Flea - Honora

Honora

Flea

Jazz | 2026

9/10

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Edição: Flávio Lerner

Ícone do contrabaixo elétrico, mestre pululante das performances de palco, desdentado gente boa e um dos poucos baixistas mais relevantes em uma banda do que o próprio vocalista. Esse é o Flea que todo mundo conhece. O que pouca gente sabe é de sua faceta jazzista, bamba do trompete (a ponto de ter tocado na Filarmônica Junior de Los Angeles, ainda criança), apaixonado por Miles Davis e Dizzy Gillespie. Este é o Flea de Honora, lançado dia 27 de março. Um disco maravilhoso.

Por influência do padrasto, Michael Peter Balzary começou a tocar trompete com apenas nove anos. O contrabaixo, que o levaria aos maiores palcos do planeta com o Red Hot Chili Peppers, viria bem depois.

Em seu álbum solo, o músico nos mostra amadurecimento e retorno às origens, em uma obra que nos remete a Coltrane, Sun Ra e o próprio Miles, misturando a sonoridade clássica com o jazz moderno. Antes de dar o play, saiba que não encontrará nada de jazz-rock ou lembranças de RHCP aqui, mas uma ruptura e uma reconciliação com o passado.

Flea não brincou. Projetou um LP palatável tanto para os fãs do Red Hot, a fim de amadurecer no seu consumo musical, quanto para os fãs de jazz. Pensando no primeiro objetivo, convidou Nick Cave (em um lindo cover de James Webb, Wichita Lineman) e Thom Yorke para participações.

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Para ganhar autoridade no cenário jazz estadunidense, montou uma equipe de peso para entrar em campo: Josh Johnson no saxofone e produção, Jeff Parker (Tortoise) na guitarra, Anna Butterss no baixo acústico, Deantoni Parks (André 3000) na bateria, Mauro Refosco (David Byrne) na percussão, Nate Walcott (Bright Eyes) no trompete e teclados e Ricky Washington, pai do seu grande amigo Kamasi Washington, na flauta.

Coeso e feito para ouvir do começo ao fim, Honora é um álbum monstruoso de bom. E nos mostra que envelhecer é bom pra caramba. Resta torcer para que o projeto venha ao Brasil.

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.