Guga Roselli uniu a paixão pela música e pela arquitetura para criar um dos labels de música mais legais do Brasil, mergulhe na história da Mareh

Claudia Assef
Por Claudia Assef

Label de música e produtora de eventos paulista, a Mareh Music surgiu na virada do ano de 2003 com o Festival Mareh, que rola em Boipeba, na Bahia, todo final de ano. Por lá já passaram nomes como Todd Terje, Greg Wilson, Prins Thomas, Tim Sweeney, Eric Duncan, Joakim, Soul Clap, Joe Godard (Hot Chip), Luke-Howard (Horse Meat Disco), Pete Herbert, Dicky Trisco, Session Victim, Eddie C entre outros.

Nos últimos anos, além dos festivais e das festas Babel e Mareh, que rolam em locações diferentes em São Paulo, o label Mareh Music passou a investir em lançamentos de EPs e discos em 10 polegadas dedicados a edits de tropical disco.

A primeira edição do Marisco rolou em maio de 2016 na Fabriketa em São Paulo

Em maio de 2016, nasceu mais um filhote do label Mareh, o Festival Marisco, criado em parceria com o selo holandês Rush Hour com o intuito de valorizar grandes nomes nacionais e colocá-los lado a lado com um dream team de DJs de disco music. Na primeira edição, gigantes nacionais como Marcos Valle e Azymuth se revezaram no palco com  Joakim, Daniel Wang, Soichi Terada, Antal, Tim Sweeney, Eric Duncan, Ray Mang, Eyal Baroz, Selvagem, Carrot Green, Paulão e Seu Osvaldo.

Marcos Valle no Marisco 2016

Este ano, o Marisco rola nos dias 13 e 14 de maio com nomes como Eumir Deodato Quartet, Banda Black Rio e os DJs Nuts e Felipe Venancio, representando os monstros sagrados brasileiros, ao lado de gringos como o quinteto inglês Crazy P, a banda dinamarquesa Laid Back e o DJ americano Chez Damier. O festival traz como novidade o CineMarisco + talks, com exibição de filmes de música seguidos de um painel de debates com jornalistas (como esta que vos escreve).

Arquitetando tudo isso (e esse é o verbo correto, literalmente) está o paulistano Guga Roselli, engenheiro apaixonado por arquitetura e música. Da próxima vez que estiver dançando um som brasileiro numa pista de dança maneiríssima, lembre-se que tem um dedo do Guga na valorização do velho e bom som dançante produzido no Brasil, país que, segundo ele, tem de tudo pra ser a maior potência mundial de noite e entretenimento. Lógico que a coluna #MillerMusic não poderia deixar de bater um papo com Guga. Vamos a ele, mas antes dá o play neste set gravado para a rádio Valença, de Los Angeles, pelo Lowest B, projeto formado por Guga Roselli e o produtor Antek.

Music Non Stop – Como você resolveu começar a tocar como DJ?

Guga Roselli – Sempre amei música, por isso sempre colecionei discos, sempre coloquei para tocar e escutar. Faltava fazer isso para uma plateia, então comecei a produzir festas. Acabou que a produção me atropelou e nunca dava tempo de tocar, mas há uns sete anos comecei a criar oportunidades e não parei mais!

Music Non Stop – Como nasceu a vontade de criar a Mareh?

A Mareh nasceu da vontade de Guga de profissionalizar as festas que ele já fazia

Guga Roselli – Depois que comecei a produzir festas, os eventos começaram a evoluir muito, até que quando atingiram a maturidade profissional todos ainda diziam: “vou na festa do guga”. Eu nunca gostei disso, sempre achei meio amador, aí resolvi fazer um branding à altura da experiência que os eventos proporcionavam. Desse estudo nasceu o selo!

Music Non Stop – Você é arquiteto, isso deve ajudar, acredito, na hora de fazer as festas, já que vocês sempre usam locações diferentes, não?

Guga Roselli – Na verdade sou engenheiro metido a arquiteto rs. E esse sempre foi meu ganha-pão! As festas aconteciam em paralelo, até que, com o crescimento do selo, comecei a ter oportunidade de criar cenários! Nesse estágio, a engenharia me ajudou muito, mas muito mesmo, desde como ocupar os espaços, passando pelos cálculos todos que um evento demanda, até o projeto de estruturas de cobertura, palco etc.

Music Non Stop – Os gringos (especialmente DJs) andam encantados com o Brasil. Por que você acha que isso tem acontecido com uma intensidade maior nos últimos tempos?

Daniel Wang falando portunhol em entrevista ao MNS no Marisco 2016

Guga Roselli – Acho que isso tem a ver com as pessoas, no caso os brasileiros. Somos um povo acolhedor e festeiros por natureza, isso potencializa e muito a vibração das pistas de dança! Quando eles chegam aqui e veem essas pistas de dança cheias de amor ficam deslumbrados.

Music Non Stop – Tem que ser louco ou cegamente apaixonado pra lançar vinil no Brasil? Ou está começando a ser algo viável?

Guga Roselli – Na verdade os números de venda de vinil crescem no mundo todo. Ano passado no Reino Unido a receita com venda de vinil foi maior do que a de música digital! Como tudo, as coisas no Brasil demoram um pouco mais, mas acho que a tendência é que isso aconteça por aqui também. Hoje em dia ainda é bem complicado lançar só aqui! Nós já lançamos alguns discos, mas a distribuição é feita 90% internacionalmente!

Guga segura um lançamento Barefoot Beats, subselo da Mareh Music

Music Non Stop – No Marisco você resolveu trazer medalhões brasileiros mais pra perto da realidade da pista de dança. De onde vem esse pensamento/vontade?

Guga Roselli – Quando conto essa história costumo dizer que seria muito pretensioso da minha parte dizer que antecipamos uma tendência, apesar de termos sido os primeiros a fazer esse tipo de mistura em um festival. Depois de nós, alguns festivais europeus de verão fizeram o mesmo. Com a volta da disco e dos grandes seletores de música, muitas raridades apareceram novamente, entre elas artistas brasileiros como Marcos Valle, Azymuth. Eu, como grande fã e sabendo da grande conexão com a música eletrônica atual em geral, resolvi colocar em prática algo em que acredito e que defendo, boa música é boa música, não existem fronteiras entre gêneros, é só uma questão de curadoria.

Music Non Stop – O que falta pra gente ser a maior potência mundial de noite e entretenimento, já que temos tantos outros fatores naturais que já ajudam (praias lindas, cidades interessantes, música ótima, povo festeiro)?

A pista do festival Mareh, em Boipeba (BA)

Guga Roselli – Acho que a distância geográfica do Brasil para os grandes pólos culturais da música, Europa e EUA, atrapalha um pouco o intercâmbio dos artista. Essa troca é muito rica e fica prejudicada por conta dos custos de viagem e tal. Além disso, os discos, quando entram no país, são taxados, o que eu acho um absurdo! Música e cultura deveriam ser incentivadas, isso também prejudica bem. Mesmo assim, acho que é questão de tempo a conquista desse posto por nós!

Music Non Stop – Descreva a noite perfeita pra você?

Guga Roselli – Noite perfeita pra mim acho que são as noites de Réveillon da Mareh, pé na areia, público cheio de amigos e pessoas interessantes, música selecionada por DJs que amamos, drinques e brisa à la vontê e ainda dá para dar um tibum no mar depois de ver o sol nascer!

Music Non Stop – Como você concilia suas duas profissões, já que DJing exige um certo avanço nas horas noite adentro e um engenheiro normalmente trampa durante o dia?

Guga Roselli – Eu colocaria minhas duas paixões e não profissões! Música e arquitetura! Hoje concilio bem, pois a parte de engenharia eu faço dentro dos eventos de música! Normalmente toco aos fins de semana, vez ou outra durante a semana, então meu dia a dia é no planejamento desses eventos. A curadoria e a engenharia acabam ficando num universo só!

Music Non Stop – Cite três faixas que nunca saem do seu case e por quê.

Guga Roselli – Adoro os clássicos! Pepe Bradock, Deep Burnt; Frankie Knuckles, Your Love e Metro Area, Miura.

Pepe Bradock – Deep Burnt

Frankie Knuckles – Your Love

Metro Area – Miura

MARISCO FESTIVAL
Sábado, 13 de maio, a partir das 14h

MAIN STAGE
CineMarisco + TALKS
Eumir Deodato Quartet
Laid Back LIVE
Red Greg
DJ Nuts
Felipe Venâncio

MAREH ON STAGE
Tahira
Carrot Green
Rafael Cancian

Domingo, a partir das 14h

MAIN STAGE
CineMarisco + TALKS
Black Rio Band
Crazy P LIVE
Chez Damier
Selvagem
Joutro Mundo

MAREH ON STAGE

Eric Duncan
Roger Weekes
Balako
Saideira LIVE

Preços: R$ 90 (1 dia) e R$ 170 (2 dias)

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