Hideki Amano Foto antiga de Ken Ishii e Hideki Amano. Reprodução/Instagram

Quem foi Hideki Amano, pioneiro do techno no Japão

Jota Wagner
Por Jota Wagner

DJ japonês foi um dos criadores da Musicmine Inc., primeira gravadora do país voltada ao estilo musical

Em 1994, o Japão já havia se apaixonado por techno em seus corredores underground. DJs como Ken Ishii e Susumu Yokota, ainda começando um carreira que os tornaria gigantes, lançavam suas produções por selos internacionais. Em Tóquio, os japoneses dançavam ao som de seus primeiros artistas dedicados ao estilo, no clube Maniac Love. Um dos caras que rodavam discos por ali era Hideki Amano, que nos deixou dia 15 de janeiro, aos 63 anos (o comunicado só foi feito no último dia 13).

A história de Amano, no entanto, é muito maior do que a que o fez um DJ pioneiro no Japão. Foi dele a ideia de fundar a primeira gravadora de techno da história do país, ávido por lançar os produtores locais. Ao lado de outro disc-jóquei, o DJ Yama, criaram a Musicmine Inc., que logo formaria um grupo de subselos seminais para a história da música eletrônica japonesa, como a Sublime Records, Less Than TV, Maryjoy Recordings e Hot-Cha.

Uma nova cena, uma nova música, produtores loucos por soltar sua música e uma cena pipocante de festas. Hideki estava na hora certa, no lugar certo e, o mais importante, teve a atitude para executar seu plano. Era considerado com um dos principais alicerces do cenário japonês, ajudando a revelar uma turma de produtores que começou a carreira em um de seus selos. Somando tudo, foi responsável por mais de mil lançamentos sob o guarda chuva da Musicmine.

Na década de 90, tocar um selo independente era uma tarefa romântica, muito diferente dos dias de hoje. Em uma cena eferscente, DJs precisavam de novos discos, o tempo todo. Com o mercado de CDs em alta, as fábricas de vinil estavam às moscas. Prensar era rápido, barato e superunderground. O lance era encontrar bons produtores, mandar para a fábrica e distribuir para o mundo todo pelo correio — um movimento muito similar ao que acontecia com os fanzines e as fitas demo em cassete, na década anterior.

Bandas japonesas
Você também vai gostar de ler 10 bandas japonesas que você precisa conhecer

Aos poucos, cada cidade foi vendo nascer seus “selos locais”, gravadoras feitas por e para os produtores e DJs que rodavam pelos seus clubes e festas. Em Tóquio, a missão ficou para Hideki Amano, DJ Yama e sua Musicmine Inc. Ken Ishii, que começou na Sublime Records, chegou a vender 200 mil cópias por todo o mundo. Ele mesmo fala sobre o ex-chefe, em postagem de despedida:

“Um irmão, um parceiro, um companheiro que compartilhou os bons tempos do techno e um amigo para toda a vida. Conhecê-lo foi uma das maiores coisas da minha vida, Amano san! Descanse em paz”.

+ Participe do canal de WhatsApp do Music Non Stop para conferir todas as notícias em primeira mão e receber conteúdos exclusivos

+ Siga o Music Non Stop no Instagram para ficar atualizado sobre as novidades do mundo da música e da cultura

Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.