
8/10
Edição: Flávio Lerner
21 anos após lançar seu aclamado Confessions on a Dance Floor, um álbum em que assumia que seu lugar era em meio à ferveção, Madonna volta a se confessar na pista de dança. Em 2005, a música eletrônica havia dominado de vez o mundo notívago, e a Rainha do Pop não queria ficar de fora. Agora, em CONFESSIONS II, veio com um tremendo time de apoio, mapeado entre velhos parceiros e sanguinho novo na produção musical de hits de pista, a mulher voltou com tudo, reafirmando sua paixão pela dança.
Para fugir da encheção de saco crítica e legal, a inteligente artista usou de um artificio interessante. Creditou como cocompositores os criadores de músicas sampleadas em suas faixas. Além de avalizar a referência (algumas bem escancaradas, como a de Lil Louis na faixa de abertura I Feel So Free), ela distribui o dinheiro dos futuros plays e ainda deixa claríssimo para seus fãs de quem foi a ideia original.
Quem sai todos os finais de semana para dançar, ou o faz em festinhas na sala, vai sacar logo de cara que, para um disco voltado às pistas, CONFESSIONS II tem vocais demais. Mas até aí, não tem jeito. Madonna é uma cantora e é pop. Algo nos diz que um belo álbum de remixes vai chegar já, já.
Independentemente disso, o álbum tem construções excelentes baseadas principalmente no house progressivo com fortíssima pegada nova-iorquina, terra onde Madonna aprendeu tudo sobre música e sobre baladas. É um disco voltado para o passado, mas isso não importa. Ela não precisa inventar a roda e deixa isso bem claro, tanto nos samples quanto quando tenta refazer Vogue descaradamente, na parceria com Sabrina Carpenter em Bring Me Your Love.

Colocando pra fora as chatíssimas Good For The Soul e Read My Lips, ouso dizer que CONFESSIONS II é mais legal do que seu originário. E há nele um detalhe muito interessante: apesar do caminhão de convidados, as faixas compostas e produzidas somente por Madonna e Stuart Price figuram entre as melhores do álbum (One Step Away, Everything, Love Sensation e a bombada e ácida Love Without Words).
A mesma dupla que fez Confessions On a Dance Floor mostra que trabalhando sozinhos, se sentem mais livres e conectados às raízes do que o novo disco propõe. Vale sonoros parabéns. Escorrega também, com sucesso, para a eletrônica experimental em School, parceria com Triangle Park e Mustapha LeBeau.
No resumo da ópera, o acerto foi tocar o foda-se em relação à concorrência, à pressão e ao apelo por chocar, simplesmente trazendo um bom álbum dançante. Sua massa de fãs agora ferve em delírio!



