Anime clássico de Akira Toriyama completa 40 anos neste 26 de fevereiro. Imagem: ReproduçãoHá 40 anos, “Dragon Ball” estreava na TV para redefinir a cultura pop
Anime lançado na televisão japonesa em 26 de fevereiro de 1986 é até hoje uma peça fundamental da economia nipônica
Por Flávio Lerner e Jota Wagner
Nesta quinta-feira, 26, completaram-se 40 anos da estreia de Dragon Ball na televisão, pouco mais de um ano depois do início da publicação do mangá nas páginas da Weekly Shōnen Jump, em novembro de 1984.
Criado por Akira Toriyama (1955–2024), o anime conta a história de Goku, inspirado no personagem Sun Wukong, o Rei Macaco do clássico chinês Jornada ao Oeste. O que começou como uma releitura leve e bem-humorada de uma lenda oriental acabaria se transformando em um dos pilares da cultura pop global e da economia nipônica. Desde então, nunca mais saiu do imaginário coletivo. Tornou-se um sucesso geracional, atravessando décadas, públicos e formatos — da televisão aberta aos cinemas, dos mangás aos videogames, dos brinquedos às camisetas.
Quatro décadas após sua chegada à TV, Dragon Ball segue em plena forma econômica. A febre em torno da franquia é tão grande que ela é considerada o principal motor da indústria de entretenimento japonesa. Redefiniu o shōnen moderno (mangás voltados para o público adolescente masculino) e inspirou todo um movimento cultural, ecoando em séries como Naruto, One Piece, Bleach, My Hero Academia e Jujutsu Kaisen — mangás/animes que dialogam, cada um à sua maneira, com a gramática narrativa e estética popularizada pelas mãos de Toriyama. E o mais curioso é que tudo isso foi criado, digamos, despretenciosamente.
O próprio Akira já afirmou em entrevistas que nunca planejou nada do que aconteceu a seu personagem. Sequer pensou-o como uma saga (depois do anime clássico, vieram Dragon Ball Z, Dragon Ball GT — considerado não canônico, já que não foi escrito pelo autor —, Dragon Ball Super e o novíssimo Dragon Ball Daima); a história foi sendo construída semana a semana, reagindo ao retorno dos leitores e às demandas editoriais.

Com o sucesso consolidado, Akira Toriyama passou a se envolver de forma mais pontual em projetos derivados, contribuindo com conceitos, personagens e supervisão criativa, enquanto estúdios e editoras expandiam o universo que ele havia criado despretensiosamente. Assim, meio sem querer, o homem, que faleceu aos 68 anos em março de 2024, criou a maior máquina impressora de ienes da história do entretenimento japonês.
No Brasil, a estreia aconteceu depois de mais de dez anos após seu lançamento no Japão, em agosto de 1996, no SBT — e, assim como em diversas outras nações, é uma febre que não passa. Com uma dublagem em português lendária, transformou dubladores como Wendel Bezerra (Goku adulto) em um verdadeiro rockstar. Nos cinemas, por exemplo, Dragon Ball Super: Broly (2018) levou mais de um milhão de espectadores às salas brasileiras, consolidando-se como um dos maiores sucessos japoneses da história no país.
40 anos depois, Dragon Ball sobreviveu ao tempo, à morte de seu criador, às trocas geracionais e a diversos outros concorrentes que apareceram depois e, na verdade, só ajudaram ao cenário cultural a que pertence. Parece que os jovens precisam de heróis que estão sempre superando seus limites — assim como a indústria japonesa precisa que essa máquina continue girando eternamente.



