Fernanda Abreu e From House to Disco - Da Lata 30 Anos Fernanda Abreu e a dupla From House to Disco. Foto: @isabelleandrad_prod/Divulgação

1º remix para ‘Garota Sangue Bom’ encerra celebração de 30 anos de ‘Da Lata’

Flávio Lerner
Por Flávio Lerner

Clássico de Fernanda Abreu ganhou roupagem houseira pelas mãos da dupla paulistana From House to Disco

Um dos maiores clássicos de Fernanda Abreu — e, consequentemente, da música eletrônica/pop brasileira —, Garota Sangue Bom nunca havia sido remixado oficialmente por ninguém. Até o último dia 13. Na data, o duo paulistano From House to Disco teve a honra de lançar o primeiro remix para a canção, original do seminal álbum Da Lata, de 1995, pela EMI/Universal Music Brasil.

A track é o último capítulo de uma série de iniciativas de Abreu para celebrar os 30 anos de Da Lata. Em 1º de novembro, o disco foi relançado em vinil, pelo Clube do Vinil (também da Universal Music); no dia 08, a estreia do documentário Fernanda Abreu – Da Lata 30 Anos, dirigido por Paulo Severo, repleto de imagens de bastidores e entrevistas, rolou no Festival de Cinema do Rio; e logo na sequência, um livro homônimo, com recortes de textos da época e novas contribuições, entrou à venda pela Cobogó.

Ao Music Non Stop, a Garota Carioca explica por que resolveu lançar apenas um remix, em vez de uma reedição completa do álbum:

“Em 2021, lancei o álbum 3o Anos de Baile, com 13 faixas remixadas por 14 DJs. Todos homens. Para este projeto, e especialmente para ‘Garota Sangue Bom’, que fala da mulher e que nunca teve uma versão remixada, quis convidar mulheres DJs produtoras e adorei a sugestão da dupla From House to Disco, feita pelo meu amigo DJ Meme“.

Meme também é amigo — e mentor — de Bruna Ferreira e Lívia Lanzoni, que formam o FHTD. Assim, feita a ponte entre as três, surgiu esta versão, em pegada clássica houseira, de uma faixa icônica.

“Foi uma honra enorme termos sido convidadas para um projeto tão especial e poder trabalhar ao lado de uma artista que é referência para toda uma geração. Dá aquele frio gostoso na barriga colocar as mãos em um hit que marcou a carreira da Fernanda, ainda mais uma faixa tão bem-produzida na versão original”, explicam Bruna e Lívia à reportagem.

“Foi um desafio grande, mas também muito inspirador. Ficamos muito felizes com o resultado final e, principalmente, com o fato de a Fernanda ter gostado. Para nós, isso vale tudo.”

“O processo foi muito leve, criativo e generoso. Ela nos deu liberdade total para criar e experimentar, o que, para nós, diz muito sobre a confiança e a visão artística dela. Nos encontramos no estúdio do Meme, no Rio, mostramos uma base de beats, explicamos a nossa visão e o caminho estético que queríamos seguir. Ela entendeu na hora, adorou, e dali seguimos para a produção final. É uma artista extremamente inteligente, sabe muito de música e, ao mesmo tempo, é muito generosa. Ter essa liberdade criativa vindo dela fez toda a diferença”, finalizam as produtoras.

Da Lata

Lançado em julho de 1995 pela EMI [hoje, Universal Music Brasil], Da Lata é o terceiro álbum de estúdio de Fernanda Abreu, produzido por Liminha e Will Womat — do grupo britânico Soul II Soul —, e repleto de colaborações de nomes célebres da música brasileira, como Herbert Vianna, Fausto Fawcett, Laufer e o próprio DJ Meme.

Bem-recebido por público e crítica, o disco emplacou quatro singles [incluindo, claro, Garota Sangue Bom] nas rádios, recebeu o Disco de Ouro da ABPD [por vender mais de cem mil cópias] e foi lançado no mercado europeu, iniciando o processo de internacionalização da carreira da cantora.

Conforme explica o músico Charles Gavin [ex-baterista dos Titãs] no release oficial de imprensa dos 30 anos do LP,

“Deliberadamente, Fernanda Abreu abordou temas sensíveis, culturais e sociais, sob outros ângulos, ressignificando ideias e situações comumente associadas à miséria, pobreza, carência, precariedade e até à falta de amor-próprio do brasileiro, nomeada ‘complexo de vira-lata’ por Nelson Rodrigues.

Assim como a carioca Nara Leão, que abraçou e redimensionou a música do morro, colocando-a nos palcos da zona sul do Rio, Fernanda Abreu tomou para si o batuque reinventado no subúrbio e na favela carioca, promovendo seu diálogo com samplers, drum machines, sequencers e demais avanços da tecnologia de ponta que haviam surgido”.

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Flávio Lerner

https://flaviolerner.medium.com/

Editor-Chefe do Music Non Stop.