Imagem: ReproduçãoCinema e homoerotismo: 10 capas de discos icônicas dos Smiths
Edição: Flávio Lerner
A fixação de Morrissey em controlar como deveriam ser as artes dos lançamentos do grupo deu bons resultados
Desde que souberam que iriam gravar seu primeiro disco, os integrantes do The Smiths tinham uma regra inquebrantável. Na direção de arte (entre tantas outras coisas), quem mandava era Morrissey, o vocalista. O rapaz tinha uma obsessão pela mensagem que o grupo deveria transmitir ao público através das imagens.

Uma das “Leis de Morrissey” era: foto do grupo na capa, de jeito nenhum. Conseguiu manter o mandamento no Reino Unido, onde a banda tinha controle total sobre sua arte. Em relançamentos e coletâneas lançadas por gravadoras em outros países do mundo, houve exceções.
A teimosia teve sua recompensa. Hoje em dia, as capas dos discos dos Smiths são uma referência. Coesas, inteligentes e, principalmente, artisticamente respeitadas. O frontman escolhia as fotos a dedo, individualmente, entregando suas preferências: cinema e homoerotismo.
Deu bom. Tanto que a lista que o Music Non Stop preparou para você serve tanto como referência musical quanto para uma boa de lista de filmes a assistir no próximo final de semana. Mergulhe conosco no maravilhoso mundo das capas de discos dos Smiths.

Hand in Glove (1983)
Morrissey queria causar já no single de estreia de sua banda. Colocou um cara pelado, de costas, encostado em uma parede, com filtro azul. O modelo foi o ator Harvey Keitel.
This Charming Man (1983)
Polêmica devidamente acesa. Para o segundo single, a ordem foi pegar mais leve, sem perder o apelo erótico. Morrissey recorreu à sua lista de filmes prediletos e tirou de Orpheus, do diretor Jean Cocteau, uma cena com o ator Jean-Alfred Villain-Marais.
What Difference Does It Make? (1984)
Atento à continuidade de seu conceito de direção de arte, Morrissey deu um passo além em What Difference Does It Make?. Seguiu usando fotos de atores mas, no caso de Terrence Stamp, modelo da capa, a foto não foi tirada da cena do filme The Collector, mas dos bastidores da filmagem. Isso é que é quebrar a (ugh!) quarta parede.
William, It Was Really Nothing (1984)
Se a nossa onda é pop art e a gente é fã de Andy Warhol, por que não partir, agora, para a publicidade? Morrisey “roubou” uma foto de um anúncio de caixas de som para estampar a capa de seu single de 1984. O nome do menino triste de cuecas é desconhecido. Se alguém conhecê-lo, nos avise!
The Smiths (1984)
O boy da capa é Joe Dallesandro, um dos preferidos de Warhol em sua Factory, o estúdio em que filmava pessoas que gostava a torto e a direito. A foto foi tirada do filme Flesh, de 1969, produção que também rendeu outra famosa capa de álbum: Sticky Fingers, dos Rolling Stones.
How Soon Is Now (1984)
O boy esquentando as mãos dentro da cueca é Sean Barrett, ator do filme Dunkirk. O de 1958, dirigido por Leslie Norman. A gravadora estadunidense não gostou. Achou muito provocativo. Como é que pode sair na capa, assim, com a mão no saco? Por conta própria, substituíram a foto de capa por uma da banda nos bastidores de um show. Morrissey, claro, ficou possesso.
Shakespeare’s Sister (1985)
Pela primeira vez, uma estrela de TV na capa dos discos do The Smiths. Pat Phoenix estrelou por 25 anos,a série transmitida na TV local de Manchester, Coronation Street.
Meat Is Murder (1985)
Não. O flagra da foto icônica não é de um soldado vegano em plena guerra do Vietnã. A frase “Meat is Murder”, estampada no capacete de Michael Wynn, do Corpo de Fuzileiros Navais, foi alterada por Morrissey. Originalmente, Wynn andava com “Make War, Not Love” escrito na cabeça, uma zoação com o lema pacifista “make love, not war”, usado nos protestos contra a guerra. O frame foi tirado do documentário Year Of The Pig, de 1969, dirigido por Emile de Antonio.
The Queen Is Dead (1986)
“Meus pais ficaram bem chateados”, contou Alain Delon em sua autobiografia, quando mostrou aos velhos uma capa de disco de rock com uma foto sua deitado. Acharam “a rainha está morta” um nome de extremo mau gosto. Tarde demais. Delon já havia autorizado Morrissey por escrito para utilizar sua imagem, retirada do filme noir L’Insoumis, de 1964, dirigido por Alain Cavalier.
Strangeways, Here We Come (1987)
Morrissey era fissurado pela estética da turma de James Dean, os “rebeldes sem causa”. Buscou um de seus coadjuvantes, Richard Davalos, em cena retirada do filme Vidas Amargas. Davalos não foi a primeira opção do líder dos Smiths. Ele queria Harvey Keitel, mas levou um “não” quando pediu autorização para usar sua imagem.



