Foto: Reprodução/Getty Images

5 artistas brasileiros que já fizeram bonito no Coachella

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Ludmilla é a representante do nosso país no festival americano em 2024 — mas antes dela, outros desbravaram os seus palcos

Na grande loja de departamentos que é o mercado musical, os festivais são a vitrine da calçada. Lugar de exposição para uma pequena seleção da imensa gama de produtos disponíveis para venda. O vitrinista escolhe com estratégia e cuidado aquilo que causará impacto visual ao pedestre. A que despertará desejo. E, também, a que transmite qual o estilo da marca.

Com os curadores de festivais, não é muito diferente. Em 2024, Ludmilla estará em uma das principais vitrines dos Estados Unidos: o festival Coachella, que rola entre os dias 12 e 14 e 19 e 21, na Califórnia.

Para se ter uma ideia da potência do evento, o festival terá como grande destaque a reunião da banda de pop rock No Doubt,  após quase dez anos longe do público. O rolê ainda conta com nomes como a sensação Black Pumas, Doja Cat, Tyler the Creator e, para surpresa de todos, o Blur, banda britânica que recentemente avisou que ia dar um tempo (mais uma vez). Mas quem resiste a um convite do Coachella, não é mesmo?

Ludmilla segue trilhando um caminho de brasileiros convidados para o festival aberto pelo DJ Marky, em 2005, e seguiu até Vintage Culture, em 2023. Nesse intervalo, alguns outros artistas daqui já subiram no seu disputadíssimo palco. Relembre cinco deles!

Cansei de Ser Sexy (2007 e 2011)

Sensação mundial nascida nas festas paulistanas, a banda indie Cansei De Ser Sexy estava no meio de um hype internacional tamanho que seu anúncio não foi nenhuma surpresa. Eles tinham que fazer parte do line up de 2007, e foram os primeiros brasileiros a fazê-lo.

O convite rolou um ano após a primeira (de várias) turnês internacionais da banda então comandada por Lovefoxxx e Adriano Cintra. Se liga nos “companheiros” do CSS no Coachella de 2008: Björk, Interpol, Jesus and Mary Chain, Arctic Monkeys, Red Hot Chili Peppers, Arcade Fire, Tiësto, Rage Against the Machine, Manu Chao, Happy Mondays, Air e Willie Nelson.

O sucesso do grupo foi tão grande, que ele foi convidado a retornar quatro anos depois.

Bonde do Rolê (2008)

No ano seguinte, foi a vez do Bonde do Rolê, um projeto meio brincalhão de Marina Vello, Rodrigo Gorky e Pedro D’Eyrot, que misturava funk carioca com música eletrônica.

Gorky atualmente é o produtor de Pabllo Vittar, o que torna o cara como o brasileiro mais experiente quando o assunto é Coachella.

Céu (2010)

No final da primeira década do século XXI, Céu estava mandando ver em sua carreira internacional, com turnês pela Europa e Estados Unidos, onde descolou uma apresentação no festival mais concorrido dos Estados Unidos, ao lado de nomes como Jay Z, Muse e Thom Yorke.

A cantora, que trouxe uma brisa nova à MPB, já havia lançado os álbuns Céu e Vagarosa, e estava na crista da onda por aqui. O showa catapultou para outros grandes feitos, como uma apresentação no lendário show de TV de Jools Holland, na BBC inglesa, durante a turnê europeia que fez em 2012.

Anitta (2022)

Com a inteligência que lhe é caractéristica, Anitta aproveitou o convite para o festival para contar sua história ao mundo. Construiu uma cenografia que remeteu a uma favela, para mostrar de onde veio, e montou um repertório músicas que a fizeram chegar onde chegou, desde o início da carreira.

Chamou Snoop Dogg pra cantar no palco, e ainda botou Diplo para discotecar. Com um show muito bem montado, mostrou a força que tinha, enquanto explicava “para os gringos” quem era Anitta.

Sabendo do teor didático de teu show, abriu os trabalhos ao som de Mas Que Nada, de Jorge Ben, uma das mais conhecidas (e sampleadas) músicas brasileiras.

Pabllo Vittar (2022)

No mesmo ano em que teve Anitta, o Coachella apresentou o primeiro show de uma drag queen em sua história. E brasileira.

Pabllo Vittar entrou no festival com pompa e circustância. Pela primeira vez, artistas brasileiros apareciam mais próximas do topo do line-up. Como é de costume, a enorme quantidade de atrações de festivais deste gabarito são apresentadas em linhas, com os headliners em letras garrafais e os demais convidados em caracteres menores, no estilo exame oftalmológico.

Assim como com a parceira Anitta, o Coachella teve sabor de consolidação de carreira para Pabllo.

Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.

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