Foto: Tom Oldham/DivulgaçãoRobert Plant no C6 Fest 2026: o que a lenda do rock irá tocar no festival
Ex-líder do Led Zeppelin apresenta Robert Plant’s Saving Grace, projeto de 2019 que lançou seu primeiro álbum em 2025
Robert Plant é a maior estrela do C6 Fest 2026, fechando o festival no domingo à noite. O homem foi o líder, a voz e a imagem de uma das maiores bandas de rock’n’roll de todos os tempos. A bem da verdade, de seus quase 60 anos de carreira, apenas cerca de um sexto foi à frente do supergrupo. Desde que o Led Zeppelin se desfez, em 1980, ele nunca mais parou. E é essa a bagagem que trará ao Brasil dia 24 de maio.

O Led, para os íntimos, acabou após a morte de John Bonham, aos 32 anos. Ao contrário de tantos outros que recrutam um substituto e seguem com a vida, os remanescentes Jimmy Page, John Paul Jones e Plant tomaram a decisão oposta: não tinha como continuar com outro baterista. A batida de Bonham era, para eles, insubstituível. A linda homenagem se manteve. Apesar de inúmeros convites, o grupo não se apresentou mais usando esse nome. Mas isso nem de longe significou que Robert deixaria os palcos.
Em carreira solo, o rockstar lançou quatro álbuns na mesma década: Pictures at Eleven (1982), The Principle of Moments (1983), Shaken ’n’ Stirred (1985) e Now and Zen (1988). Voou fácil, dado o tamanho de suas asas no mundo da música, e nunca se esqueceu do velho amigo e parceiro de criação Jimmy Page. Em 1984, os dois se uniram em um projeto juntando mais umas superestrela das cordas, Jeff Beck, para alguns shows tocando clássicos dos anos 1950 e 1960.
A liga entre os dois seguiu firme na década seguinte. Juntos, botaram em pé os projetos No Quarter: Jimmy Page & Robert Plant Unledded (disco ao vivo de 1994) e Walking into Clarksdale (álbum de 1998). Jogo ganho, né? Todo mundo que amava Led Zeppelin acendia velas para qualquer santo disponível para ver os dois no mesmo palco. A diversão durou até a virada do milênio, quando Robert Plant encontrou um caminho musical que trilha até hoje: honrar sua paixão pela country music, o folk e o bluegrass.

Alison Krauss já era uma sumidade do gênero quando os dois se uniram para gravar um disco. Raising Sand, de 2007, provou que a química entre os dois era boa demais. Videoclipes, hits e turnês se seguiram por anos após o lançamento do álbum. E até que demorou tempo demais para um repeteco: 14 anos depois, os dois voltaram aos estúdios para gravar e lançar mais um registro, Raise the Roof (2021). No período entre os discos, Plant achou tempo para sair tocando com uma nova-velha “bandinha”, a Band of Joy (original de 1967, resgatada em 2010), revisitando canções tradicionais do folclore americano.
Robert Plant’s Saving Grace, que você verá em São Paulo, surgiu em 2019, entrou na geladeira durante a pandemia e segue cruzando o planeta desde o fim do lockdown. Acompanhado por Suzi Dian (voz), Oli Jefferson (bateria e percussão), Tony Kelsey (guitarra), Matt Worley (banjo e violão) e Barney Morse-Brown (violoncelo), o projeto é uma somatória do que Plant realizou com Krauss e a Band of Joy, revisitando músicas tradicionais majoritariamente estadunidenses.
Preste atenção no dueto vocal formado por Robert e Suzi, e prepare-se para uma viagem que, aos ouvidos mais atentos, entrega de onde o Led Zeppelin extraiu alguns de seus riffs e baladas. Saving Grace, o primeiro álbum do grupo chegou ao final de setembro, pela Nonesuch Records.

Robertinho nasceu no dia 20 de agosto de 1948, em Staffordshire, no interior da Inglaterra, região de indústrias cerâmicas e criação de cachorros de raça. Criança, se escondia dos pais em casa para passar o tempo imitando Elvis Presley. A cada ano vivido, se aprofundava mais no blues estadunidense, estudando artistas como Robert Johnson e Willie Dixon. Aos 16, saiu de casa para tentar a vida na música. Quatro anos mais tarde, um tal de Jimmy Page publicou um anúncio procurando vocalistas para sua nova banda. Na frente do guitarrista, Plant cantou Somebody to Love, do Jefferson Airplane.
“Quando eu o ouvi cantando, imediatamente pensei que deveria ter algo de errado com aquele cara, que seria impossível trabalhar com ele, porque eu simplesmente não conseguia entender por que, depois de quatro anos cantando em bares com aquela voz, ele ainda não tinha conseguido se tornar uma estrela da música. Então o levei para casa por uns dias, só para ter certeza de que nos daríamos bem”, contou Page à revista Trouser Press, em 1977.



