David Bowie como Ziggy Stardust. Foto: Reprodução10 anos sem David Bowie: 5 ícones que representam seu legado
Relembramos cinco grandes “filhos” da lenda do rock que seguiram o conceito de criar diferentes personas em suas trajetórias artísticas
Hoje faz dez anos que David Bowie se mudou para a estrela que criou, morada eterna pós-aposentadoria no planeta Terra. A herança artística que deixou, no entanto, o faz mais vivo do que nunca. Muito mais do que uma marca, ou um legado musical, o inglesinho de dentes tortos e olhos bicolores, nascido em Londres logo após o fim da Segunda Grande Guerra, nos deixou um estratagema, uma cartilha de como conduzir uma carreira artística garantindo o que é mais caro a quem faz música: a liberdade.

Qual foi a saída de mestre encontrada por ele, nos primeiros anos de sua carreira? Inventar personagens e e representá-los, tanto nos discos quantos nos palcos. Unindo literatura e música na criação, cada um tinha um história pregressa, um missão na vida e, principalmente, uma personalidade diferente. Começou com o astronauta Major Tom, em 1969, passou pelo lendário Ziggy Stardust e não parou mais, entregando-nos, pouco antes de sua morte, um profeta cego, sem nome, no álbum Blackstar. Para muitos, uma despedida bastante bem planejada, já que Bowie sabia que não tinha muito tempo de vida.
A receita caiu uma luva para artistas que vieram depois, chegando a extemos como Slim Shady, uma persona de Eminem que, com o perdão do colóquio, só falava merda. Em entrevistas, quando questionado sobre como podia ser tão politicamente incorreto e acido, o rapper manda a clássica “aquele não era eu, era o Slim Shady”. Touché.
Além de Eminem, muita gente adotou a cartilha Bowie para se dividir em vários seres diferentes sem se comprometer com nenhum deles. Uma tática teatral que permite, para nossa alegria, ser totalmente livre, na hora de criar.

Björk
A islandesa mais querida do mundo foi a que mais se inspirou em David Bowie no que diz respeito aos álbuns personalizados em que música, tema das letras, figurino e cenários dos palcos confluem para um mesmo conceito. Em cada obra, Björk encanava diferentes personas: uma guerreira tribal (Volta, 2007), uma anciã da floresta (Fossora, 2022), uma viajante cósmica (Biophilia, 2011) e, por aí vai. Tudo milimetricamente pensado para ativar todos os sentidos em busca da mesma mensagem.
Prince
O gênio do R&B, como era de costume em sua vida, trouxe a receita de David Bowie para uma experiências radicais, com estratégias nunca vistas no mundo da música pop. Além de adotar aromas semiautobiográficos em algumas de suas personas, Prince pretendeu levar a coisa a outro nível. Chegou, por exemplo, a criar uma persona feminina para si mesmo, chamada Camille.
Na última fase de sua carreira, foi além, criando uma espécie de despersonalização total. Não aceitava mais ser chamado pelo antigo nome, e adotou um símbolo misterioso e ilegível como alcunha, a ponto de ser referido, nos veículos de imprensa, como “o artista antes conhecido como Prince”.

Madonna
Embora mais visual e menos conceitual do que a colega Björk, Madonna surfou no jeito Bowie de criar personas para seus álbuns, cada qual direcionado a uma febre diferente. A artista passou pela supererotização de sua imagem, pela espiritualidade, o hedonismo disco e a garota provocadora do pop. Deu muito certo.
Tyler, the Creator
Tyler, the Creator usou a estratégia para, de certa forma, amadurecer publicamente. Seus personagens funcionam como uma máscara, para dizer o que vem na telha sem que a flecha atinja o âmago intocável. Assim, se ocultou atrás de personas como Goblin, emocionalmente perturbado, Flower Boy, mais introspectivo ou IGOR, erotizado e romântico.
Lady Gaga
Altamente “visual”, principalmente em figurinos e maquiagens, Lady Gaga se inspirou claramente na forma com que Bowie conduziu suas personas durante a carreira. Com isso, discutia os temas que, para ela e os fãs, eram relevantes. Discutiu a efemeridade da fama, os medos e angústias do ser humano, encarnou uma deusa caótica do hedonismo e, assim como Prince, criou para si um alter ego do gênero oposto, chamado Jo Calderone, com licença poética para ser até mesmo (e de forma irônica, claro) machista.




