Cenas icônicas do cinema Imagem: Reprodução

Cinco cenas icônicas do cinema que não estavam no roteiro

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Quando o erro ou o improviso saíram melhor do que a encomenda

A imagem já está gravada nas mentes de todo mundo que gosta de cinema: quando algo dá errado e sai fora do planejado no roteiro, como um problema no cenário, um acidente ou mesmo uma fala errada de um ator, o direto berra “cortaaaaa”, passa uma baita bronca em cima de todo mundo e manda fazer tudo de novo. Há casos em que algumas cenas foram regravadas dezenas de vezes, até que o diretor da película a considere perfeita. No clássico filme Luzes da Cidade, Charlie Chaplin chegou a gravar 342 takes da mesma cena, até se dar por satisfeito.

Mas não é sempre assim. Principalmente quando, na equipe, há diretores e atores geniais. Algumas cenas icônicas do cinema foram fruto de incidentes ou erros, e acabaram ficando melhores do que o plano original. As histórias por trás destes “erros” acabaram se tornando verdadeiras lendas na mitologia da sétima arte, ensinando a novos diretores a lição de que, às vezes, é bom pensar duas vezes antes de mandar que todos parem.

Django Livre: Vai com sangue mesmo

Na longa cena da negociação entre os personagens Calvin Candle (Leonardo DiCaprio), Dr. King Schultz (Christoph Waltz) e Django (Jamie Foxx), Di Caprio acidentalmente quebra um copo em cima da mesa, cortando a mão, que começa a sangrar imediatamente. Em vez de parar a atuação e correr para o departamento médico, o ator decide seguir com as suas falas, em uma cena que ainda duraria vários minutos. Seus colegas entendem o movimento, e todo mundo se mantém no papel enquanto a mão esquerda do ator vertia sangue, dando ainda mais dramaticidade ao que vemos no resultado final de Django Livre.

O Poderoso Chefão: Não esquece o cannoli!

Uma das falas mais lembradas de O Poderoso Chefão simplesmente não existia no roteiro. Na cena, o capanga Clemenza, interpretado por Richard Castellano, leva um dos traidores de Don Corleone a um matagal para assassiná-lo. Depois de terminar o serviço, com o defunto no carro, na posição do motorista, Castellano se vira para seu ajudante, inventando a frase “deixe a arma, pegue o cannoli”. Graças a ele, todos hoje sabem que um italiano de verdade não desperdiça uma boa sobremesa.

O Cavaleiro Solitário: Cadê a bombinha?

É importante que as novas gerações saibam que, antes de Joaquin Phoenix, a franquia de Batman teve outro Coringa tão genial quanto, interpretado por Heath Ledger. Foi a graças a este brilhante ator que seu estúdio conseguiu economizar uma baita grana ao não ter de refazer uma cena importantíssima do filme: o momento em que o vilão explode um hospital inteiro. Quando o personagem sai do prédio com um detonador na mão, a explosão planejada na locação falha. Ledger então improvisa, fazendo cara de desentendido. Depois de alguns segundos mantendo a cena em pé, os explosivos finalmente funcionam, dando um baita susto no ator, o que deixou tudo ainda mais legal.

O Iluminado: Here’s Johnny!

Inacreditavelmente, a cena mais famosa do clássico de terror O Iluminado, de Stanley Kubrick (e uma das mais populares da história do cinema), não existia no roteiro original. Quando o personagem de Jack Nicholson fica louco de vez, sua esposa corre para o apartamento em que vivem dentro do hotel, com o filho, e tranca a porta. No script, era para Nicholson abrir a porta a machadas. Só que, mesmo depois vários golpes, o ator conseguiu abrir somente uma fresta na madeira. Nicholson improvisou. Meteu a cara no buraco e falou “here’s Johnny”, uma alusão ao modo como o humorista Johnny Carlson se apresentava em seu programa de TV.

Encontros e Desencontros: Conversa ao pé do ouvido

Na cena final do filme estrelado por Bill Murray e Scarlett Johansson, não havia diálogo. Mas tá bom que Murray deixaria de dar um abraço de despedida na colega e não deixar sua marca. Enquanto se abraçam, no meio das ruas de Tóquio, O ator decide, por conta própria, falar um monte de coisas no ouvido de Johansson. Como as falas não estavam previstas, não havia microfone no set. Resultado? Além de ter criado um dos finais mais lindos da história do cinema, até hoje ninguém sabe o que é que ele disse no ouvido da atriz. Existem até foruns de discussão na internet em que o pessoal tenta ler os lábios de Bill para transcrever sua fala.

Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.

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