A história da dupla que saiu dos trens cariocas para milhões de visualizações no Youtube. Falamos com YOÙN

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Por Maravilha

Os artistas GP e Shuna, que começaram se apresentando em linhas de trem cariocas, lançam o clipe de Besteira. Música percorre entre o R&B e ritmos brasileiros com clipe recheado de referências afro futurísticas

YOÙN – duo de Nova Iguaçú, RJ, formado por GP e Shuna, vem chamando muita atenção pela forma de criar e cantar suas historias e melodias. Os artistas, que se conheceram na infância, em 2017 passaram a se apresentar nas ruas e linhas de trem cariocas e, após ficarem conhecidos pelas ruas do Rio, agora conquistam a internet com sua música que é recheada de poesia, trazendo em sua identidade o R&B, o house e o jazz misturados a ritmos brasileiros e urbanos cariocas.

Depois de bater 1M de visualizações com o clipe de “Meu grande amor“, na última semana YOÙN e Gilsons lançaram, pelo selo carioca Joint, o single e o clipe “Besteira” em todas as plataformas digitais. Com produção musical de Carlos do Complexo, a música transita por ritmos como jazz, house e afoxé brasileiro, com letra que reforça a importância de deixar de lado o que os outros pensam e dizem, e de ser alegre e agir livremente como desejar. Já no vídeo, afrofuturismo e ancestralidade são as principais referências da direção de Philippe Rios.

Inspirados nas linhas melódicas e harmônicas de Djavan, os músicos Gian Pedro e Shuna, do YOÙN, bebem da fonte do artista brasileiro para suas criações: “Sempre tivemos a célula brasileira como identidade e também inúmeras referências musicais do jazz ao clássico. Com essa ideia de misturar os elementos, pensamos nessa parceria com nossos irmãos dos Gilsons”, explicam. “Gilsons + YOÙN é uma mistura de linguagens, de universos. Nós levamos a brasilidade, os tambores, o violão e eles seguem na linha da música afro-americana moderna e jazzística, que também é uma influência pra gente”, complementam Francisco, João e José Gil, os Gilsons.

Com participação de Mwuakaa, Os22 do Passinho, Pedro Bonn, Rahiza Santos, Thaise Santos e Waguin, o clipe traduz a ancestralidade da juventude negra em arte com talentos locais – uma marca dos artistas que valorizam o que o Brasil e as ruas têm a oferecer. As diversas referências ao passado e ao futuro são transmitidas pelas danças, instrumentos, cores e figurinos. “Contrapondo os demais clipes do Yoùn, em “besteira” os artistas são apresentados em uma indumentária atípica do uso cotidiano, além disso, a cenografia quase não conter elementos de cena, fazendo com que a atenção do espectador seja voltada apenas para a interpretação dos músicos. Cor, movimento e alegria são os signos que transpassam a linguagem”, comenta o diretor Philippe Rios.

Sobre YOÙN

Amigos de infância, Shuna (Alisson Jazz) e  Gian Pedro nasceram em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e começaram suas formações musicais na igreja. A união das harmonias vocais e o violino de Gian Pedro, com o violão e guitarra de Shuna, YOÙN cria ponte entre diversas sonoridades ao trazer em sua identidade R&B, rap, jazz, soul e trap. Na carreira, já colecionam parcerias com artistas como Delacruz, Tuyo e também já lançaram o documentário com três episódios “YOÙN – Da Baixada Pro Mundo”.

Conversamos com Shuna e GP sobre o processo criativo do clipe “Besteira” e a trajetoria do duo, confira:

MNS Como vocês se conheceram e o que os levou a trabalhar juntos?

A gente se conheceu na escola, éramos bem novos. A música logo no início, foi o nosso elo. o tempo passou e a vida adulta chegou, e com isso as contas. Com isso começamos a trabalhar juntos nos trens e metrôs do rio. E com isso nossa música foi amadurecendo,  escrevemos algumas músicas como Nova York e Besteira nesse período. O que nos levou a estar juntos!? Sempre ela, a música.

MNS Como a vivência musical no ambiente da igreja e, mais tarde, nas linhas de trem cariocas influenciam o processo criativo e a música de vocês?

O gueto e as periferias sempre respiraram arte e cultura. Mesmo que em muitos momentos esse direito tenha sido negado ou perseguido. Temos exemplos nas escolas de samba aqui do rio, que salvaram muitos, colocando um estriamento em suas mãos. No nosso caso a igreja fez esse papel. Ali podíamos tocar instrumentos que não podíamos pagar até então, isso foi muito importante pro nosso desenvolvimento. Já a rua, ela te dá segurança e a casca que você precisa pra não ter medo dos obstáculos. Trabalhar na rua é cruel, todos os dias o seu dinheiro é conquistado, todos os dias você precisa ser simpático e firme em muitos momentos. O trem trouxe sauce e sagacidade pro nosso som, nos fez homens mais ligados e responsáveis.

MNS Como aconteceu o encontro que gerou a parceria entre Youn e os Gilsons?

Nós dois já curtíamos a vibe dos caras, a sonoridade. Nosso público sempre nos citava juntos, então fizemos o convite através do Carlos do complexo, produtor da faixa. Estávamos num período de pico da pandemia, então nossos primeiros Contatos foram via internet, inclusive a composição também foi feita dessa maneira. Entramos em estúdio, e enfim nos conhecemos. Foi muito interessante estar com eles estúdio, ouvir e ver como eles trabalham, foi uma experiência muito linda pra gente.

MNS O que podem dizer que levarão com vocês da experiência desse trabalho juntos?

Foi a primeira vez que convidamos alguém pra uma parceria. costumávamos trabalhar sempre entre nós dois, com isso estamos aprendendo a abrir mais a cabeça, passar a bola e trabalhar melhor em conjunto. Acho que foi o ponta pé, pra uma vida com muita parceira artista.

MNS Cores, luzes, moda, afro futurismo, afeto, confiança e alegria marcam a música e o clipe Besteira de diversas maneiras. O que imaginaram despertar nas pessoas quando pensaram essas obras? E por que?

Nosso áudio visual é sempre bem tratado, por que amamos ver a obra bem feita do início ao fim. A moda sempre foi uma influência influência em nosso trabalho. Shuna e Rahiza faziam brechós, e garimpos de peças. e com isso vasculhamos por muitas vezes seu acervo. As cores sempre chamaram nossa atenção, depois de trabalhar com Philipe rios esse lado se intensificou. O conceito ancestral e de afro futuro vem de nossas pesquisas e inquietude sobre o mundo preto.

MNS Além disso, o clipe conta com a participação de bailarinos explorando diversas linguagens com o corpo. O que pensam sobre o papel da dança nesse trabalho?

Dançar é uma das formas de expressão que mais amamos. Gostamos dos estilos livres e dos mais clássicos também. Pouco a pouco vamos introduzir a dança no nosso trabalho. Temos a visão do artista com vários braços, uma pessoa multiuso.  Nós presamos por uma performance completa no palco. E a dança junto com teatro, creio que vai nos deixar mais leves.

MNS Qual a visão de vocês sobre o atual momento da produção musical brasileira?

A música brasileira é muito rica em vários ângulos, ritmos, sonoridades, melodias e harmonias. Temos a nossa MPB que é super sofisticada e muito estudada mundo a fora
A produção musical brasileira é super bem vista por outros países, por sua sonoridade e ritmos, nossos instrumentos percussivos pairam por todo o mundo da música. E isso é de se orgulhar.
Nosso momento atual… Estamos em mais um momento de evolução, meio que um divisor de águas pra nossa música, novos artistas chegando com novas propostas e novas ideias, como o nosso próprio trabalho!
Nossa música vem se fortalecendo a cada dia!

MNS Podem nos contar quem consideram as principais influências de vocês na musica/artes?

Nós temos algumas influências musicais brasileiras e internacionais, vamos deixar algumas aqui começando por nosso querido Pai Djavan, que influencia muito em cada frase em cada nota das nossas autorias, temos outras referências:
como Donnie Hathaway, Pj Morton, Common, Tyler The Creator, Smino, Robert Glasper, Jhon Coltrane, etc…

MNS Ancestralidade e afro futurismo perpassam o trabalho e a música de Youn por diversos ângulos. Como percebem as contribuições do povos negro na música que ecoa pelo Brasil?

A música Brasileira em si, tem muito da nossa ancestralidade e o afro futurismo, o Yoùn é um projeto que se iniciou junto com a ideia de trazer um pouco mais dessas vertentes. a nossa pesquisa pelo nome do projeto e musicalmente falando, tentamos sempre trazer um pouco das raízes africanas, afinal a raiz do nosso Brasil é totalmente África!!

MNS Vocês tem planos para 2021 que podem compartilhar com a gente?

Sim, nós temos bons planos e estamos afim de entregar nosso primeiro álbum que a gente vem trabalhando durante todo esse ano.
Estamos afim de entregar o melhor pros nossos ouvintes, e isso demanda bastante tempo, passamos todo o ano de 2020 formulando ideias e produzindo esse nosso primeiro trabalho, estamos ansiosos pra entrega, e esperamos uma boa recepção.

MNS Podem deixar algumas palavras para artistas que estão buscando se manter em movimento em meio ao cenário atual?

ACREDITEM NOS SEUS SONHOS. Não tenha medo de apostar em você! Nós do YOÙN não tínhamos muitas perspectivas de vida. Mas a música nos trouxe isso e muito mais. temos muito que agradecer a Deus sempre a música e a arte. Por nos dar suporte pra entregar muito mais, somos gratos por poder entregar nosso trabalho e música com a qualidade exigida por nós mesmos. DA BAIXADA PRO MUNDO!!!

Não deixem de conferir o clipe “Besteira” com participação dos Gilsons:

 

 

 

 

 

 

 

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