Jaafar Jackson Jaafar Jackson em “Michael”. Imagem: Universal Pictures/Reprodução

Com trajetória tímida, Jaafar Jackson deve ter ponto de virada em “Michael”

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Edição: Flávio Lerner


Sobrinho do Rei do Pop “incorporou” o tio, saindo-se como grande destaque do criticado filme de Antoine Fuqua

Seguindo os passos do tio, que esteve no Rio de Janeiro em 1996 para gravar o videoclipe de They Don’t Care About Us, Jaafar Jackson decidiu lançar sua carreira musical em uma comunidade carioca. Só mudou de endereço. Enquanto Michael Jackson subiu o Morro Dona Marta, o sobrinho escolheu o Vidigal, com o claro objetivo de começar no mundo da música se conectando ao estrelato pop.

Não sabia que, poucos anos mais tarde, essa fusão viria de forma definitiva, interpretando o Rei do Pop na cinebiografia Michael, que acaba de estrear nos cinemas. A simbiose foi tamanha que Katherine Jackson, mãe de MJ e avó de Jaafar, declarou que o neto “incorporou seu filho”.

Hoje com 29 anos, Jaafar Jackson é um dos grandes destaques positivos do filme dirigido por Antoine Fuqua. Os negativos, todo mundo já sabe: é uma peça promocional do legado de Michael, deixando de lado todas as polêmicas envolvendo a vida do astro. Bastante óbvio, já que a obra foi produzida sob a batuta da família, controlando cada linha do roteiro. A facilidade do sobrinho com o canto e os passos de dança eternizados pelo tio garantiram seu job, mesmo sem jamais ter atuado em um longa-metragem. E o maninho se saiu muito bem.

Got Me Singing, o vídeo gravado no Vidigal em 2019, foi o primeiro single de Jaafar. Quem assistiu ao clipe duvidaria que o garoto pudesse, um dia, se tornar um astro do cinema. Sua interpretação é tímida e insegura, principalmente se o comparamos a outros “futuros Michael Jackson”, como Bruno Mars.

Parecia que nem mesmo ele botava fé no que estava fazendo, além do medo de iniciar uma vida artística sobre a pressão do seu parentesco. No ano seguinte, lançou mais uma música, Confused (hmm…), e foi só. Tudo pode mudar agora, com a repercussão que terá através de Michael.

A confusão de Jaafar Jackson vem desde criança, afinal, cresceu em meio a uma família em que todo mundo trabalha na indústria musical. Conheceu de perto suas dores e foi bastante próximo do tio em vida, chegando a passar bastante tempo em seu sítio disfarçado de parque de diversões, Neverland.

Avisava o pai, Jermaine Jackson, que queria ser jogador de golfe profissional quando crescesse. Mas a pressão familiar e a gigantesca quantidade de portas abertas com o universo musical o fizeram mudar de ideia, também timidamente. Começou a gravar uns covers e publicar no YouTube na adolescência.

Em 2016, alguém roubou uma gravação do garoto e soltou nas plataformas de streaming com o sugestivo nome de “Rebirth of Michael” (“renascimento de Michael”). Os parentes confirmaram a origem, mas alegaram não saber como a faixa se tornou pública. Aos desavisados, poderia mesmo soar como uma música perdida de Michael Jackson. A voz era bastante parecida. Até hoje, no entanto, Jaafar nunca lançou um álbum.

A verdade é que, após o lançamento da cinebio, o show business está escancarado para ele. Um bilhete premiado para os Jacksons, que, criativamente enlutados desde a morte do maior gênio da casa, em 2009, finalmente puderam testemunhar uma renovação de talento. Uma família em que brigas por dinheiro, contratos e o próprio espólio musical de seus membros são uma constante.

Se livrar dessa bucha será o maior desafio do sobrinho, principalmente agora, que é a bola da vez de uma provável gigantesca fonte de renda.

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.