Foto: DivulgaçãoFlerte Flamingo: indie rock com o molho da Bahia
Grupo soteropolitano baseado em São Paulo mistura referências que vão de Jorge Ben a Arctic Monkeys
Texto: Bárbara Zarif
Edição: Flávio Lerner
Formado na Bahia e atualmente radicado em São Paulo, Flerte Flamingo é um daqueles projetos que nascem de um desejo genuíno de movimentar a cena cultural, e acabam encontrando um caminho próprio no processo. Criado em 2017, o grupo carrega na bagagem não só influências diversas, mas também uma história curiosa que atravessa gerações. Hoje, os integrantes são Leonardo Passovi (voz e guitarra), João Vaz (guitarra e teclas), Bruno de Sá (baixo) e Igor Quadros (bateria)
O nome não surgiu por acaso. Ele vem de uma memória familiar: o bisavô de Leonardo era lenhador e também músico, e tocava tuba em um grupo que se chamava justamente Flerte Flamingo. Embora a banda não tenha seguido adiante, o nome permaneceu vivo dentro da família, atravessando gerações. Quando o vocalista decidiu formar seu próprio conjunto, já sabia como se chamaria.
O novo Flerte Flamingo nasceu em Salvador, motivado por uma inquietação criativa. Os integrantes sentiam falta de uma cena independente que realmente refletisse a identidade local. Apesar de existir o chamado “rock baiano”, eles percebiam uma ausência de elementos verdadeiramente ligados à cultura regional. A proposta, então, passou a ser justamente essa: criar uma sonoridade que unisse referências do rock com ritmos, texturas e construções harmônicas que dialogassem com a música baiana.
A resposta do público veio com o tempo — e serviu como combustível para que continuassem. Após alguns anos contribuindo com a cena cultural de Salvador, o grupo tomou uma decisão importante durante o início da pandemia: migrar para o Sudeste. Em São Paulo, reorganizaram a formação, já que nem todos os membros puderam se mudar, e seguiram com o projeto, culminando no lançamento do primeiro álbum.
As referências musicais revelam bem essa mistura de universos. Há uma forte presença de nomes da música brasileira, como Jorge Ben Jor, Caetano Veloso, Dorival Caymmi e João Gilberto, mas também influências internacionais que vão de Arctic Monkeys a Mac DeMarco, passando por Led Zeppelin, Black Sabbath e Richard Hawley. Essa combinação ajuda a explicar sua identidade sonora: um trânsito livre entre tradição e contemporaneidade.
No final do ano passado (2025), lançaram o primeiro álbum, Dói Ter, que marcou um ponto de virada na trajetória do quarteto, especialmente no funcionamento interno. Antes, os integrantes ainda estavam se conhecendo criativamente. O processo de construção do disco foi essencial para que identificassem afinidades, limites e potências. Esse amadurecimento se reflete também na recepção: ver as pessoas cantando as músicas novas nos shows é, segundo eles, uma das maiores recompensas, e um sinal claro de conexão.
A trajetória do Flerte Flamingo mostra que identidade artística não nasce pronta, ela se constrói no encontro entre referências, experiências e, principalmente, na coragem de ocupar espaços. Entre Salvador e São Paulo,o grupo segue desenhando sua própria rota dentro da música brasileira contemporânea. E Leonardo já deu um spoiler: em um mês, eles pintam com um novo lançamento que promete entregar tudo.



