Fats Domino Fats Domino e seu piano. Foto: Reprodução

Dois dos pianos mais importantes do rock eram resgatados há 20 anos

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Destruídos pelo Furacão Katrina, instrumentos do lendário Fats Domino foram expostos no Museu do Estado da Louisiana, nos EUA

Há exatos 20 anos, dia 15 de março de 2006, uma equipe de técnicos especializados do Museu Estadual da Louisiana entrava em uma casa inundada e coberta de mofo e lama para concluir o resgate de duas das peças mais importantes na história da música estadunidense. Dois pianos Steinway (um baby grand preto e um grand branco) usados pelo lendário Fats Domino por grande parte de sua vida jaziam sob os escombros da casa onde o músico morou, então inundada pelos efeitos do Furacão Katrina. Para se ter uma dimensão do estrago causado: a água subiu a cerca de incríveis três metros na rua em que Fats morava, e a equipe só conseguiu tirá-los de lá oito meses após a tragédia.

Fats Domino

Os pianos resgatados de Fats Domino. Foto: Reprodução

Domino e sua família entendiam a complexidade e o tamanho da desgraça que tomou Nova Orleans, epicentro da música negra dos Estados Unidos. O astro decidiu não abandonar seu lar, apegado à enorme coleção de discos de ouro e seus amados instrumentos. Foi dado como morto. Fãs chegaram a pixar “R.I.P. Fats”, em local próximo a onde morava. Uma foto que correu o mundo.

Dias mais tarde, a notícia de que ele, a esposa e a filha estavam bem trouxe alívio à comunidade da música. Eles haviam sido resgatados da varanda do segundo andar por um barco dos bombeiros. Como a área toda ficou incomunicável por dias, a família Domino não conseguiu avisar os parentes. Tentar “cavalgar o furacão”, como o próprio músico disse a seu agente um dia antes da tragédia, enquanto tentavam persuadí-lo a deixar sua casa, não resolveu muito. O artista perdeu tudo. Seus pianos foram soterrados. Mas não esquecidos.

Convertidos em peças do sistema do Museu Estadual da Louisiana, ambos foram tratados de formas diferentes, por ideia dos curadores. O Steinway grand branco, hoje exposto no New Orleans Jazz Museum, passou por um processo de restauração meticuloso que durou anos e custou cerca de 30 mil dólares. O projeto recebeu doações significativas, incluindo de nomes como Paul McCartney e do ex-produtor musical Allan Slaight, que deu uma generosa contribuição de 18 mil dólares.

Já o instrumento de cauda preto foi deixado como estava para integrar o The Presbytère, também em Nova Orleans, na exposição permanente Living with Hurricanes: Katrina and Beyond, dedicada à memória e aos impactos do Furacão Katrina, para contar toda a a história e a potência do desastre que assolou a cidade. A icônica joia da música foi encontrada de ponta cabeça, sem as pernas e com várias teclas faltando.

Fats Domino viveu para ver seus pianos expostos em museus, mas nos deixou pouco mais de dez anos depois da tragédia. O lendário cantor, compositor e pianista de rock and roll e R&B faleceu em 24 de outubro de 2017, aos 89 anos, em sua casa em Harvey, Louisiana, devido a causas naturais.

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.