Harry Styles - Kiss All The Time Disco Occasionally

Kiss All The Time. Disco, Occasionally.

Harry Styles

Alt-pop | 2026

7.5/10

Jota Wagner
Por Jota Wagner

 

O fenômeno Harry Styles acaba de lançar nesta sexta-feira, 06, seu novo álbum, Kiss All The Time. Disco, Occasionally., que será precedido de uma turnê com números impressionantes, como 30 shows em Nova Iorque e seis no estádio de Wembley, na Inglaterra. O rapaz está apostando alto. Pela dedicação aos beats e aos timbres que deu à sua nova obra, em parceria com o produtor de longa data Kid Harpoon, percebe-se que há muita paixão no novo trabalho.

Tão caprichado o trato que deram às batidas e aos sintetizadores, que se extraíssemos todos os vocais, Kiss All The Time seria um tremendo disco de música eletrônica. Mas é preciso embalar em melodias pop e refrões “pule, por favor!”, para garantir seu lugar de headliner nos maiores festivais do mundo.

Não é um problema, por dois motivos. Primeiro, porque figurar nos palcões para fazer jovens cantarem junto é o lugar dele no mundo artístico. Segundo, porque sua voz (e o processamento por trás dela) não é nem um pouco irritante. Pelo contrário.

Harry Styles é um agente de reciclagem. O catador que revira as caçambas do underground em busca de pedaços de músicas. “Hmm… Esse aqui vai caber certinho naquela música que estou fazendo”, pensa, com a mão cheia de loops e timbres.

Harry Styles
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Percebe-se, nas 12 músicas, que ele sabe procurar nos lugares certos. Kiss All The Time. Disco, Occasionally. é uma amálgama da eletrônica europeia e do indie rock de arena, ambos do começo deste tão novo século. Ah, tem muito da eletrônica francesa pós-electro também, o tal “maximal”.

Se você tiver tempo para ouvir com cuidado, do começo ao fim e com um bom fone de ouvido, é possível se deliciar com timbres eletrônicos espetaculares, bem colocados aqui e ali, especialmente os arpejos. Palmas também para as linhas de baixo, algumas sensacionais, como a inserida em Dance No More, a décima faixa.

É uma pena que, em tempos de se ouvir música no celular (o novo radinho de pilha) e sem atenção, fazendo tarefas domésticas ou levantando pedaços de ferro na academia, o melhor do álbum novo de Harry Styles pode passar batido. Mas a culpa não é dele. É sua.

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.