Filmes dos Beatles Imagem: Reprodução

Em prédio de seu último show, Beatles terão 1º museu oficial

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Edição: Flávio Lerner


Visitantes do The Beatles at 3 Savile Row poderão acessar sete andares de imersão total e material inédito a partir de 2027

Dentre as tantas imagens icônicas dos Beatles, talvez a mais presente na cabeça dos fãs seja o último show da banda, gravado no telhado do prédio onde funcionavam os escritórios da Apple Corps Limited, em Londres — uma empresa fundada pelos próprios integrantes após a morte do empresário paternal Brian Epstein.

Agora, com projeto endossado pelos dois membros ainda vivos, Paul McCartney e Ringo Starr, o espaço vai virar o primeiro museu “experiência” oficial dedicado à história do grupo de rock que é, para muitos, o maior de todos os tempos. A inauguração está prevista para o início de 2027.

Quando estiver aberto, os visitantes do The Beatles at 3 Savile Row poderão acessar desde o estúdio até o telhado do prédio. Serão sete andares, cada um dedicado a uma das fases do quarteto, e a Apple Corps promete uma porção de itens “jamais vistos pelo público” em seu acervo, incluindo objetos, documentos e materiais de arquivo.

“Foi uma uma viagem poder voltar ao número 3 da rua Savile e rever tudo. Há tantas memórias especiais entre aquelas paredes, sem mencionar o rooftop. Nosso time conseguiu colocar em pé um projeto impressionante, e estou empolgado em saber que as pessoas poderão conhecê-lo, quando estiver pronto”, afirmou Paul, em comunicado oficial.

John Lennon
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O último encontro dos Beatles

Curiosamente, foi a Apple uma das maiores culpadas pelo fim dos Beatles. Inexperientes no mundo dos negócios, os quatro garotos de Liverpool aprontaram várias patacoadas que renderam prejuízos astronômicos (conforme você já pôde ler aqui).

Para decretar o fim definitivo do grupo (que já não se apresentava ao vivo há muitos anos), resolveram montar o som no telhado e tocaram de surpresa, em 30 de janeiro de 1969, até que a polícia chegou e acabou com a festa. As imagens rodaram o mundo, viraram até documentário, e transformaram o prédio de sete andares localizado na Savile Row em monumento histórico da música e ponto turístico para beatlemaníacos.

O prédio da rua Savile foi comprado pelos quatro músicos por 500 mil libras em 1968. A ideia era centralizar todos os negócios da Apple, que iam desde a administração dos direitos da banda, a uma gravadora para lançar outras. Para se ter uma ideia da bagunça que tomava conta dos “Beatles empreendedores” naquela época, eles tiveram a ideia de montar uma loja gigantesca para vender de tudo, durou apenas oito meses, sangrou 200 mil libras do caixa dos caras e acabou com uma ação de fechamento em que qualquer um podia entrar na loja e pegar o que quisesse, sem pagar. No imóvel, os Fab Four ainda montaram um estúdio, onde gravaram seu derradeiro álbum Let It Be.

De mão em mão

Em 1976, a Apple decidiu vender o prédio. Ficou fechado até 2012, quando a marca de roupas Abercrombie & Fitch montou um lojão no local, alvo de protestos e processos dos pequenos alfaiates da região, que reclamavam da gentifricação de uma rua famosa por seus costureiros de roupas sob medida.

Com o fim da loja, em 2021, foram abertas as portas para dar vida ao projeto de reviver a aura Beatle do espaço. Graças aos esforços de Tom Greene, que assumiu a presidência da Apple Corps em 2025, finalmente a coisa vai sair do papel. O valor da transação não foi informado, mas sabe-se que, em 2009, uma imobiliária o colocou à venda por 25 milhões de libras.

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.