Foto: Eva Schramm/ReproduçãoOf Monsters and Men e o sucesso silencioso
Edição: Flávio Lerner
Banda islandesa de indie-folk volta ao Brasil depois de dez anos
Aproveitando a confirmação de sua apresentação no festival chileno Fauna Primavera, Of Monsters and Men anunciou show em São Paulo (Audio), dia 26 de novembro. Vendeu todos os ingressos rapidinho, e a produtora Balaclava já avisa que haverá uma data extra, dia 25, com lista de espera para nova carga de ingressos. A banda islandesa traz ao país, pela primeira vez em dez anos, o indie-folk nórdico que tanto encanta o público paulistano, o que explica o sucesso do retorno.

Atualmente com quatro álbuns lançados (o mais recente em 2025, All Is Love and Pain in the Mouse Parade), o grupo surgiu em 2010, de maneira curiosa. A guitarrista e vocalista Nanna Bryndís Hilmarsdóttir já cultivava uma carreira solo, passarinhando com o nome de Songbird.
A garota foi convidada para participar de um concurso anual de música chamado Músíktilraunir e pensou: “acho melhor tocar com uma banda”. Convidou os amigos Brynjar Leifsson, Ragnar Þórhallsson e Arnar Rósenkranz Hilmarsson para rechear o palco. Bingo, levaram o primeiro lugar.
A exposição rendeu um convite para seu primeiro festival, o Iceland Airwaves. Nanna repetiu a fórmula e ainda resolveu chamar mais dois integrantes para o rolê, Árni Guðjónsson e Kristján Páll Kristjánsson. A ideia era engordar mais o som no primeiro grande palco da turma. Nascia oficialmente o Of Monsters and Men.
O próximo passo foi gravar, do quarto da casa de Ragnar, uma música para conceituada rádio de Seattle, KEXP. Little Talks chamou bastante atenção dos Estados Unidos em uma época em que todo mundo estava ouvindo o mesmo tipo de som que o grupo fazia, cheio de gaitas, sanfonas, em grupos como Beirut e Mumford & Sons.
Saquem só a ascendência constante da turminha que a Nanna reuniu. Comeraçam ganhando concurso de bandas. Dali para um grande festival. Dali para uma grande rádio estadunidense. Dali para um contrato com gravadora para lançar o álbum de estreia My Head Is an Animal (tudo em apenas um ano de existência). E então… o mundo.
Of Monsters and Men virou o grupo queridinho dos festivais alternativos. Somente em 2012, a banda gabaritou Newport, Reading e Leeds, chegando ao Lollapalooza (inclusive o brasileiro, em 2013 e 2016). Em 2013, foram incluídas no time de uma das mais belas trilhas sonoras de todos os tempos, do filme A Vida Secreta de Walter Mitty, dirigido por Ben Stiller.
Muito bom para ser verdade? Não. Nanna e seu grupo construíram uma carreira tão sólida quanto os icebergs vizinhos da gélida ilha. Sem treta, sem overdoses, sem escândalos, só música. Após a explosão de fãs pelo mundo, Of Monsters and Men seguiu fazendo seu trabalho metodicamente, como o tio que todos os dias sai para pescar atum. Esse é o novo espírito do rock’n’roll. Pelo menos, lá na friolândia.



