A pista do 74 Hall, em Istambul, Turquia. Foto: Reprodução/InstagramClube turco de techno causa polêmica ao proibir roupas coloridas
Agora, para entrar no 74 Hall, em Istambul, só usando roupas escuras — pretas, de preferência
O clube de techno 74 Hall, de Istambul, na Turquia, resolveu proibir a entrada de pessoas usando roupas coloridas. “Pessoas com roupas com cores vivas (incluindo branco, creme, amarelo, vermelho, rosa, turqueza, etc.) não serão aceitas sob nenhuma circunstância. Essa regra é permanente. Convidados devem usar roupas escuras, predominantemente preto, e que se alinham com a cultura techno/raver”, decretaram em publicação feita no Facebook.
Que tal “cultura raver” é essa que os donos da casa conhecem, só se explica em um universo paralelo. Afinal, nesse aqui em que a gente vive, as roupas usadas na aurora do movimento raver, embalados pela cultura psicodélica, eram extremamente coloridas. Mas o ponto principal da nossa conversa aqui é: essa gente não tem nada mais importante para se preocupar?
A paranoia estética do clube é justificada no comunicado que postou na rede social, com mandatórios como “rave é cultura, não estilo”, “respeitar a cultura techno e raver” e “manter a integridade do ambiente criado em nosso espaço”. É bem possível que a Turquia esteja sediando o primeiro caso de transtorno obsessivo compulsivo empresarial da história. Ou, por outro lado, os frequentadores locais e turistas que estavam indo ao 74 Hall exageraram tanto na cafonisse que obrigaram seus donos a tomar tal medida extrema.
O público, claro, fez da postagem a vidraça perfeita para a chuva de pedras virtuais, com argumentos bem mais razoáveis do que a iniciativa da casa noturna. Os fundamentos da cultura eletrônica são justamente a liberdade, a possibilidade de se expressar como realmente quer, na forma de dançar, de se vestir e de se ver.

As “door policies”, por sua vez, são bem anteriores ao nascimento desse movimento cultural chamado “techno/rave”. Se popularizaram na era da disco music, quando anfitriões escolhiam quem entrava ou não em suas festas, com justificativas que iam desde preservar a privacidade de quem estava lá dentro até garantir somente a presença de “gente bonita”.
Com o advento da cultura eletrônica, alguns clubes resolveram aplicar a door policy em seus eventos. O caso mais notório é do berlinense Berghain, cujas premissas não são específicas como no 74 Hall. Quem espera por horas na fila não sabe se vai conseguir entrar ou não. Em Istambul, pelo menos, a regra é clara!



