Baxter Dury Foto: Reprodução

Baxter Dury: “Meu show é montado para entreter”

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Edição: Flávio Lerner


Jota Wagner conversa com o cantor e compositor britânico, que promete um show acelerado no C6 Fest

Uma das atrações mais aguardadas do C6 Fest 2026, Baxter Dury conversou com o Music Non Stop de um hotel no Rio de Janeiro. Filho do ídolo punk Ian Dury, que lhe rendeu um livro de memórias sobre a infância atribulada, Baxter não se considera um nepo baby.

“Não há evidência nenhuma de que o berço traz qualidade”, nos contou em uma conversa que também falou sobre seu mais recente álbum, o  “raver” Allberoni, e muito do que se pode esperar de sua primeira apresentação em terras brasileiras, dia 23 de maio.

Jota Wagner: Quando você começa a escrever uma música, pensa em como ela vai soar no palco?

Baxter Dury: Mais ou menos… Não é bom você se preocupar muito com isso, porque você não quer obstruir o progresso de uma música, considerando se ela irá fazer sucesso. Então, se a gente considerar que ela ainda está nascendo, é melhor se deixar levar. Você pode começar levando isso em conta e depois assassinar o conceito original. No momento da inspiração, é melhor se levar por aquela sequência abstrata de pensamentos. Mas às vezes rola uma combinação dessas duas coisas, sim.

Eu pergunto porque Allberoni, seu mais recente álbum, é bem dançante…

Pois é. Nesse caso eu estava mesmo pensando que deveríamos fazer um álbum dançante. Ou até mesmo deixá-lo mais interessante para a audiência, soando mais como uma rave. É bom lembrar que eu precisei da opinião de várias pessoas próximas para chegar nisso…

É a primeira vez que você toca em São Paulo, e são quase dez álbuns até agora. Como você define um setlist, nesse caso?

Olha, é montado para entreter. Não escolho as músicas pela sua popularidade. Isso faz com que mesmo as pessoas que estão acostumadas a me ouvir encontrem um show diferente.

Eu não sou obcecado por nenhum momento particular da minha carreira, mas oriento meu show mais pela velocidade da música, de ser um entretenimento interessante. Isso sacrifica algumas músicas mais lentas, que podem derrubar a atmosfera. Não dá para casar esses dois tipos de música em uma só apresentação.  É mais sobre como eu vou me divertir também e como entreter as pessoas de forma mais eficiente. Saibam que as músicas mais lentas da minha carreira não existem no meu show.

Existem as músicas que um artista gosta de tocar, que podem ser bem diferentes das que o público quer ouvir…

Eu penso mais no fator entretenimento mesmo. Penso nas pessoas que vão estar assistindo. Não estou me mimando, mas fazendo o que é mais eficaz em termos de valor de entretenimento. A audiência em primeiro lugar. Senão, você cria uma relação bastante constrangedora com o público, servindo só aos próprios desejos. Você vira um amante egoísta.

Como é que você se sente viajando tão longe para tocar pela primeira vez para um público que não conhece?

É um sentimento diferente, mas acho que a única solução é ser eu mesmo. Eu não conheço a audiência brasileira bem o suficiente para moldar uma performance para ela. Então, a melhor coisa a fazer é tentar dar o meu melhor.

Você cresceu em uma casa de artistas. Meus pais eram donos de uma pequena loja de móveis e eu sempre invejei uma adolescência como sua. E você, alguma vez invejou uma adolescência, digamos, “normal”?

Cara, eu não acho que tão diferente assim, sabe? Ultimamente, eu passei a pensar que crescer em um ambiente muito rico culturamente pode ser intimidador. Pais muito confiantes, bem-sucedidos na arte podem gerar o efeito oposto em seus filhos. Isso acontece em 99% dos casos. Os nepo babies são responsável por uma verdadeira indústria. Uma indústria muito fraca, por sinal.

É a mesma coisa das crianças muito ricas que se tornam adultos inúteis. Não há evidência nenhuma de que o berço traz qualidade.

E tem o lance dos relacionamentos. Eu acho que depende da “temperatura” de uma casa. Muitas vezes, são egos demais para uma criança ter de lidar. Acho que eu dei muita sorte em crescer relativamente equilibrado.

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Serviço

C6 Fest 2026

Datas: 21 a 24 de maio de 2026 (quinta a domingo)
Local: Parque Ibirapuera – São Paulo/SP
Lineup completo: Veja aqui
Ingressos: Sujeitos a disponibilidade de lote via Eventim

Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.