Imagem: ReproduçãoAs 5 facetas de Björk para além da música
Edição: Flávio Lerner
Esqueça a Barbie — nossa islandesa predileta tem muito mais faces
Orgulho nacional da Islândia, Björk acaba de ganhar uma baita exposição em Reykjavík, capital da Islândia, no museu The National Gallery of Iceland, com abertura no último sábado (30). Chamada echolalia, a mostra, em cartaz até o dia 19 de setembro, é formada por três instalações audiovisuais, incluindo uma com uma música inédita, especulada para estar em seu próximo álbum.

Outra parte traz uma homenagem à sua mãe, com manuscritos da artista e uma sala interativa com duas músicas compostas em homenagem à matriarca, Ancestress e Sorrowful Soil, ambas lançadas em seu álbum de 2022, Fossora.
“Meu papel na exposição foi o de diretora criativa, trazendo minha tradição de compositora, pela qual transmito emoções dentro da estrutura de uma canção. Cuidar da paleta de cores, texturas e os ambientes em que minha música sempre aconteceu”, contou em comunicado oficial à imprensa.
No palco, nos videoclipes e até mesmo na vida, Björk é uma espécie de museu ambulante, tamanho cuidado com as intercessões artísticas em sua obra. Essa não é a primeira, tampouco será a última exposição que explora sua carreira. Mas é claro que, ao contar com a própria “diretora criativa” metendo a mão na massa, e por rolar na capital de seu país, torna-se mais do que especial.

Incansável, Björk passeia pelo mundo como quem caminha em seu bairro. Natural. Todos conhecem seu lado de cantora inventiva, com shows-conceito. Esqueça a Barbie. Nossa islandesa predileta tem muito mais faces.
Björk paleontóloga
Em 2024, Björk criou a Nature Manifesto em Paris, uma exposição audiovisual e imersiva ao lado do artista francês Aleph, recriando animais extintos no planeta. A lista não é pequena. Nos últimos 30 anos, a humanidade já viu sumir da existência animais como a tartaruga gigante de Galápagos, o rinoceronte-negro-do-oeste e o tigre-de-java, entre muitos outros. As ararinhas-azuis, protagonistas da animação Rio, da Disney, só estão vivas em cativeiro.
Björk produtora de rave

Foto: Reprodução
Além da festa Mánakvöld, que organiza na Islândia há anos trazendo amigos DJs para tocar sob a lua cheia, Björk aproveita a chegada de um raríssimo eclipse solar total visível, que não pintava no país desde 1954, para botar um em pé uma rave dedicada à celebração e observação do espetáculo astronômico. A festa também se chama Echolalia, e advinha quem discoteca no exato momento do eclipse, que terá uma duração total de aproximadamente duas horas? A própria chefa.

Björk ativista
Ao lado de Rosalía, a islandesa lançou o single Oral em 2023, cuja receita foi totalmente revertida para financiar organizações que lutam contra a pesca predatória de salmão na Finlândia, cada vez mais dominadas por corporações estrangeiras. A ideia era chamar a atenção para as pequenas comunidades de pescadores do país, em extinção.
Björk atriz de cinema
O cinema é a face mais visível de Björk fora da música. Sua estreia como protagonista em Dançando no Escuro (2000), de Lars von Trier, lhe rendeu o prêmio de “Melhor Atriz” em Cannes e traumas para o resto da vida (chegou a brigar com o diretor e abandonar as filmagens, posteriormente o denunciando por assédio sexual).
Ela também compôs o musical Selmasongs e mergulhou numa atuação tão intensa que quase a fez abandonar o cinema. Anos depois, retornou em Drawing Restraint 9 (2005), de Matthew Barney, um filme-arte sem diálogos lineares, em que a transformação dos corpos no navio baleeiro japonês dialoga com sua própria mitologia pessoal. Mais recentemente, em The Northman (2022), de Robert Eggers, apareceu como uma vidente eslava cega, trazendo uma presença telúrica e ancestral.
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Björk Vale do Silício
Quer dizer que agora o futuro é digital? Björk está dentro. Criado em parceria com a Apple, Biophilia, de 2011, foi o primeiro “álbum-app” da história, unindo música, jogos interativos, ensaios visuais e conceitos científicos (estrutura cristalina, DNA, vírus). Cada faixa ganhou um aplicativo educativo, usados até em escolas na Islândia e na Escandinávia.
Ela depois mergulhou na realidade virtual: com a exposição Björk Digital, que passou inclusive pelo Brasil, apresentou vídeo-instalações em realidade virtual de seis faixas do álbum Vulnicura (2015) — Stonemilker, Black Lake, Mouth Mantra, Quicksand, Family e Notget.



