Foto: Reprodução45 anos sem Bob Marley: o real motivo da morte da lenda do reggae
Edição: Flávio Lerner
Um dos falecimentos mais bestas da história da música? Não é bem assim…
Há 45 anos, o maior divulgar do reggae e da cultura jamaicana de todos os tempos, Bob Marley, nos deixava. Até hoje, o episódio circula em mesas de boteco como uma das mortes mais bestas da história da música. Na superfície, virou lenda urbana a narrativa de que, graças às suas cresças religiosas, o ícone da música nos deixou muito mais cedo do que deveria.

Talvez um grande serviço neste 11 de maio, aniversário da morte de Marley, seja explicar que a história não é bem essa. Ou que, pelo menos, está absurdamente simplificada. Robert Nesta Marley faleceu em Miami, a meio caminho de sua terra natal, a Jamaica. Seu plano era deixar a vida na ilha onde nasceu, e por isso organizou um retorno às pressas da Alemanha. Desde o diagnóstico de câncer de pele até seu falecimento, foram quatro anos de luta e diversas terapias diferentes.
A lenda de que a religião Rastafari o teria impedido de amputar o dedão do pé quando a doença foi diagnosticada é um tanto simplória. Em 1977, Marley tinha uma ferida no pé que desaparecia e reaparecia há anos. Efetivamente, os médicos que o atenderam na Europa ofereceram a amputação como a solução mais rápida. Mas não era a única. E é essa possibilidade de escolha, geralmente esquecida quando se fala sobre sua morte, que fez com que o cantor avaliasse outros caminhos para o tratamento, evitando sim desagradar os dogmas de sua religião, que trata amputações como uma violação do corpo.
Bob Marley também se preocupava com sua performance no palco, e acreditou que cortar o dedão fora poderia comprometê-la. Mas o ponto fundamental é que havia uma solução alternativa. Uma cirurgia menos invasiva, que removeria o leito ungueal e o tecido canceroso, fazendo um enxerto de pele. Se dava pra ser desse jeito, por que não?

O problema é que a solução prometida pelos médicos não resolveu o problema totalmente, levando o tumor a crescer e se espalhar silenciosamente. Em setembro de 1980, o ídolo passou mal durante uma corrida no Central Park, em Nova Iorque. Exames revelaram que o melanoma havia causado metástase, atingindo órgãos vitais como pulmões, fígado e cérebro. O novo diagnóstico dava ao cantor poucos meses de vida.
Uma vida que Bob não estava nem um pouco a fim de deixar. Quando soube de um tratamento alternativo, em desenvolvimento na região da Baviera, na Alemanha, voou para lá para se internar e dedicar-se totalmente à luta. Criado pelo Dr. Josef Issels, o método se baseava na hipótese de que o câncer não é uma doença localizada, mas uma deficiência no sistema imunológico.
O paciente enfrentava uma terapia que consistia em uma dieta natural de desintoxicação, uso de substâncias extraídas de caroços de damasco, remoção de metais pesados do corpo (quelação), remoção de obturações e amálgamas dentárias e doses reforçadas de Vitamina C. Inicialmente, a saúde dele pareceu melhorar, a ponto de voltar a jogar futebol. No entanto, sua condição se deteriorou gravemente em abril de 1981.
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Atualmente, o tratamento do Dr. Issels é proibido em diversos países, incluindo os Estados Unidos, além ter sido altamente refutado pela comunidade científica. Serviu, no entanto, como uma prova histórica de que Bob Marley tentou de tudo para se curar da doença.
Tomou algumas decisões erradas desde que foi diagnosticado? Talvez. Mas impossível dizer que não lutou feito um leão pela própria existência. Sua música fez o que a medicina não conseguiu: torná-lo eterno.



