In-Edit Brasil 2026 “Batuques da Fêra”. Imagem: Reprodução

In-Edit Brasil 2026: veja 12 filmes sem sair de casa

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Edição: Flávio Lerner


Programação do festival de cinema musical conta com documentários disponíveis online gratuitamente

Não está em São Paulo? Não conseguiu acionar a rede de suporte para deixar os filhotes? Ou, talvez, prefere um sofá a uma poltrona de cinema? Saiba que dá para curtir parte da programação do festival In-Edit Brasil 2026, dedicado à documentários musicais, sem sair de casa. Desde a pandemia, o evento dedica alguns filmes para serem vistos de qualquer lugar do mundo.

In-Edit Brasil 2026
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Nesta edição, três plataformas de streaming públicas podem ser acessadas gratuitamente entre os dias 17 e 28 de junho para assistir às obras selecionadas pelo In-Edit: Itaú Cultural Play, Spcine Play e Sesc Digital. Em todas, basta criar uma conta no site e escolher seu filme gratuitamente.

12 documentários já estão disponíveis. Confira abaixo, com as respectivas sinopses.

Itaú Cultural Play e Spcine Play

Batuques da Fêra

Uyatã Rayra e Pedro Patrocínio
Brasil | 2025 | 23′

À procura do Batuque Perfeito, o mestre Bel da Bonita se depara com o Samba Rural de Feira de Santana-BA. Entre triângulos, tambores e pés-de-bode, seu trajeto revela uma cidade diversa e peculiar, no Portal do Sertão Nordestino.

Bira Rasta, Eu Sou a Onda

Gregori Bastos
Brasil | 2026 | 25’

Ubirajara Nascimento da Silva, o Bira Rasta, foi um dos principais nomes do reggae no Rio de Janeiro. Do violão escondido na infância ao reggae militante e combativo da Baixada Fluminense, o filme traça sua vida, música e legado, revelando o homem por trás do carisma e da mensagem: “Eu não tiro onda, eu sou a onda”.

Duque de Caxias, O Albergue do Rock

Guilherme Zani
Brasil | 2025 | 21’

Entre amplificadores e corações abertos, o documentário revela como uma casa em Duque de Caxias, na baixada fluminense, se tornou refúgio para bandas de metal de todo o Brasil, construindo uma rede de solidariedade que transcende os acordes pesados.

Gritos de Agonia – Uma História do Movimento Punk Hardcore em Belém do Pará

Márcio Crux
Brasil | 2025 | 107’

Marcada por fortes contrastes sociais, Belém muitas vezes se revela uma cidade dura e implacável. Em um cenário que oferece poucas perspectivas de futuro, um movimento de resistência ocupa ruas, praças e palafitas, enfrentando o provincianismo, a decadência e o abandono, enquanto ecoa gritos de agonia e desespero.

A partir do diálogo entre o contexto histórico e a relação desse movimento com a cidade, o filme reúne depoimentos e valioso material de arquivo para contar mais de 40 anos da cena punk hardcore na capital do Pará.

Hip Hop Caboclo

João Nascimento
Brasil | 2025 | 77’

Road movie em que Gaspar Z’África e o diretor João Nascimento partem em direção às regiões Norte e Nordeste do país, realizando uma investigação poética entre a cultura popular brasileira e o hip-hop.

A partir de encontros com mestres e mestras, o filme revela as raízes, os fluxos e as reinvenções das sonoridades que atravessam o país, misturando ritmos de matrizes africanas e indígenas, cordel, embolada, ladainhas e cantorias.

Nação Hip Hop: Cultura de Rua

Laia Orisa

Brasil | 2025 | 16’

Nação Hip Hop foi o primeiro programa da TV aberta no Brasil dedicado ao gênero. Veiculado pela TV Cultura e Band de Florianópolis, impactou milhões de espectadores, fomentando a cena local.

Ressonâncias

Ana Amélia Arantes

Brasil | 2025 | 25’

A educadora musical Berenice Menegale foi uma das criadoras da Fundação Artística de Belo Horizonte. Aos 90 anos de idade e na ativa, ela mantém seus olhos no futuro e continua difundindo os ideais de liberdade, renovação e direito universal à arte, assimilados por ela desde a infância.

Silêncio na Boiada

Luiza Fernandes

Brasil | 2025 | 20’

Quilombo Liberdade, São Luís (MA). Aqui, vemos como o Bumba Meu Boi da Floresta de Mestre Apolônio atravessou os momentos de silêncio, distanciamento e mortes provocadas pela pandemia do COVID-19.

Apesar deste cenário, o Boi da Floresta encontrou formas de dar continuidade e atualizar as tradições e garantir a sobrevivência de seus brincantes durante a maior crise sanitária mundial do último século.

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Sesc Digital

Arthur, o Gigante

Ivan de Angelis

Brasil | 2025 | 98’

In-Edit Brasil 2026

Imagem: Reprodução

Arthur Maia foi um dos gigantes do contrabaixo no Brasil. Ao lado de artistas como Gilberto Gil, Djavan, Lulu Santos, Ney Matogrosso, entre outros, Arthur se destacou desde cedo no cenário musical do país, fazendo com que o instrumento se tornasse um protagonista nos palcos e estúdios.

Com depoimentos de grandes músicos, amigos e familiares, a trajetória deste grande instrumentista é celebrada nesta homenagem.

Ary

André Weller

Brasil | 2025 | 71′

Misturando ficção e imagens de arquivos raras, Ary Barroso conta, através da voz de Lima Duarte, sua vida, desde a infância em Minas Gerais até os dias de glória no Rio de Janeiro.

Passando pela parceria com os estúdios Disney, campos de futebol e encontros com personagens importantes na vida cultural brasileira, como Carmen Miranda, o resultado é um ensaio cinematográfico íntimo sobre a mente criativa do homem que inventou o Brasil Brasileiro.

Eletronica:mentes

Dácio Pinheiro, Denis Giacobelis, Paulo Beto

Brasil | 2019 | 75′

Uma profunda investigação sobre o desenvolvimento da música eletrônica no Brasil e seus rumos.

Já nos anos 1960, os pioneiros Jocy de Oliveira e Jorge Antunes já faziam seus primeiros experimentos no universo eletrônico. Ao longo das décadas, o avanço tecnológico barateou o acesso a equipamentos e ampliou horizontes, em que gerações de novos artistas buscam possibilidades inéditas de interpretação.

Half Moon

Frank Scheffer

Holanda | 2025 | 91’

A eclosão da guerra na Síria, em 2011, impediu o clarinetista Kinan Azmeh de retornar para casa, dando início a uma jornada íntima sobre o poder transformador da arte. Sua música – entre o clássico, o jazz e a world music – atravessa as camadas da identidade no exílio e se entrelaça com marcos pessoais, como a paternidade. Ao lado de outros artistas deslocados, ele reconstrói em som a memória de um país fragmentado, em uma ode delicada às perdas e à permanência do afeto.

Half Moon é a terceira peça da tetralogia de Scheffer sobre o desaparecimento das tradições culturais e se sustenta pela força de cada história individual e pelos momentos musicais que a atravessam.

Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.