Robyn - Sexistential

Sexistential

Robyn

Synth-pop | 2026

7.5/10

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Edição: Flávio Lerner

Metade do sétimo álbum de Robyn, Sexistencial — contando a trilogia de “miniálbuns”, Body Talks I, II e III, como um único lançamento — é um dos melhores trabalhos dos últimos 12 meses. A outra, um compilado de pop adocicado com maquiagem eletrônica.

Otimistas que somos, vamos começar pela parte boa. Sexistencial tem quatro músicas que são um arregaço; um carimbo na cara de todos os que gostam de tecnopop e synth-pop. Como se Gary Numan e Kraftwerk se juntassem para um projeto conjunto, viajando para 2026, onde a tecnologia de produção os permitiria fazer tudo o que lhes viesse a cabeça com tantos novos recursos de engenharia de som.

Blow My Mind, Sucker For Love, It Don’t Mean A Thing (tríade safada, das faixas 3 a 5), adicionadas a Sexistencial e Light Up, são espetaculares. Palmas para a produçao do parceiro de longa data, o também sueco Klas Åhlund.

Quanto ao resto do disco, flutua entre uma tentativa de se modernizar com o pé direito agarrado a uma arataca dos anos 2000 e um mergulho na piscina estética da Lady Gaga. “Ei, calma lá, Jota! A Robyn inspirou a Gaga!” E é verdade.

Robyn começou sua carreira adolescente em Estocolmo, rompeu com a gravadora dez anos depois e seguiu independente, com um selo próprio que cuida de sua discografia até hoje. Foi uma das pioneiras ao aliar eletrônica e pop “triste” e inspira uma montanha de artistas femininas até hoje. Tem de respeitar. Só que existe o outro do lado álbum.

Sexistencial é lançado oito anos após Honey, de 2018. Talvez o tempo tenha sido o problema, obrigando a artista a juntar material composto em diferentes momentos do pop, uma vez que tudo muda rápido hoje em dia. Aqui, preferimos a fase da vida em que se assume uma artista que une experimentação eletrônica a vocais aveludados. A da parte boa do disco. Cinco músicas que funcionam como um cartão de visitas, onde se lê: “respeita, porra! Aqui é Robyn”.

Em um ciclo em que influência e influenciado vão trocando de lugares (falamos disso sobre o novo EP do U2), justamente pela rapidez em que o pêndulo da música tem balançado no stream, rogamos à sueca a segurança de entender que, no terreno do antigroove robótico tão bem executado pelos nórdicos, a cora é dela. E isso a cantora soube mostrar… em meio álbum.

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.