Bad Bunny Bad Bunny encontrou o papa Leão XIV nesta semana. Foto: Reprodução

Bad Bunny com o papa e outros encontros inusitados

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Edição: Flávio Lerner


Cantor porto-riquenho está longe de ter sido o primeiro músico a se reunir com uma grande liderança mundial

“Debí orar más!” Será que foi isso que Bad Bunny ouviu do papa Leão XIV no encontro privado que tiveram em Madri na última semana? O grande ídolo atual da música latina e o pontificie tiveram um tête-à-tête, a portas fechadas. O encontro faz parte de uma série de reuniões que o papa anda fazendo em suas andanças pelo mundo.

O pedido, segundo divulgou a RTVE (confirmado pela secretaria do Vaticano), partiu da equipe do cantor, que estava na cidade para uma série de dez shows e ficou sabendo que Leão passaria por lá. Bad Bunny levou seus parentes e tirou uma porção de fotos, mas o assunto da conversa entre os dois não foi divulgado.

O encontro entre um grande artista e um papa não é novidade, embora seja inusitado. Na história da música, no entanto, muitos rolês foram igualmente surpreendentes, cada um à sua maneira.

Bono e João Paulo II (1999)

Encontros inusitados

Foto: Reprodução

O encontro entre o vocalista do U2 com o papa João Paulo II no Vaticano, em 1999, foi marcado pela descontração. Bono teve a ideia de presenteá-lo com um de deus óculos de sol. Relaxado, João Paulo simplesmente o colocou no rosto e posou para fotos, rendendo capas de jornal por todo o mundo. Diferentemente da reunião entre Bad Bunny e o papa atual, essa, pelo menos, teve pauta: falar da pobreza mundial e o perdão da dívida dos países em desenvolvimento, assunto que estava em discussão na época.

Papa Francisco
Você também vai gostar de ler O mais contracultural dos papas

Freddie Mercury e Princesa Diana (1988)

Foto: Reprodução

No final dos anos 80, Freddie Mercury, a atriz Cleo Rocos e o comediante Kenny Everett vestiram a Princesa Diana com um casaco militar, boné e óculos escuros e a levaram — anônima — para o Royal Vauxhall Tavern, um famoso bar gay em Londres. Diana bebeu cerveja e passou despercebida enquanto se divertia como uma pessoa comum.

O líder do Queen transformou a realeza em “clandestina” por uma noite. Uma prova de por que Lady Di era um ícone da comunidade queer. A discrição deu certo e não há uma só foto do rolê, confirmado por diversas fontes nas semanas seguintes.

John Lennon, Yoko Ono e Pierre Trudeau (1969)

Em 1969, no auge da campanha pela paz, John e Yoko desembarcaram no Canadá e foram recebidos pelo então primeiro-ministro Pierre Trudeau — pai do atual premiê, Justin. Nada de protocolos, 51 minutos de conversa a portas fechadas onde o assunto era a campanha do casal pela paz, chamada “Give Peace a Chance”. Pelo jeito, todo mundo se entendeu. Mais tarde, Lennon declararia que “se todos os políticos fossem como o Sr. Trudeau, haveria paz mundial”.

Lady Gaga e Dalai Lama (2016)

Foto: Reprodução

Os Dalai Lama são como os papas: chegadinhos em aparecer ao lado de grandes figuras dos entretenimento. O falecido Adam Yauch, dos Beastie Boys, não só visitou como ficou brother de um deles, promovendo shows pela paz ao redor do planeta. Em 2016, Lady Gaga se encontrou com o 14º Dalai Lama (Tenzin Gyatso), o atual líder espiritual do budismo tibetano, durante um evento sobre juventude e altruísmo.

Sem perder a personalidade, ela se ajoelhou para ficar na altura do líder tibetano e fez uma foto com ele. A imagem dos dois sorrindo — ela loiríssima e maquiada, ele de manto laranja — viralizou como um símbolo de que a busca pela bondade pode ter trilha sonora pop e visual irreverente.

+ Participe do canal de WhatsApp do Music Non Stop para conferir todas as notícias em primeira mão e receber conteúdos exclusivos

+ Siga o Music Non Stop no Instagram para ficar atualizado sobre as novidades do mundo da música e da cultura

Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.