Stranger Things Imagem: Reprodução

Músicas que voltaram a bombar graças ao fim de “Stranger Things”

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Hits dos anos 80 e clássico do nu metal que sequer está na série explodiram nas plataformas depois do último episódio

Que a bombada série Stranger Things, agora em sua derradeira temporada após dez anos de sucesso em um total de cinco partes com cerca de oito episódios cada, é celebre em “reviver” hits musicais antigos, especialmente das décadas de 70 e 80, não é novidade para os fãs. Até já te contamos essa história aqui no Music Non Stop. No entanto, o último episódio da série, lançado em 31 de dezembro, surpreendeu tanto na quantidade de clássicos revisitados, quanto na qualidade da trilha sonora escolhida por seus produtores.

A iniciativa é um negócio do tipo “todo mundo ganha”. A série se engradece com obras primas da música pop, algumas já meio esquecidinhas pelo grande público, e as novas gerações ganham a chance de apaixonar por canções que foram lançadas antes mesmo de elas terem nascido. E quando a estética da música, ou sua letra, encaixam certinho com a emoção da cena rodada, pode cravar: as buscas pelo artista ou a música no mundo digital explode.

Foi o que aconteceu, por exemplo, com É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo, de Erasmo Carlos, incluída em uma das tomadas mais importantes do nosso grande filme Ainda Estou Aqui, de 2024. Quando o vencedor do Oscar de “Melhor Filme Estrangeiro” começou a bombar internacionalmente, a canção se tornou uma das músicas brasileiras mais procuradas no mundo, no aplicativo Shazam.

Para alegria de alguns artistas, ou seus herdeiros, vários clássicos do pop e do rock mundial foram alvo do mesmo efeito, com o lançamento do episódio final de Stranger Things.

David Bowie – Heroes

Tudo bem, tudo bem. Impossível dizer que Heroes, clássico mór de David Bowie, estava no baú do esquecimento. Até porque a canção, de arranjo épico e o verso motivacional indispensável “we can be heroes, just for one day”, serve como uma luva a milhares de cenas do cinema. Lançada em 1977, a faixa já foi usada em filmes que vão do sombrio Cristiane F ao drama cômico Jo Jo Rabbit, além da série de animação Os Simpsons.

No caso, Heroes foi usada na cena final de Stranger Things. Impossível errar. Segundo dados da Luminate, o uso da faixa, indicada pelo ator Jon Keere, rendeu a ela um aumento de quase 500% nas plataformas de streaming.

Prince – When Doves Cry e Purple Rain

Muita gente acha que When Doves Cry e Purple Rain são as duas melhores canções da discografia do genial Prince. Parece que os Irmãos Duffer, criadores da série, concordam. Tanto que escolheram as duas para o episódio final. Assim como Heroes, Purple Rain também tem um arranjo épico, cheio de crescimentos explosivos em seu arranjo. Deu match. E bombou.

Segundo a Variety, o catálogo do astro do pop teve um aumento de 190% de plays no Spotify global depois do lançamento do último episódio da série, sem contar o crescimento de 577% nos streams feitos pela turma da Geração Z.

Curioso é que, em vida, Prince odiava licenciar suas músicas para o cinema. A série da Netflix foi uma das únicas a conseguir botar uma música do cara em sua trilha sonora. A única aparição anterior da canção em uma obra cinematográfica foi justamente em Purple Rain, filme estrelado e produzido pelo próprio músico, que o rendeu um Oscar de “Melhor Canção Original” em 1984.

Linkin Park – In The End

Aqui um caso curioso. Lançada em 2000, In The End não está na trilha sonora de Stranger Things. Entretanto, segundo o Tenho Mais Discos Que Amigos, muitos fãs notaram semelhanças entre o clipe de um dos maiores clássicos do Linkin Park e cenas do último episódio da produção da Netflix. O resultado? A música subiu 46 posições nos charts globais do Spotify (chegando ao 105º lugar), e o seu vídeo oficial ganhou cerca de 400 mil visualizações a mais no dia 1º de janeiro.

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.