Prince NPG Music Club Foto: Reprodução

Há 25 anos, Prince lançava o 1º serviço de streaming musical da história

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Dia 14 de fevereiro de 2001, surgia o NPG Music Club — uma plataforma que não chegou a vingar, mas não deixou de ser visionária

Há 25 anos, uma novidade aparecia no novo mundo da internet. Em 2001, quando mesmo nos Estados Unidos o uso da rede ainda se dava pela morosa internet discada (um modem fazia uma ligação para a operadora, que enviava e recebia dados usando o serviço de voz), Prince inaugurava um serviço muito parecido com as plataformas de streaming de hoje em dia. Uma tentativa fracassada, mas sensacional e visionária.

Pagando pouco menos de oito dólares por mês, o fã tinha acesso ao NPG Music Club, um site que lhe dava acesso a um espécie de clube privado do artista. Fotos exclusivas, cartazes, compras com desconto para shows e até campanhas para conhecer o ídolo após os concertos (o famigerado meet & greet). E ia além.

Com o NPG player, a promessa era de que os assinantes poderiam ouvir as músicas do músico, incluindo versões exclusivas, só disponíveis ali. Ele chegou a lançar dois discos exclusivamente pela plataforma, The Rainbow Children e XpectationA ideia do cantor e multi-instrumentista era abolir as gravadoras e lidar diretamente com os fãs.

Graças à internet capenga da época, o primeiro serviço de streaming da história da música não deu muito certo. O player dava pau o tempo todo e acabou sendo substituído por uma página de downloads. Mas ele existiu. E Prince foi o responsável, chegando a ganhar um Prêmio Webby de tecnologia por seu projeto visionário de streaming musical.

NPG Music Club, do Prince

Imagem: Prince Online Museum/Reprodução

E antes que nossos atentos e amados leitores nos espetem nas redes sociais com a denúncia: “aaaah, mas e a Bowienet, do David Bowie, em 1998?”, antecipadamente, defendemo-nos: o clubinho Bowienet, também sensacional e visionário, não vinha com o player de música.

Então, é Prince na cabeça, sim senhor! Em um momento romântico em que se acreditava na revolução possível da internet pré-big techs, sua tentativa acabou se frustrando em 2006, quando o astro decidiu fechar a lojinha, alegando que o NPG Music Club “não foi tão longe quanto deveria”.

Escrevendo sobre 25 anos depois, com o distanciamento do tempo, dá para cravar que se ele tivesse um pouquinho mais de paciência e insistisse no projeto, a história do mercado da música teria sido bem diferente.

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.