
Haddad promete rever impostos sobre discos de vinil importados
Respondendo a ouvinte no podcast Inteligência Ltda., Ministro da Economia afirmou não saber que produto era tributado
Uma pergunta feita por um ouvinte durante o podcast Inteligência Ltda., transmitido na última sexta-feira (21), alertou o Ministro da Economia Fernando Haddad para uma distorção que incomoda, há décadas, os amantes de música: a taxação de impostos sobre os discos de vinil.
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“Eu nem sabia que disco era tributado. Livro não é. Ele está falando de disco de vinil? Prometo ver isso, com carinho inclusive. Vou discutir com o Dr. Barreirinhas. Se estiver me ouvindo, já reserva na segunda-feira uma horinha para mim”, declarou o Ministro, referindo-se a Robinson Sakyama Barreirinhas, Secretário Especial da Receita Federal.
Antes tarde do que nunca. Tirar o imposto dos discos de vinil importados, um produto cultural, é uma demanda que surgiu na virada do milênio, encabeçada pelo DJ Marcos Morcerf, então uma das mentes mais importantes do cenário underground brasileiro.
“Chegamos a fazer uma reunião com Hermano Vianna [Ministro da Secretaria de Comunicação do Governo e Gestão Estratégica, à época], na Galeria Ouro Fino. Mas acabou não dando em nada”, contou Morcerf ao Music Non Stop. O assunto chegou a ser discutido no Ministério da Cultura em 2003, quando Lula iniciava começava seu primeiro mandato como presidente.

No começo dos 2000, o disco de vinil era a mídia oficial dos DJs do cenário eletrônico. Logo, além de propagador de cultura, era ferramenta de trabalho. A Campanha Contra a Supertaxação do Vinil Importado (na época, a produção nacional ainda era pífia) ganhou corpo e apoio de muita gente nas pistas de dança. Era comum cruzar com profissionais da noite usando o botton no peito.
Se Haddad cumprir a promessa, o assunto vai ressuscitar esta semana para animar um mercado que cresce a cada ano. Hoje, o disco de vinil é consumido por colecionadores e amantes de música. Um mercado que, no ano passado, movimentou 2,6 bilhões de dólares em todo o mundo segundo o site Discogs, contando produtos novos e usados, uma vez que o disco é um produto de longa durabilidade. No Brasil, a última estimativa, divulgada pela Pro-Música, é de 2023: consumimos cem milhões de reais em bolachões.