Foto: Reprodução/Instagram de Calvin HarrisComo São Paulo escapou de tragédia anunciada no pré-Carnaval
Prefeito da capital e governador do estado de São Paulo precisam agradecer pela tremenda sorte que tiveram, opina Jota Wagner
Não sei qual o grau de religiosidade do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e do governador Tarcísio de Freitas. Mas se forem mesmo homens de bem, da família e de Deus, como proclamam a seus correligionários, é bom dar um pulo na igreja nos próximos dias para agradecer à tremenda sorte que tiveram no domingo de pré-Carnaval.

Ricardo, acenda sua vela para agradecer ao milagre de ninguém ter se machucado ou morrido durante a presepada que sua equipe armou permitindo o encontro entre dois trios elétricos gigantes, o Acadêmicos do Baixo Augusta e o Bloco da Skol, transformando a Rua da Consolação no portão do inferno. Tarcísio, agradeça pelo fato da Polícia Militar, sob sua responsabilidade, não ter conseguido criar um tumulto gigantesco e letal, por mais que tenha tentado, insistentemente, como mostram as dezenas de vídeos disponíveis nas redes sociais.
Vocês dois escaparam por muito pouco, assim como as meninas e meninos que, em vez de protegidos e orientados, receberam uma chuva de porradas vindas dos cassetetes sádicos da PM paulista, que não viu ali um problema de segurança pública, mas apenas uma pretensa “invasão de propriedade privada”. Míopes.
Tudo começou quando uma empresa, atrás de mídia espontânea, resolveu gastar tubos de dinheiro para levar à Consolação um dos DJs mais populares do mundo, além de um time de astros da música brasileira, chamando muita atenção dos apaixonados foliões da cidade. Até ai, tudo certo. O problema é que a Prefeitura de São Paulo, que autoriza os horários, locais e rotas de todos os blocos, teve a brilhante ideia de colocá-los lado a lado.

O Baixo Augusta se concentrou às 13h na esquina da Av. Paulista com a Rua da Consolação. O Bloco da Skol desceu a mesma rua, com concentração às 11h, poucas centenas de metros à frente. A tragédia foi anunciada, mas não se cumpriu graças aos próprios foliões, que tiveram de resolver a situação por conta própria.
Quando a multidão de gente percebeu que a falta de espaço estava se tornando um risco à própria segurança, o jeito foi criar a própria rota de fuga. Derrubaram algumas grades de proteção ao longo da rua e pularam outras, para se proteger, dando de cara com outro enorme problema, a saudosa Polícia Militar, que mostrou seu conhecido jeito de curtir o carnaval: batendo em desconhecidos.
Um dos vídeos publicados em redes sociais é estarrecedor, mostrando policiais batendo com cassetetes em mulheres e rapazes em um beco fechado, na área comum de um edifício. Encurralados e espancados, não havia para onde correr. Uma garota aparece pulando a grade, de volta para a rua, escolhendo por um possível pisoteamento às garras dos policiais. A truculência já estava em curso mesmo antes da confusão. Até mesmo ao escoltar Calvin Harris para o trio (trabalhando de graça para uma empresa privada), os policiais estavam abrindo caminho no público na base da porrada.
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Curioso é que os seguranças contratados das áreas invadidas abriram espaço para quem estava fugindo da aglomeração insana. Foram mais inteligentes e sensíveis do que o próprio estado.
Prefeito e govenador de São Paulo, vocês não têm ideia, novamente, da sorte que tiveram. E os milhões que estiveram na rua da Consolação no último sábado também.



