Allianz Parque Foto: Reprodução

Allianz Parque se consolida como arena de shows mais relevante da América do Sul

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Segundo relatório da Pollstar, estádio do Palmeiras foi o lugar que mais recebeu público e vendeu ingressos para espetáculos musicais no último ano

Alô, seu prefeito! Quer incluir sua cidade no mapa das turnês internacionais na América do Sul? Invista em uma arena de shows! Segundo o relatório South America, assinado pela empresa de estatísticas e negócios do mundo entretenimento Pollstar, a construção de grandes espaços para receber apresentações é a principal responsável pelo aumento de viagens de medalhões da música ao continente. São Paulo é prova disso. A cidade colocou o Allianz Parque como o espaço que mais recebeu público e vendeu ingressos para shows em todo o continente sul-americano no último ano.

Moderno, aberto para negócios com as maiores produtoras de shows do mundo e absurdamente bem-localizado, o reformado estádio do Palmeiras realizou, entre 1º de dezembro de 2024 e 30 de novembro de 2025, 33 shows (14 gringos e 19 brasileiros), levando mais de 1,3 milhão de pessoas em suas dependências — três vezes mais do que o segundo colocado entre os sudamericanos, o Estádio El Campín, de Bogotá.

Nossos vizinhos, aliás, não estão dormindo no ponto. Cidades como Medellín (também na Colômbia) e Assunção (Paraguai) estão correndo para terminar suas primeiras arenas e disputar shows de grandes artistas em seus países, como fizeram recentemente Lima (Arena 1), no Peru, e Montevidéu (Antel Arena), no Uruguai. Bastou cortar a fita inaugural e o público das duas nações passou a receber shows de grande estrutura.

De olho em um mercado visto como emergente, as prefeituras estão elevando seus projetos com conceitos que vão muito além de uma nova construção. Lima amarrou todo o hype de sua nova arena a um programa turístico que envolve a promoção da gastronomia local, famosa mundialmente.

Em Medellín, o projeto envolve a revitalização de toda a área em torno da arena, no bairro de Sabaneta, incluindo a construção de condomínios residenciais e hotéis. A ideia é trazer turistas, e não somente atender ao público colombiano, que tem Bogotá como o atual único polo de grandes shows internacionais.

Vai faltar data na agenda dos artistas para tanta arena, claro. Mas por outro lado, mais atrações internacionais e produtoras voltarão seus olhos para a América do Sul, que ainda é vista como uma área carente de infraestutura. Carlos Geniso, produtor de nomes como Coldplay, Paul McCartney, The Rolling Stones e Rosalía, explica:

“É preciso reforçar a infraestrutura. Muitos artistas têm determinações muito específicas de como seu show deve ser produzido. E o show de um grande mercado (como Europa e Estados Unidos) não pode ser diferente do que é feito em um mercado secundário. É preciso que haja estrutura para a mesma qualidade e as mesmas necessidades para todos os públicos. Mas a coisa está se desenvolvendo aos poucos. Acho que em cinco ou seis anos, a América do Sul estará pronta”.

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.