a rappher Hanifah

“A arte nasce na atenção” – em entrevista, Hanifah nos conta seu mantra e comenta sobre seu recém lançado EP Vivências, com produção de Edu Chaves e participação de seu pai, o DJ KL Jay

Por Maravilha

Após o lançamento de “Alma”, single que conta com a participação de Sadiki, a cantora e compositora Hanifah lançou no último mês seu novo EP intitulado “Vivências”.

O EP conta com 5 faixas que passeiam pelo R&B e pela Soul music, todas produzidas por Edu Chaves, residente da Zona Leste de São Paulo que vem trabalhando com Hanifah desde 2020.

Hanifah teve a intenção de fazer um EP rápido, leve e objetivo, com músicas curtas que contam algumas de suas vivências nos últimos tempos, explorando mais o tom grave natural de sua voz, trazendo também uma junção inédita logo na faixa título que conta com a participação de seu pai, o DJ e produtor Kl Jay.

Conversamos com a artista pra conhecer mais sobre seu trabalho, influências e o processo criativo do EP, confira:

MNS O que marca o início da sua historia com a música?

Nossa, ninguém nunca me fez essa pergunta! Eu cantava na igreja quando era pequenininha e essa fase me marcou muito porque o que eu tinha as cantoras de música gospel como inspiração. Quem me levava pra igreja era minha mãe e ela comprava os CDs das cantoras do momento, eu ficava ouvindo, lendo os encartes e aprendendo as músicas pra depois executar na igreja…  Foi onde eu comecei a entender a minha voz e o que era cantar. Depois comecei a ter mais vivências com meu pai, e fui pra um outro lado, ele começou a me mostrar muita coisa da música preta, não que o gospel não seja música preta. Mas eu comecei a ter mais vivências relacionadas ao hip hop, ao RB, ao rap. Ele me ensinou bastante sobre produção e sobre artistas do Brasil também, tive contato com o samba também… E foi aí que eu comecei a ter uma intimidade maior com música, onde eu percebia os elementos, conhecia os artistas, comecei a entender mais sobre produção musical, samples… Então foi uma mistura, essa parte da igreja e depois as vivências com meu pai, e até hoje eu aprendo muita coisa com meu pai. Tenho minhas pesquisas também, adoro ouvir novos artistas, vivo em constante aprendizado com a música.

MNS O que te movimenta a criar, compor e cantar?

O que mais me move são os detalhes. Tem uma frase de uma cantora que me marcou muito:  “a arte nasce na atenção”.  Então quando a gente presta atenção nos detalhes, em coisas banais e grandes também, que nasce a semente que pode nos levar a criar. Eu me sinto inspirada pelo que eu tenho me tornado, pelo que eu tenho vivido. Eu gosto de retratar na música muitas experiências minhas , algumas até de outras pessoas… Então, tudo isso, a arte em si me move a querer executá-la. A arte é muito preciosa. Quando a gente entende a raiz e tudo que a arte engloba… Eu me sinto muito honrada de ter descoberto esse ofício, porque a gente nasce artista mas a gente vai se descobrindo e se entendendo… E respeitar esse processo é muito importante, como conseguir produzir, colocar pra fora, mesmo nesse contexto tão difícil e complicado. É importante ter respeito com a arte.

Hanifah

foto: divulgação

MNS Quais são suas influências na música hoje?

Tenho escutado bastante a Billie Eilish, principalmente o single Your Power. Muita gente a critica, eu acho ela genial, uma menina-mulher muito brilhate. Por ela ser tão nova com um olhar tão grandioso… Tenho ouvido muito Youn, uns meninos do Rio que são demais, um trabalho muito precioso. To ouvindo bastante o disco novo do Djonga, gosto dele demais, um trabalho de muita exposição e muita coragem. Alguns que são também essenciais pra mim: o Pharrel, quem me conhece sabe (risos) o Tyler, as meninas do R&B Kali Uchis e Janie Aiko me inspiram de mais também. Tem o Lucky Daye também, que faz r&b.

MNS Conta pra gente um pouco do processo que foi criar o EP Vivências?

Olha, foi um processo muito natural e por incrível que pareça foi rápido, eu até fiquei surpresa porque foi muito natural. Eu trabalhei com o Edu Chaves, eu trabalho com ele desde 2020, um querido, produtor talentosíssimo, e logo no inicio do ano ele veio me desejar feliz ano novo e me mandou uma pasta cheia de sons. Eu não tava pensando muito em escrever, até porque eu tinha lançado um trabalho recente com ele, mas ai quando ele mandou as instrumentais eu comecei a ouvir e pensar em temas que eu achava que tinham a ver com as músicas e fui escrevendo. Enquanto eu escrevia eu já gravava, fui desenvolvendo a temática do EP e quando percebi estava pronto. Esse EP veio e eu aceitei. Eu fiquei super feliz em falar de algumas experiências minhas, detalhes que prestei atenção principalmente em 2020, foi muito bom e leve. Foi muito massa também trabalhar com meu pai, foi a primeira vez que a gente criou algo juntos (a primeira faixa), foi muito inspirador. O trabalho com o Sadiki também, nossas ideias bateram muito pra escrever a música “Alma”. Ter conseguido concretizar esse projeto é uma grande conquista pra mim.

MNS Como você percebe a cena da musica nacional atualmente?

Falar de musica aqui no Brasil é meio complicado, porque temos um caminho muito grande pro progresso mas vejo uma limitação muito grande também porque a massa parece valorizar apenas um tipo de musica, cultura, enfim, e isso é meio complicado pro tanto de artista grandioso e a diversidade que tem aqui. Vejo que existe uma tendência muito forte pra que exista um progresso e uma evolução mas as pessoas se baseiam muito em números, é complicado, é uma gangorra. Por isso acho que é muito importante a gente valorizar artistas independentes, é muito importante a gente desenvolver um olhar mais aberto pra cena musical nacional.

MNS Como você se definiria como artista?

Como aprendiz (risos). Por que eu prezo muito pela evolução. Então eu sei que não sou a mesma de 3 anos a trás e não quero ser a mesma que eu sou hoje daqui a três anos,  então eu diria que eu sou uma artista aprendiz porque eu gosto de aprender, eu quero aprender, acertando ou errado, eu quero aprender.  

MNS Quais são seus próximos planos que pode compartilhar com a gente?

Por enquanto algo meu solo eu não tenho em vista, provavelmente eu dê um tempo, mas tenho algumas participações pra entregar de músicas muito boas, com alguns artistas já conhecidos e outros que são independentes e tão começando, e devem se concretizar esse ano.

Hanifah

Hanifah – foto: divulgação

Seu primeiro EP foi lançado em 2019. A artista já lançou dois clipes: PRA MIM (2019) e ALMA (2021). Hanifah fez alguns shows em 2020 nas Casas de Culturas da região Norte e Leste de SP no formato de lives apresentando o Projeto Sempre No Corre ao lado do pai, o DJ KL JAY. Agora em 2021 ela chega com novo EP intitulado VIVÊNCIAS pelo selo musical KL MÚSICA, com distribuição da Believe Music.

Maravilha

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Maravilha é uma colecionadora de sonhos e sons que são a matéria prima para sua caminhada na música como DJ, musicista, produtora musical, musicóloga e produtora cultural. Aqui no portal escreve e reflete sobre música brasileira e toda a sorte de grooves. Paralelamente a música, toca projetos pessoais como artista visual, é uma das idealizadoras, diretora criativa e curadora do Festival Delas - Mulheres na Arte, que acontece no interior de SP, e colabora com a direção criativa e programação do canal Uh!Manas.TV

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