a estar concorrendo à categoria.
Para aumentar ainda o clima de Fla-Flu no domingo, o diretor teve a infelicidade de fazer comentários bastante estranhos ao cinema brasileiro. Durante entrevista para o talk show La Revuelta, declarou que “há muitos brasileiros na Academia e nós os adoramos, mas eles são ultranacionalistas. Acho que, se os brasileiros inscrevessem um sapato no Oscar, todos votariam nele”.
Foi a deixa para os fãs de O Agente Secreto inundarem a internet com broncas e, principalmente, memes. Mesmo com poucos seguidores, a página do Instagram de Sirât (Oliver Laxe não usa redes sociais) conseguiu juntar mais de 41 mil comentários furiosos, em sua maioria. O emoji de sapato virou símbolo da revolta brasileira.

Mais tarde, em entrevista ao jornal espanhol Diário ABC, o diretor explicou o caso: “Sinto muito se ofendi pessoas. É um programa radicalmente irônico e de humor, não nos levamos a sério. Acho que o contexto não foi entendido. Foi, em todo caso, uma piada um pouco ruim”.
Com desculpas aceitas ou não, a verdade é que, se O Agente Secreto vencer Sirât no próximo domingo, o diretor deve esperar mais uma enxurrada de zoação nos perfis do filme.



