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Amor e notas: 5 casais icônicos da história da música

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Edição: Flávio Lerner


Uma lista especial do Music Non Stop para celebrar este Dia dos Namorados

Amar, no meio musical, não é tarefa das mais fáceis. Muito tempo fora de casa, tentações e excessos, egos inflados e uma eterna preocupação com a imagem e a carreira. Administrar todo esse turbilhão e ainda descolar aquele tempo para se embrenhar no peito alheio é tão difícil que muitos casais acabam quando uma carreira começa a decolar. Mas essa é uma matéria de Dia dos Namorados, essa data feita para vender lingerie, perfume e chocolate, com a desculpa de celebrar o amor. E a gente, claro, entra na onda.

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Contar boas histórias de amor entre artistas é tão raro que se torna até uma coleção de fatos curiosos. A vida não é uma comédia romântica. No entanto, tem momentos de comédia romântica. E para celebrá-los, o Music Non Stop lista cinco histórias fofas, de apertar o coração, de casais icônicos da história da música.

Rita Lee e Roberto de Carvalho

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Não existe casal mais encantador na música brasileira do que o formado pela intensa Rita Lee e o fofo Roberto de Carvalho. Quando deixou Os Mutantes em 1972, Rita estava atrás de um guitarrista para sua banda de apoio. A solução veio através de Ney Matrogrosso, com brinde especial. Além de ter cedido o guitarrista “gato, cheiroso e que tocava feito Jimi Hendrix“, ainda atuou como cupido dos dois.

Após ver um show de Ney no bar Beco, o chamou para jantar, e Matogrosso resolveu fazer uma surpresinha: levar Roberto junto. Já no primeiro encontro, ficaram a noite inteira no piano, grudados. A química saiu do amplificador e foi direto para a vida: viraram casal, parceiros de composição e pais de três filhos. Por mais de 40 anos, dividiram o palco, o estúdio e as manias um do outro — como ela mesma dizia: “Roberto é o único homem com quem não fico nervosa no palco, porque sei que ele resolve qualquer nota errada”.

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Paul e Linda McCartney

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Foto: Linda McCartney/Reprodução

John Lennon não foi o único Beatle que sofreu com um tsunami de machismo quando assumiu a vida artística ao lado da esposa, Yoko Ono. A febre macha com a banda era tanta que Paul McCartney também teve de ouvir muita besteira quando deixou a banda, montou o Wings em 1971 e escalou Linda Eastman, sua garota, mas teclados e votais. A crítica arrasou a moça, chamando-a de diletante, mas Paul jamais cedeu. Tornaram-se parceiros de palco e de vida por 29 anos, criando quatro filhos na estrada. Diz a lenda que, tirando a noite em que Paul foi preso por porte de maconha no Japão, eles jamais dormiram separados — um recorde de simbiose pop.

Carlos Santana e Cindy Blackman

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Lá por 2010, devia ser difícil para o guitarrista Carlos Santana fazer seu show. Afinal, sua grande paixão estava atrás dele, tocando bateria. Que situação! Duas horas sem poder olhar para aquele rostinho lindo. O guitar hero, então teve uma ideia. Assim que Cindy Blackman finalizou um solo avassalador, ele se ajoelhou, caixinha na mão, e pediu-a em casamento diante da plateia lotada. Cindy, conhecida por sua pegada vigorosa no jazz e no rock, aceitou emocionada. É o tipo de pedido que só um músico entende: o melhor momento é depois de um solo matador.

Elton John e David Furnish

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Em 1993, a vida de Elton John não estava fácil. Estava no meio da luta contra os vícios em drogas (lícitas e ilícitas). No processo, precisou encarar a solidão. Como parte do processo de se livrar de relacionamentos tóxicos, organizou um jantar para rever velhos amigos e também conhecer pessoas novas. Sabendo disso, um amigo pediu para levar um publicitário chamado David Furnish, que havia se mudado para a cidade. Furnish não queria ir. Conhecendo a fama de John, imaginou uma festa de excessos e extravagância. Em vez disso, deu de cara com comida tailandesa, cinco pessoas e um anfitrião fofo. Se apaixonou, casaram-se, tiveram filhos e vivem juntos até hoje.

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Gilberto e Flora Gil

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Foi num show dos Mutantes, no Teatro Tuca (Rio). Gilberto Gil estava se separando e notou Flora na plateia, onde também estava. Rolou uma troca de olhares, um papinho no corredor e, discretamente, começaram a namorar. Ela se lembra de um Gil atencioso, caseiro e radicalmente diferente do estereótipo do astro inacessível.

Ela o apresentou à sua família com naturalidade, e ele, por sua vez, passou a integrá-la aos poucos ao seu universo. Em 1981, casaram-se. Foi uma cerimônia íntima, nada midiática. A partir dali, Flora deixou de ser a “fã que conheceu o ídolo” para se tornar a parceira fundamental que ajudaria a construir o Gilberto artista e patriarca das décadas seguintes. Assim nasceu a famosa “família Gil” que todo mundo conhece.

Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.