Foto: Nastya Dulhiier [via Unsplash]Fentanil: os perigos da droga que matou Prince há 10 anos
Edição: Flávio Lerner
Cada vez mais popular no Brasil, substância pode levar ao óbito com facilidade
Em 21 de abril de 2016, o mundo perdeu Prince precocemente. Aos 57 anos, o cantor foi encontrado morto em seu estúdio em Paisley Park, Minnesota, nos Estados Unidos, e a autópsia revelou que a causa foi uma overdose acidental de fentanil, um anestésico 50 vezes mais potente que a heroína. A tragédia é lembrada pelo Music Non Stop de uma forma mais soturna, por um motivo triste. A substância está se tornando cada vez mais popular no Brasil, principalmente misturada na chamada K9, conhecida como a “droga zumbi”, graças ao efeito que causa no usuário.

O fentanil farmacêutico é uma paulada. Apenas dois miligramas são capazes de matar. A substância atua nos receptores opioides do corpo, principalmente no sistema nervoso central, produzindo analgesia profunda, sedação e euforia. Porém, essa mesma ação também deprime os centros respiratórios, o que torna a parada respiratória o principal mecanismo de morte em casos de overdose.
Prince havia acabado de passar por uma cirurgia nos quadris, tinha o remédio prescrito e passou a usá-lo para controlar a dor, mas errou na dosagem.
No Brasil e em outros países, o fentanil vem sendo usado na mistura das chamadas “drogas K”. A mais comum em pontos de tráfico é a K9. Uma bomba relógio, já que sua receita varia de acordo com o local onde é vendida e tem uma série de substância perigosas. Em análises, amostras já identificaram, além do fentanil, a presença de nitazeno, um opioide ainda mais potente, quetamina e anabolizantes de uso veterinário. A fórmula varia tanto que é impossível saber o que, e em qual quantidade, se está ingerindo no corpo.

Proibida até pelo PCC
Quando uma facção criminosa proíbe a venda de uma droga em suas biqueiras é porque o negócio é sério. Em 2023, escutas telefônicas feitas pela polícia descobriram um “salve” (ordens enviadas pelo comando aos membro da facção) do PCC proibindo a venda das drogas K por questões “de ordem”.
O efeito é tão rápido e pesado que ambulâncias estavam sendo chamadas para resgatar usuários nos próprios pontos de venda, acompanhados da polícia. Além de chamar atenção, um problema para os negócios.
Se é barato, e dá barato, traficantes não pensam duas vezes na hora de misturar e vender seus bagulhos. Os medicamentos são desviados de hospitais e vendidos ilegalmente. Em fevereiro de 2022, 20 pessoas morreram e mais de 70 foram hospitalizadas em Buenos Aires, quando vendedores misturaram carfentanil, uma variante veterinária da substância ainda mais potente, à cocaína.

Onde mora o perigo
Quando administrado, o fentanil liga-se aos receptores opioides no cérebro e na medula espinhal. Ao ativar esses receptores, ele inibe a liberação de neurotransmissores envolvidos na transmissão da dor, causando um bloqueio quase completo da sensação dolorosa. No entanto, essa mesma ativação também suprime o centro respiratório no bulbo, levando a uma respiração lenta, superficial, ou mesmo à parada respiratória total.
Os principais efeitos colaterais incluem náuseas, tonturas, vômitos, fadiga, constipação e dependência física e psicológica. O efeito de depressão respiratória e central, comum a todos os opioides, é a causa primária do óbito por overdose. Misturada a outras substância para baratear seu custo, as drogas com fentanil na fórmula tornam-se ainda mais perigosas. Fuja!



