IAO: novo projeto de Paula Chalup e Lucas Parisi sai pelo selo D.O.C. e você precisa ouvir

Claudia Assef
Por Claudia Assef

FOTOS JOICE MENDES

A DJ Paula Chalup é uma das cabeças mais inquietas da música eletrônica nacional. Além de seu trabalho solo, que começou em terreno sagrado, o Hell’s Club, ela vira e mexe inventa parcerias que resultam em sons incríveis, como já contamos nesta matéria. Foi assim com o VCO Rox, com Dudu Marote, com o 2Attack, ao lado de Mau Mau, e agora com o IAO, palavra que vem da língua ioruba e significa “iniciado”, projeto que divide com Lucas Parisi e que acaba de ganhar lançamento mundial em vinil e nos formatos digitais pelo selo D.O.C. Records.

O EP The One and Only é o primeiro lançamento em vinil do selo este ano e já está nos cases dos mais atentos. Não é à toa. O som é uma viagem techno com profundidade, remete à introspeção com seus sons etéreos, mas que também chamam pra pista de dança.

Integrante da Orqestra de Laptops de São Paulo (assim mesmo, sem “u”), projeto de música eletrônica experimental que já se apresentou na Virada Cultural, entre outros festivais, Lucas Parisi traz na bagagem sua experiência como baterista, instrumento que começou a tocar aos 14 anos. Suas produções são fruto de pesquisa de compositores como Stockhausen e John Cage, sempre experimentando com novos timbres e texturas.

O som desta nova dupla deixou a gente bem a fim de conhecer mais sobre o projeto. Desculpa perfeita pra fazermos um perfil do IAO aqui na coluna #MillerMusic. Dá o play na faixa Blank Canvas, que em breve ganhará remix de L_cio, e parta pra leitura da entrevista.

Music Non Stop – Como rolou o início da parceria como o IAO?

Lucas e Paula – Nos conhecemos através de um DJ amigo em comum que iria fazer a ponte para iniciarmos um projeto de produção. Como o projeto acabou não decolando, resolvemos testar a afinidade musical com um projeto juntos. O conceito fluiu naturalmente, era algo que ambos já desejavam fazer.

Music Non Stop – Paula, você é uma produtora que adora fazer parcerias com amigos. Já teve com Mau Mau, Dudu Marote… com quem mais gostaria de trabalhar?

Paula – Eu gosto mesmo, mas não é tão fácil assim produzir com amigos ou com qualquer pessoa. Tem que rolar uma puta afinidade. Com o Mau a gente continua com a nossa parceria 2Attack e sempre tivemos afinidade em tudo. Com o Dudu estamos dando um tempo por motivos maiores, mas tudo que aprendi com ele me fez hoje uma produtora mais completa. O Lucas é um grande amigos e nossa conexão vai muito além. Isso resultou nesse trabalho tão especial que estamos desenvolvendo. Sempre tive vontade e curiosidade de trabalhar com o Gui [Boratto], com quem estamos tendo o prazer de trabalhar… Desejos atendidos (rs).

Music Non Stop – Por que escolheram uma palavra do yorubá pra dar nome ao projeto?

Lucas e Paula – Iaô em yorubá significa iniciado. Ser iniciado é enxergar tudo o que se vivencia através de um prisma. Queremos vivenciar a música eletrônica fazendo interface com as raízes da música negra do nosso país.

Music Non Stop – O que significa pra vcs fazer parte do selo D.O.C.?

Lucas e Paula – Significa fazer parte de uma família musical onde temos liberdade total para criarmos e moldarmos nossa identidade sonora, além do apoio de outros artistas com bastante estrada e ter a opinião do “maestro” Gui Boratto.

Music Non Stop – Lucas, teremos a chance de ver mais vezes a Orqestra de Laptops?

Lucas e Paula – A Orqestra era um projeto de um professor meu na época da universidade, não sei se veremos mais daquele formato no futuro. Mas continuo trazendo sempre novas metodologias de composição e de produção que remetem àquele formato.

Music Non Stop – Paula, no fim de semana vimos um episódio incomum em coberturas de festivais, a apresentadora Titi Müller falando sobre o machismo das letras do Borgore. Você, que vive há anos inserida num universo ainda dominado pelos homens, como enxerga essa questão? Ainda é muito pesado o machismo na música eletrônica?

Paula – Isso que a Titi fez jamais aconteceria se nós não estivéssemos nesse momento de luta contra esse machismo absurdo é tão claro na música eletrônica. Eu já passei por muitos momentos em que abrir para um DJ como Richie Hawtin era o que todo mundo queria… e eu, uma mulher, nessa posição, entre outras coisas que já aconteceram, ficava sabendo de rodinhas de DJs torcendo pra me ver sambar. Ainda passo por coisas assim, sim. Mas eu, por ter sorte, por outro lado sempre tive os grandes DJs me apoiando e acreditando no meu potencial. Então, existe muito esse machismo, mas não dá pra generalizar.

Music Non Stop – O som de vocês dá um belo passeio por diversos gêneros e é bem sofisticado. Citem algumas referências que levaram pro estúdio?

Lucas e Paula – Nossa bagagem musical é igualmente vasta e diversa. Quando vamos para o estúdio, de um loop podemos desenvolver uma idéia e uma jornada em função daquela unidade musical ‘atômica’. Neste momento nossa preocupação é dar vida a essa personalidade sônica que é o IAO, mas continuar sendo o mais diverso e versátil possível. Então trazemos de tudo, seja uma guitarra do Metallica, um loop de candomblé, ou alguma pérola do repertório da Paula que reciclamos e incorporamos como uma camada do nosso som.

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