Laufey - bossa nova Laufey. Foto: Reprodução

De Air a Laufey: 10 músicos gringos que mandam bem na bossa nova

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Até hoje, uma porção de cantoras e cantores apela para o gênero criado nos apartamentos e bares da Zona Sul do Rio de Janeiro

Dia 21 de novembro de 1962, o camarim do Carnegie Hall, em Nova Iorque, era uma confusão só. Prestes a subir ao palco, um time formado por Tom Jobim, João Gilberto, Carlos Lyra, Sérgio Mendes, Luiz Bonfá, Oscar Castro-Neves, Roberto Menescal, Agostinho dos Santos, Milton Banana e Octávio Bailly Júnior não se entendia. O som estava estranho, mal balanceado, os artistas haviam ensaiado pouco e não estavam acostumados a grandes palcos. A apresentação fora organizada pela embaixada brasileira para divulgar a nova geração de músicos brasileiros e uma tal de bossa nova, um gênero musical que já estava chamando atenção da comunidade do jazz há alguns anos, quando mestres como Charlie Byrd e Herbie Mann viajaram para cá, se apaixonaram pelo som e levaram a novidade para os colegas estadunidenses. O show passou longe de ser perfeito, mas foi definitivamente histórico.

A partir dali, o estilo deixou de ser um segredo da comunidade jazzística e ganhou o coração do público. Primeiro nos Estados Unidos, e depois no mundo inteiro. Com sua levada cool, um ritmo contagiante e um jeito todo introspectivo de cantar, despertou a atenção de muitos artistas internacionais.

Começando pelo maior dos Estados Unidos naqueles tempos, Frank Sinatra. O cara correu para convidar Tom Jobim, através do arranjador Claus Ogerman, para gravarem juntos o álbum Francis Albert Sinatra & Antônio Carlos Jobim (1967), um sucesso absoluto na época. Apesar de ter sido o segundo gringo a se apropriar da bossa nova (Stan Getz já havia gravado com João Gilberto), Sinatra era um artista com portas abertas em todos os lares dos EUA, e foi o responsável pela consolidação da novidade no maior mercado musical do mundo.

A vertente ficou maior no mercado internacional do que até mesmo no Brasil, desde então. E segue viva, como refúgio a todo artista que quer soar sofisticado e dar uma repaginada em sua carreira, bebendo direto da fonte. Até hoje, uma porção de cantoras e cantores apela para o gênero criado nos apartamentos e bares da Zona Sul do Rio de Janeiro. Nós, os brasileiros, fazemos melhor, mas o resultado atingido pelos gringos não deixa de ser interessantíssimo. Confira abaixo dez grandes exemplos!

Norah Jones

Norinha esbanjou bossa nova na música Don’t Know Why, com direito a videoclipe gravado na beira do mar. A canção foi lançada em 2009.

Beck

Embora tenha feito uma certa salada brasileira, misturando Tropicália (no nome) e pitadas de samba-rock, Beck esbanjou a bossa no disco Mutations, de 1998, época em que estava apaixonado por música brasileira das antigas.

Sade

O maior hit de Sade, Smooth Operator, é altamente influenciado pela vertente brasileira, principalmente no ritmo, com óbvia adição da genialidade da cantora, que botou soul e pop na receita. A canção foi lançada em 1984.

Nouvelle Vague

Antes de se tornar uma praga como trilha sonora em restaurantes que querem dar um toque elitista à sua imagem, o Nouvelle Vague surpreendeu geral transformando hits do pós-punk e da new wave em improváveis versões bossa nova. É o caso deste cover para Love Will Tear Us Apart, do Joy Division, lançado em 2004.

Laufey

A nova diva pop leva o estilo musical para as gerações mais jovens em boa parte do seu trabalho. É o caso de From The Start, uma bossa clássica, lançada em junho deste ano.

Thievery Corporation

A dupla Thievery Corportation, de Washington, se encantou tanto com a bossa nova que gravou um disco inteiro dedicado ao gênero, chamado Saudade, de 2014, com diversas vocalistas brasileiras convidadas. É o caso de Meu Nego, com Karina Zeviani.

Olivia Dean

Outra garota que mergulha na música brasileira em seu trabalho é Olivia Dean, como podemos provar em So Easy (To Fall in Love), lançada em setembro deste ano.

Air

Um dos maiores hits do duo francês Air, presente em seu seminal álbum Moon Safari, é La Femme D’Argent, pura bossa nova. Responsável por ressuscitar o fenômeno do easy listening, é claro que o gênero brasileiro não podia ficar de fora, devidamente “eletronicalizado”.

Mac DeMarco

Em 2016, Mac DeMarco lançou Dream From Yesterday, flertando forte com a bossa.

Towa Tei

Após sair do supergrupo Deee-Lite, Towa Tei lançou um disco inteiro influenciado pela bossa nova, chamado Future Listening, de 1994. Na canção Technova, convidou Bebel Gilberto para fazer a voz.

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.