Wolf Alice Foto: Rachel Fleminger Hudson/Divulgação

Do underground inglês ao C6 Fest: a década que levou o Wolf Alice ao Brasil

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Entenda por que o quarteto britânico é uma das atrações mais esperadas do C6 Fest 2026

Na madrugada do dia 23 de março de 2016, os integrantes da Wolf Alice se divertiam em uma festa pós-show no pub Sticky Mikes Frog, em Brighton, na Inglaterra. Beberam, discotecaram e interagiram com algumas dezenas de fãs que, poucas horas antes, curtiram sua apresentação no Brighton Dome, um antigo teatro cheio de garotos ávidos por conhecer a nova banda que havia lançado, alguns meses antes, seu primeiro álbum, My Love is Cool.

Sua performance havia sido indicada para o prêmio de melhor da Inglaterra pelo AIM Independent Music Awards, misturando grunge rock, dreampop e shoegaze, em apresentações viscerais, bem mais energéticas do que as versões das músicas registradas no disco. Enquanto se divertiam naquele pub, tão pertinho dos novos fãs, Ellie Rowsell, a carismática vocalista, Theo Ellis, o baixista cool e divertido, Joel Amey, o baterista sensível, e Joff Oddie, o guitarrista tímido, podiam sequer imaginar que, em exatíssimos dez anos e três álbuns depois, estariam pisando pela primeira vez em um palco brasileiro, como uma das atrações mais esperadas do C6 Fest 2026

Assim são as histórias do rock’n’roll. No caso do Wolf Alice, consegue sintetizar perfeitamente a vibração da vida no rock atualizada para os anos 2020, quando uma nova geração de jovens quer a música e a atitude, mais dispensa os excessos e a hipocrisia. Os quatro amigos ingleses que se juntaram em 2012 (após dois anos atuando como um duo, somente com Ellie e Joff) conseguem passar longe da plasticidade atual de um artista pop, manter o charme de um bom conjunto vivendo seu sonho e resgatar nos jovens a diversão que há em assistir a um show de uma banda “de verdade”. 

Tudo na carreira do quarteto aconteceu de forma metodicamente progressiva, sem estouros midiáticos. Teve um crescimento sólido, baseado em seu talento e em sua competência no palco. Um alento em tempos onde se compra absolutamente tudo, na indústria da música. Ainda antes de se estabelecer como um grupo tradicional, com bateria, baixo, duas guitarras e teclados (tocados pela vocalista), foi lançando alguns singles bem-recebidos em seu país, até partir para o autointitulado primeiro EP, em 2010, lançado sem gravadora, na unha.

No seguinte, Blush, She foi destacado como o single mais comentado em blogs independentes na Inglaterra, o que demonstra que a banda foi construindo, lentamente, uma base sólida no cenário musical. O bochicho que geraram abriu as portas para o primeiro álbum. Quando My Love is Cool chegou, atingiu o segundo lugar nas paradas britânicas e um convite para abrir os shows do The 1975. “Estava acontecendo”, como dizemos nos bastidores do mundo da música. 

Com os boletos pagos e a primeira parte da jornada completa, era hora de se consolidar. Evieram só acertos. O segundo LP, Visions of a Life, saiu em 2017 e levou o conceituado prêmio britânico Mercury Prize, rendendo aberturas de shows para gigantes como Foo Fighters e Liam Gallagher. Em 2021, foi a vez do terceiro disco, Blue Weekend, que rendeu o prêmio de “Banda do Ano” pelo Brit Awards. E em 2025, com The Clearing, bateu mais um recorde em seu país: foi o primeiro projeto a ter todos os seus discos indicados ao Mercury Prize. Assustador, considerando o tamanho da produção musical de sua terra natal.

Receber Wolf Alice em São Paulo, no C6 Fest, exatos dez anos após o rolê em Brighton, quando estavam começando a se entender como um grupo estabelecido no concorrido cenário musical britânico, é mágico. Um show que vale a pena conferir. E, antes que você pergunte, não sabemos onde será o after aqui em São Paulo. Mas seria muito bacana se rolasse.

Serviço

C6 Fest 2026

Datas: 21 a 24 de maio de 2026 (quinta a domingo)
Local: Parque Ibirapuera – São Paulo/SP
Lineup completo: Veja aqui
Ingressos: Sujeitos a disponibilidade de lote via Eventim

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.