
“Back to the Beginning”: a última missa do Black Sabbath?
Uma crônica sobre o retorno final da banda que não teme a morte
Bem no comecinho da história da MTV Brasil — ou seja, lá por volta de novembro de 1990 —, dois simples videoclipes exibidos na programação da jovem emissora me conquistaram imediatamente: Highway Star (lançado pelo Deep Purple em Machine Head) e Paranoid, do segundo LP do Black Sabbath.
Nem ouso discutir que esses petardos psicodélicos saídos do ninho do primal heavy metal britânico deram as cartas para gerar filhotes não menos bombásticos, incluindo as duas maiores forças existentes na atualidade, Iron Maiden e Metallica.
O sentimento de nostalgia por essas bandas bateu forte nesses dias, por dois incríveis fatores: um vídeo postado pelo ex-MTV Gastão Moreira em seu ótimo canal KazaGastão, onde o genial apresentador e expert revela as mais de 32 mil fitas de arquivo do extinto canal, e o mais evidente: o (novo) retorno do Black Sabbath, ainda que John Michael — o nosso eterno living dead Ozzy Osbourne — não esteja no melhor de sua forma.
Aos 76 anos, Ozzy parece longe de desistir de abdicar do título de Príncipe das Trevas, apesar de seu estado de saúde preocupar bastante familiares e fãs. Ele não precisava ser o mesmo do clipe Paranoid, de 1970, quando tinha meros 22 anos, para encarar a irônica turnê Back to the Beginning, que indica uma volta aos primórdios e ao mesmo tempo deve sacramentar o deadline para os shows do grupo. O problema é que o filho de Birmingham, Inglaterra, está bem distante de ser o cantor da The End Tour (2016-2017), e mais ainda da jornada anterior que promoveu o LP 13 (2013).
O motivo de sua decadência é totalmente ligado à saúde. Diagnosticado com mal de Parkinson em 2019, a doença neurológica tem se agravado nos últimos meses — fator que, de forma quase inacreditável, não impediu Ozzy de trabalhar. Seu último (e excelente) disco, a propósito, foi Patient Number 9 (2022), produzido por Andrew Watt — o nome do momento, e homem por trás do maravilhoso Hackney Diamonds (2023), dos Rolling Stones.
Black Sabbath – Back to the Beginning e Back to the Future?
A longa introdução, regada com vinho e pitadas de nostalgia, é apenas uma alegoria para abrir o apetite dos mais religiosos seguidores do Sabbath, e daqueles que nunca tiveram a chance de conferir a formação original que atuou entre 1968 e 1979 como arautos da missa negra elétrica do grupo. Além do Ozzy nos vocais, será (provavelmente) a oportunidade de idolatrar Tony Iommi (guitarra), Geezer Butler (baixo) e Bill Ward (bateria) como os Quatro Cavaleiros do Apocalipse do Rock.
A Back to the Beginning já seria épica pelo momento histórico de ter o Black Sabbath original na ativa, mas tem muito mais. Já estão confirmados na festa macabra os “filhos adotivos” e herdeiros de seu legado. Entre eles, Slayer, Lamb of God, Metallica, Anthrax, Guns N’ Roses, Billy Corgan e Sammy Hagar.

A data única da turnê — anote aí a movie trivia — será 05 de julho de 2025 no estádio do Aston Villa, o Villa Park, em Birmingham. Há 40 anos, um filme chamado Back to the Future estreou mundialmente apenas dois dias antes. Seria mera coincidência?