Drogas Foto: Reprodução

Pela 1ª vez, Londres terá postos públicos para testagem de drogas

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Instalações nos bairros de Camden Town e Hackney são parte da política de redução de danos da prefeitura

A prefeitura de Londres está apostando na redução de danos como política de combate ao uso de drogas. Pela primeira vez, a cidade terá dois postos públicos gratuitos para que usuários testem drogas por equipes especializadas, formadas por profissionais capazes de avaliar rapidamente se o que foi comprado de um traficante é realmente a substância informada ao usuário.

A medida é salutar em diversos sentidos. Primeiro, ao esclarecer a quem quer ficar doidão em qual roubada está realmente se metendo. Na outra ponta, ajuda postos médicos a tratar corretamente uma pessoa que chega com sintomas de overdose, como foi explicado com maestria ao Music Non Stop pelo médico Bruno Raposo (SENTA), em entrevista publicada em fevereiro.

Os dois primeiros postos, administrados pela ONG The Loop e totalmente financiados pelas prefeituras, serão abertos nos bairros Camden Town e Hackney, dois pontos onde a oferta de substâncias é maior, dado o fluxo turístico e baladeiro. Segundo a própria The Loop, vários outros bairros também ganharão postos de teste. O projeto também prevê a cobertura de mais cidades inglesas, além da capital.

Em comunicado, a presidente da ONG, Katy Porter, conta: “Após os testes feitos na base temporário montada em Bristol, em 2024, um número muito maior e crucial de pessoas terão acesso, agora, a testes regulares em drogas. Os serviços serão operados por uma equipe multidisciplinar, que envolve profissionais de saúde, químicos e acadêmicos especializados em estudos de redução de danos”.

Especialistas concordam que a oferta de drogas está “mais perigosa do que nunca” na Inglaterra, com o aumento de opções de oferta de substâncias sintéticas potentes. Uma tendência que também chegou ao Brasil, atualmente dominado por organizações criminosas (esqueça aquela história de que seu ácido foi feito por um hippie holandês). Qualquer coisa pode ser usada para emular o efeito de drogas conhecidas, como anestésicos, antidepressivos e medicamentos veterinários.

Por aqui, as políticas de reduções de danos engatinham, normalmente encapadas por ONGs que se dedicam a esse trabalho sem qualquer apoio público, caso de iniciativas como a Arco e o coletivo SENTA. Visite a apoie!

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.