Miley Cyrus tem horror a papel. Foto: Ethan James Green/ReproduçãoDe “medo” de papel a superstições incomuns: as peculiaridades dos artistas
Todo mundo tem suas idiossincrasias, mas, alçados ao patamar de astros, alguns músicos realmente deram trabalho para seus contratantes
Todo mundo tem suas manias, superstições ou medo de alguma coisa aparentemente inofensiva, em maior ou menor grau. No caso de grandes astros da música, o negócio ganha uma pimenta extra. Acostumados a fazerem longas listas de exigências para se apresentar, esses artistas passam todo o trabalho para a conta dos produtores de shows, que precisam se adaptar às suas neuroses.

Como lidar, por exemplo, com um alguém que tem horror a papel? É o caso de Miley Cyrus. Em recente entrevista ao programa de Jimmy Kimmel (via Stereogum), a cantora contou que tem vontade de vomitar quando vê alguém mexendo impressos! Ela não toca nas cartas que recebe de fãs, pede para outras pessoas abrirem os pacotes de compras que recebe em casa e só lê livros se estiverem digitalizados em um tablet. A história veio à tona quando Cyrus viu um bloco de notas sobre a mesa de Kimmel, e começou a ter náuseas ao vê-lo manipular o caderninho.
Para além da estranha ojeriza por papel de Miley, a curiosa lista que o Music Non Stop preparou para você traz as mais peculiares manias (ou fobias) de astros brasileiros e internacionais.
Tim Maia
O mais problemático astro da música brasileira não permitia que nenhum motorista passasse dos 60 quilômetros por hora enquanto ele estivesse dentro do veículo. Um problema que, associado a outro, seu medo de altura, causava sofrimento aos músicos que o acompanhavam, já que, mesmo em viagens para outros estados, o micro-ônibus que levava a banda não podia ultrapassar o limite de velocidade imposto pelo cantor.

Nelson Motta, então diretor artístico da boate Noites Cariocas, no alto do Morro da Urca, se esqueceu de suas manias quando contratou Tim Maia certa vez para tocar. O local só podia ser acessado por teleférico, o famoso bondinho do Rio, e apesar de ter marcado o show, o cantor chegou ao local e se recusou a subir no treco, alegando que não aguentaria seu peso.
Foi um desespero. Os quatro mil ingressos haviam esgotado rapidamente, o show já estava mais de duas horas atrasado e o povo, quase revoltado, não parava de gritar seu nome lá em cima enquanto Tim, empacado na Praia Vermelha, se recusava veementemente a embarcar. Quando Motta pediu por telefone para que Maia não cancelasse, o músico deu uma ideia estapafúrdia: “Como a gente é amigo, eu faço o show. Desce todo mundo daí que eu toco aqui embaixo”.
Para sorte de todos, com muita lábia e bastante uísque, Nelson convenceu Tim Maia a subir no bondinho. De olhos fechados.

João Gilberto
Quando o produtor Pena Schimdt contratou João Gilberto para tocar no Credicard Hall, em São Paulo, sabia que a tensão faria parte do processo. Perfeccionista ao extremo (o que acabou se traduzindo em um diagnóstico de Transtorno Obsessivo Compulsivo no final da vida), João era “chato” demais com a qualidade do som e do espaço, a ponto de cancelar shows, ou reclamar publicamente neles. Isso porque, em seu palco, utilizava somente uma cadeira, um microfone e um tapete.
O gênio da bossa-nova chegou a atrasar um show por quatro horas nos Estados Unidos porque não gostou da cadeira. Schmidt sabia do que havia acontecido nos EUA, e entrou em contato com um colega produtor de lá, responsável por um show de Gilberto em que tudo havia dado certo, sem atrasos. Peninha soube então que um marceneiro japonês, mestre em cadeiras, havia confeccionado a que o músico usou (e elogiou) naquela ocasião.
A solução? A casa mandou uma passagem de avião Tóquio–São Paulo para que o marceneiro viesse de lá com duas opções de cadeiras confeccionadas por ele. Quando João Gilberto se deparou com o asiático, ficou impressionado com o cuidado da produção em atender suas exigências, e se apresentou sem muitos problemas.

Ele também era encanado com barulho. Parava o ensaio se alguém estivesse fazendo qualquer ruído por perto. Tanto em sua casa, quanto nas gravadoras, só escutava música no volume mínimo.
Roberto Carlos
O grande lance de Roberto Carlos é a superstição, transformando a vida de quem trabalha nos bastidores em um inferno. O cara é encanado com tudo: não fica em quartos de hotel no 13º andar ou que tenham o número 13 na porta. Também não marca shows ou assina contratos no dia 13. Na gravação do histórico Acústico MTV, obrigou os diretores a mudar todo o roteiro de última hora porque só aceitava sair da emissora e dos camarins pela mesma porta em que havia entrado.
O negócio esquenta mais ainda no que diz respeito a cores. Só usa azul ou cores claras, e a exigência se estende a outras pessoas. Certa vez, ao encontrar a atriz e amiga Lúcia Veríssimo no aeroporto, ignorou-a quando ela foi cumprimentá-lo. Mais tarde, no mesmo dia, o produtor de Roberto ligou explicando que o cantor pedia desculpas, mas que não pôde falar com ela porque ela estava com roupa marrom.

Michael Jackson
O astro tinha pavor de germes, ou de se infectar com qualquer doença quando estivesse fora de sua casa. Já usava máscara e falava com sua equipe sobre epidemias muito antes da covid-19. Tinha uma longa e complexa lista de exigências para os contratantes, chegando a pedir para trocar constantemente talheres e outros objetos em quartos de hotel e camarins.
Michael Jackson também usava luvas quando estava em público e evitava qualquer tipo de contato físico. Em alguns hotéis, chegou a exigir uma cama hiperbárica, uma espécie de estufa onde o artista podia dormir respirando oxigênio 100% puro. Mas isso não acontecia sempre.
O que invariavelmente fazia parte de sua lista de exigências para hotéis eram colchões novinhos em folha, lençóis de algodão egípcio, iluminação sempre indireta e espelhos cobertos nos quartos.

Barbra Streisand
Em 1967, durante um grandioso show no Central Park, nos Estados Unidos, Barbra Streisand esqueceu a letra de uma de suas músicas. A vergonha, aliada ao perfeccionismo extremo que a cantora já cultivava, a tirou dos palcos por incríveis 27 anos. Streisand perdeu toda a confiança em cantar em público, desenvolvendo o que é chamado de glossofobia.
Enquanto isso, continuou compondo e atuando em filmes, ganhou prêmios e ficou famosa, mas sem agendar um único show. A parte emocionante da história é que ela conseguiu vencer o trauma, finalmente voltando aos palcos em dois shows no hotel MGM, em Las Vegas, acompanhada de uma orquestra de 64 músicos, no Réveillon de 1994. Para que nada desse errado, controlou absolutamente tudo: disposição de palco, iluminação e detalhes do camarim, para que nenhum gatilho pudesse disparar a ansiedade e impedi-la de cantar. Deu certo. Em 1994, emendou uma turnê com 26 shows para tirar o atraso!



