Foto: DivulgaçãoBenjamin Clementine: conheça uma das trajetórias mais incríveis do C6 Fest 2026
Pianista inglês radicado na França morou na rua e hoje é Senhor Cavaleiro da Ordem das Artes e da Literatura
Dia 24 de maio, o público que estiver no Parque do Ibirapuera curtindo o C6 Fest 2026 terá a chance de testemunhar um artista cuja história de vida merece uma das mais incríveis cinebiografias de todos os tempos. A jornada do poeta e pianista inglês radicado na França, Benjamin Clementine (37), é sublime.

Hoje, o mano é Chevalier de l’Ordre des Arts et des Lettres — Senhor Cavaleiro da Ordem das Artes e da Literatura, a maior honraria possível na França, dada pelo governo em 2019, quando tinha 30 anos. Isso depois de viver como um romântico vagabundo, dormindo na rua, em praças, no estoque dos bares e, quando a coisa estava boa, em um albergue, dividindo o quarto com mais nove desconhecidos.
Passar perrengue em Paris funciona como uma espécie de trampolim criativo para muitos artistas. Foi assim com Ernerst Hemingway, George Orwell e tantos outros. Enquanto passava fome nos arredores de Montmartre, foi vivendo de bicos até conseguir descolar um teclado velho e um piano. Foi fazer, então, o que mais amava. Tocar. Nas ruas, no metrô, onde pudesse descolar umas moedas.
Batalhar pela música não era uma novidade para Clementine. Aos 11, vivendo em uma pequena casa em Edmonton, no norte de Londres, quando seu irmão mais velho lhe deu o piano, o pai ficou possesso e o proibiu de tocar. O moleque então descolou um teclado usado, se escondia no telhado e aprendeu, sozinho, tudo o que sabe.

Seu talento era tamanho que ele foi conquistando figurões em Paris. Em especial, Lionel Bensemoun, músico especializado em trilhas para cinema que descolou para o cara um show no Festival de Cannes. Para fazer bons amigos, o garoto tinha repertório. Criança, lia T. S. Eliot e William Blake, muitas vezes faltando à escola para passar o dia na biblioteca. Pintoso, talentoso na música e bom de papo. Quem não se apaixonaria? Bensemoun chegou a fundar um selo independente para lançar o primero EP de Benjamin Clementine, Cornestone, em 2013.
O lançamento foi elogiado e chegou a Jools Holland, o lendário apresentador de programas musicais da BBC. Contrariando o protocolo comum para tocar em seu programa — o de trazer somente os maiores astros da música moderna —, Holland ligou para o jovem artista e o convidou pessoalmente. No mesmo episódio estava Paul McCartney, que o levou para seu camarim e botou a pilha que faltava para que o moleque que morou na rua apostasse definitivamente na sua carreira. Hoje, Benjamin gaba-se de ter sido o único artista na história do Later… With Jools Holland a se apresentar antes mesmo de ter um contrato com uma gravadora.
Atualmente, 13 anos após o programa de TV que mudou sua história, a vida de Benjamin Clementine é bem diferente. Levou o Mercury Prize pelo seu primeiro álbum lançado em 2015, At Least For Now; foi relacionado como um dos 28 novos gênios da música pelo New York Times em 2016; teve a audácia de lançar um álbum experimental, teatral — I Tell A Fly (2017) —, baseado na psicanálise de Donald Winnicott; e gravou, produziu e mixou seu terceiro e mais recente disco, And I Have Been (2022), voltando a lançar por um selo que ele mesmo criou, o Preserve Artists.

Esse é o artista, e essa é a história, do cara que vai tocar piano para você no palco do C6 Fest, dia 24. Música com conteúdo vale mais, não é?



