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Nova animação do Studio Ghibli chega ao Brasil nesta semana

O menino e a garça

Imagem: Sinny Assessoria e Comunicação/Sato Company/Divulgação

“Em O Menino e a Garça, Mahito Maki é o jovem vivendo suas transformações, bem como um coletivo, uma nação, em busca de sobrevivência em meio à guerra”

Hayao Miyazaki é um mestre do cinema de animação, e O Menino e a Garça, seu filme mais recente, não fugiu à regra. Mais uma vez, o cineasta e animador navega pelo mundo da fantasia, universo no qual animais falam e o tempo e o espaço se configuram de maneira diferente da realidade, bem como os efeitos da Segunda Guerra Mundial.

A Segunda Guerra como gatilho

O Menino e a Garça acompanha Mahito Maki, um garoto que perde a mãe durante um bombardeio feito contra a cidade em que ele vive. Alguns meses depois da tragédia, o pai de Mahito se casa com sua cunhada e a família se muda para uma casa de campo. A trama segue, então, as aventuras vividas pelo protagonista em seu novo lar.

A produção traz em si um pouco da experiência de vida de Miyazaki, pois o autor viveu sua infância em meio à Segunda Guerra. Assim como o pai do protagonista da animação, o pai de Hayao fabricava peças de aviões japoneses usados em combate.

As referências a esse momento da vida são constantes em suas obras. Por exemplo, em Meu Amigo Totoro, a mãe das protagonistas está se recuperando de uma doença crônica em um hospital, assim como Dola Miyazaki, que ficou alguns anos internada se recuperando de uma tuberculose vertebral.

Imagem: Sinny Assessoria e Comunicação/Sato Company/Divulgação

De maneira semelhante, em Princesa Mononoke podemos observar os conflitos existentes entre humanidade versus natureza versus espiritualidade, que também vemos na nova produção. Ao adentrar na torre em busca de respostas para os mistérios trazidos pela Garça, o menino atravessa os limites entre esses três elementos.

Para aumentar o mistério que envolve a vida do rapaz, a torre foi construída por seu tio avô, que desapareceu logo depois. E, se não bastasse isso, a Garça afirma para ele que sua mãe está viva lá dentro.

O amadurecimento e suas dores

Imagem: Sinny Assessoria e Comunicação/Sato Company/Divulgação

Ao adentrar na torre para reencontrar sua mãe e resgatar sua tia-madrasta, Mahito se depara com a complexidade da vida. Sua jornada pelo mundo espiritual-fantasioso faz parte do processo de amadurecimento que ele enfrentará. Além de ser um garoto no período de transição da infância para a adolescência, outras questões o atravessam.

O menino tem uma nova madrasta, em breve um irmão, precisa aceitar a morte da mãe e a mudança de cidade. A guerra acontece e o futuro é incerto.

Assim sendo, passado e presente são constantemente colocados frente a frente, comparados, equiparados e entrelaçados. Não há uma resposta correta sobre qual caminho a personagem deve tomar, tudo depende de suas escolhas. Mahito é a unidade do jovem vivendo suas transformações, bem como um coletivo, uma nação, em busca de sobrevivência em um período beligerante.

Da mesma forma que ocorre em Mononoke, carne, natureza e espírito são um só, e seu equilíbrio sustenta a estabilidade dos mundos. O Menino e a Garça também se inspira no livro de Genzaburo Yoshino, Como Você Vive? — um romance que fala sobre a maneira que a juventude lida com as experiências da vida.

Imagem: Sinny Assessoria e Comunicação/Sato Company/Divulgação

Em suma, a animação reflete sobre a finitude. Da mesma maneira que no mundo real as coisas são efêmeras, no mundo da fantasia elas também se vão.

E, de maneira semelhante, o lado espiritual-fantástico precisa de constantemente se renovar e reordenar. O passado não pode ser uma amarra no processo de crescer, o futuro não deve provocar medo. A esperança na construção de um mundo melhor guia Mahito e inúmeras outras personagens de Miyazaki nesses quase 39 anos de Studio Ghibli.

O Menino e a Garça chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 22 de fevereiro. Os ingressos já podem ser comprados no site da ingresso.com.

Leia mais da coluna de Yasmine Evaristo!

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