Bad Bunny Foto: Divulgação

O soft power de Bad Bunny: astro faz crescer interesse pelo espanhol nos EUA e na China

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Prestes a se apresentar no intervalo do Super Bowl, ídolo porto-riquenho vem aumentando o interesse global pelo seu idioma nativo

Precisamos de 70 anos para dar o troco, mas aconteceu. Estrela do show do intervalo do Super Bowl 2026, que rola neste domingo (08), Bad Bunny está pegando a caravela no sentido contrário e fazendo com que a a América Latina leve a sua cultura a todo o mundo, provocando um corre-corre atrás de cursos de língua espanhola. Dá-lhe soft power anticolonizador.

Com o final da Segunda Guerra Mundial, no meio dos anos 40, os Estados Unidos desenharam uma estratégia clara: espalhar música e cinema para todos os continentes. Deu muito certo, a ponto de, nos anos 80, a língua inglesa ser considerada “o idioma oficial do mundo, por convenção” (foi assim que aprendi na escola). E muitos jovens, como eu, aprenderam inglês lendo encartes de capas de disco dos artistas que amavam.

Benito Antonio Martinez Ocasio, o Bad Bunny, começou 2026 onipresente. Além de arrasar no Grammy, levando os principais prêmios e detonando o ICE para milhões de espectadores, o rapper (ou trapper, ou reggaetoner, você escolhe) é o convidado especial da final do campeonato de futebol americano dos Estados Unidos, historicamente a maior audiência televisiva do ano. Uma exposição única. Ele é o primeiro artista da história do Super Bowl que canta majoritariamente em espanhol.

Na condição de estrela mais bombada do momento, para que um fã cante junto as músicas de seu ídolo máximo, é preciso… saber espanhol, não é? Um desafio incomum para fãs, tanto dos Estados Unidos quanto do resto do mundo culturalmente colonizado. Segundo o Wall Street Journal, jovens estão se virando para aprender o idioma às pressas para cantar junto com Bad Bunny no domingo.

Bad Bunny

A corujinha do Duolingo “badbunnyzada”. Imagem: Reprodução

Aproveitando — e avalizando — o movimento causado pelo sucesso do artista, o maior aplicativo de ensino de línguas do planeta (em número de usuários) também aproveitou a onda. O Duolingo vestiu seu mascote, uma corujinha, com as roupas de Bad Bunny até o Super Bowl. A plataforma também dedicou conteúdos exclusivos a quem quer está na corrida para entender tudo o que o astro vai cantar no intervalo do jogo.

E se você pensa que o movimento se resume ao lado norte do continente americano, está enganado. Uma corrida atrás do idioma também está acontecendo na China, onde o astro é igualmente gigante. Segundo a NBC News, ele se tornou uma ponte cultural entre o imenso país e a cultura latino-americana. Jovens usam seus videoclipes e músicas nas plataformas de streaming para compreender espanhol.

Os números divulgados pelo Instituto Cervantes, mantido pelo governo da Espanha e dedicado à promover a cultura do país pelo mundo, confirmam o aumento constante da procura pelo aprendizado. O salto gigantesco do gráfico rolou em 2020, momento em que todos estavam em casa, por causa da pandemia. No entanto, mesmo com o fim do lockdown, o crescimento não parou mais.

Aprendizes de lingua espanhola - Instituto Cervantes - Bad Bunny

Crescimento do número de aprendizes da língua espanhola no mundo entre 2010 e 2025. Gráfico feito pelo ChatGPT com base nos dados do Instituto Cervantes

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Inverter a mão do fluxo de influência cultural histórico não é fácil. E é o máximo. ¡Qué bien lo hiciste, broki!

Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.